Fotografia de Mário Lisboa.
se souber o nome da equipa ou mais detalhes, escreva uma nota para aqui.
Fotografia de Mário Lisboa.
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Muito grato ao Pierre Yves Jeanrenaud, meu colega da natação no Desportivo e no Clube Académico de Coimbra, que enviou esta fotografia da sua casa na África do Sul e prometeu mais.
Infelizmente não sei ainda o nome da mãe dele, sempre a conheci como “a mãe do Pierre”. Mas isso resolve-se com um email.
A piscina do Desportivo foi inaugurada no dia 24 de Julho de 1949 pelo então Governador-Geral. O Avô materno do Pierre creio que fazia parte da direcção do Desportivo nessa altura.

A mãe do Pierre sempre foi linda, mas aqui está uma beleza. Não sei quem é o Clark Gable à direita. Reparem ao fundo que o eucaliptal que cobria a zona ribeirinha da cidade naquela altura vinha até praticamente às portas do clube. Mesmo no cantinho à esquerda, pode-se ver a sede original do Desportivo, que ainda existe e devia ser património arquitectónico e histórico da cidade de Maputo.
Foto gentilmente enviada pela Maria da Luz (Mendes) Jacobs.
A Maria da Luz nadou no Clube Náutico da Beira e mais tarde no Clube Académico de Coimbra. Vive perto de Durban.
Recortes gentilmente cedidos pelo Armando Nunes, que nadou pelo Clube Náutico da Beira.
Jovem de Nampula, nadou depois em Coimbra, onde ainda vive.
A foto, tirada nos anos 80, numa visita minha à cidade.
Carla Abreu é a irmã mais velha do nadador Rui Abreu, o melhor nadador de Moçambique até esta data.
O Pierre nadou no Desportivo LM e mais tarde no Clube Académico de Coimbra. Actualmente, vive na África do Sul.
Fotos rapinadas à Luísa Oliveira.
Leonel Gomes foi treinador de natação no Desportivo LM nos anos 60 e 70.
Hoje, com 80 anos, goza a sua reforma nadando e batendo recordes de natação para Masters. No Mundial de Masters na Suécia, em Agosto de 2010, ficou em 3º lugar numa prova.
Aqui em baixo com os meus amigos de Coimbra, de que destaco as irmãs Teresa e a Luísa Oliveira.
Foto e texto gentilmente enviados por Fernando Brito.
Esta fotografia foi enviada pela Maria da Luz Mendes (Jacobs).
Esta fotografia foi enviada pela Maria da Luz Mendes (Jacobs).
Maria da Luz Mendes (Jacobs) nadou na Beira e em Coimbra.
Esta fotografia foi enviada pela Maria da Luz Mendes (Jacobs).
Esta fotografia foi enviada pela Maria da Luz Mendes (Jacobs).
Esta fotografia foi enviada pela Maria da Luz Mendes (Jacobs).

Equipa de nadadores de Joaquim Aires - Clube Náutico da Beira, anos 70. Na fila de trás, da esquerda: Sr. Lamego, (T1), Maria da Luz Mendes, (T2), T3), T4 e Joaquim Aires. Na fila do meio: Ana Paula Santos, M1, M2, Ângela Santos e Paula Lamego. Na fila da frente: Luis Lamego, Rui Santos, Ribeirinho e Saladino.
Maria da Luz Jacobs, que agora vive com a família na África do Sul, nadou na Beira e mais tarde em Coimbra, Portugal. Ela enviou esta fotografia.
Joaquim Aires deu aulas de natação na Beira e em Coimbra, para onde foi depois de sair de Moçambique em 1975. Era o pai de Maria da Luz.
Maria da Luz Jacobs, que agora vive com a família na África do Sul, nadou na Beira e mais tarde em Coimbra, Portugal. Ela enviou esta fotografia.
Este texto é da autoria do Prof. Rui Baptista, que marca presença habitual no blogue De Rerum Natura.
Inicialmente, a um post de António Botelho de Melo, intitulado “Clube Académico de Coimbra”, 1975 ( 7.Fev.2010), foi minha intenção endereçar este pequeno texto sob a forma de comentário. Pedindo ao seu autor que reproduza novamente aqui a fotografia que acompanhou o respectivo post [vide abaixo], bem ou mal, entendi merecerem estas minhas mal alinhavadas linhas um destaque maior que um simples comentário.
O leitor interessado em factos do desporto nacional (tenham eles ocorridos na Metrópole ou no antigo Ultramar Português) certamente acolherá favoravelmente esta minha decisão, a decisão de um moçambicano do coração, natural da Luanda, filho de pais de um Portugal europeu, que veio viver e refazer a sua actividade profissional em acolhedoras margens do Mondego que mitigaram, apenas, as saudades da belíssima Cidade das Acácias (Lourenço Marques) em terras do Índico.
Vem isto a propósito de, há meses atrás, ter assistido a uma interessante palestra da Professora Eugénia Cunha, docente da Universidade de Coimbra. Mal sabia eu estar em presença, para além de uma prestigiada académica, de uma destacada nadadora coimbrã. Prova evidente do casamento perfeito entre a matéria que se diz pensante e o resto do corpo.
Aliás, Ernest Krestchemer, médico psiquiatra e doutor “honoris causa” em Filosofia, o reforça: “O homem pensa com o corpo todo”. Por seu lado, contrariando o dualismo cartesiano, “res cogitans”/ “res extensa”, Jean-François Lyotard, filósofo da nossa contemporaneidade, não hesita em criticar todos aqueles que defendem que ” toda a energia pertence ao pensamento que diz o que diz, que quer o que quer; a matéria é o fracasso do pensamento, a sua massa inerte, a estupidez”. Sem me que querer alongar, respaldo-me, por último, numa figura da vida cultural portuguesa do século XX, Almada-Negreiros: “É preciso criar a adoração dos músculos”.
Na ocasião da visita de Suzana Abreu Barros a Portugal, imagens de um almoço que excepcionalmente reuniu Grandes da natação de Moçambique antes da Independência e alguns de Portugal após 1974.

Uma foto para a Posteridade: Eurico Perdigão, Dulce Gouveia, Victor Cerqueira, Suzana Abreu Barros e José Sacadura.

Da esqª: Eurico Perdigão, Dulce Gouveia, Susana Abreu Barros, Victor Cerqueira, Amélia Sampaio, José Sacadura e Carlos Oliveira

O professor José Sacadura, que viveu na Beira entre 1968 e 1974, deu aulas no Liceu Pêro de Anaia e foi treinador no Clube Náutico da Beira, foi também Seleccionador de Moçambique. Marcou como poucos a natação portuguesa nos últimos quarenta anos. Agora goza da reforma mais activa que se viu.

Eurico Perdigão e Dulce Gouveia. O treinador e a nadadora que marcaram uma geração da natação em Moçambique e em Portugal.
Uns dias de férias e calor infernal na última semana de Dezembro de 1974, acampado numa praia da Ilha da Inhaca com amigos. Tinha 14 anos de idade e levou horas à chata (tipo de barco) que cruzou a baía para chegar à ilha.
Nessa noite de 31 de Dezembro de 1974, à meia-noite, lá longe no horizonte, sentado na praia escurecida, iluminada apenas por uma fogueira, assisti ao espectáculo mágico do fogo de artifício, brilhante e avermelhado, a oscilar silenciosamente à distância, sobre os límpidos céus de Lourenço Marques, celebrando a entrada do ano de 1975: o ano da Independência de Moçambique.
1974 e 1975 foram anos verdadeiramente alucinantes, uma curiosa mistura do sublime e do infame.
Mas, políticas aparte, os meus focos eram só dois: estudar e nadar competitivamente.
No dia 19 de Fevereiro de 1975 saí de Lourenço Marques (fazia sol e 27 graus de temperatura nesse dia) num Boeing 747 da Tap com destino a Lisboa, onde cheguei na manhã seguinte. Na capital portuguesa a temperatura era de 11 graus, estava escuro e caía chuva miudinha. Toda a gente parecia estar vestida de preto, as ruas sujas, cartazes por toda a parte a apregoar frases revolucionárias.
Ao princípio da tarde desse dia, fui levado pelo Prof. José Sacadura e pela Dulce Gouveia, que viviam em Coimbra, através da indescritível confusão e perigo da Estrada Nacional 1, para Coimbra. Cheguei à cidade cerca das 5 da tarde e a primeira coisa que fiz foi ir à piscina municipal coberta nadar. No dia seguinte fui para o liceu, onde levou algum tempo primeiro que as senhoras da secretaria processassem a papelada para me encaixarem lá.
Em Fevereiro de 1975 a Coimbra que encontrei era uma cidadezinha fria, molhada, escura e sisuda, que participava contida e distanciadamente na então Revolução das Flores, cuja dinâmica se desenrolava essencialmente em Lisboa, e a que se assistia de Coimbra diariamente pela televisão através duma RTP instrumentalizada e governamentalizada, medíocre, a preto e branco. Nos intervalos dos debates e da peixarada política, assistíamos aos escaldantes episódios de Gabriela, Cravo e Canela e ao inenarrável A Vaca da Cornélia.
Definitivamente, já não estava em Moçambique.
O mais que se assistia de “revolucionário” em Coimbra passava-se creio que na universidade, um mundo relativamente estanque da cidade, onde se contavam espadas, saneavam-se professores e se contestava tudo e mais alguma coisa. No Liceu Infanta Maria tive professores que eram professores da universidade mas que para lá foram pois já não estavam para aturar aquilo.
Eu já conhecia Coimbra desde 1972, quando ali estive umas semanas, regiamente instalado no Hotel Avenida, para participar em competições de natação. Estive lá no ano seguinte. Sempre em Julho e Agosto, quando a cidade era quente, seca e solarenta. Agora conheci-a – e a Portugal – no inverno, sombria, quase sorumbática.
Coimbra entre 1972 e 1975 era uma vila comparada com o que é hoje. Junto ao Calhabé ainda havia quintas e ovelhas a pastar. A Sólum era quase um transplante no meio do mato, que rodeava o bairro. Era uma cidade pacatíssima, de província, com alguma mania de que ali residia uma elite e uma cultura aparte. Mas na prática era uma cidade normal. Como em toda a parte, encontrei lá muito boa gente e alguma que não prestava para nada.
Em Coimbra, fui estudar para o Liceu Infanta Dona Maria e nadar nas piscinas municipais da cidade. Vivi primeiro na Sólum e depois no Calhabé, o resto da família – os meus pais e sete irmãos – espalhados por todo o mundo.
Cedo se reuniu ali uma pequena comunidade de gente de Moçambique que nadava comigo. Cada um à sua maneira, procurava ajustar-se às circunstâncias loucas em que quase repentinamente nos encontrámos, todos longe das famílias, sem dinheiro, sem ousar pensar no dia seguinte, vivendo o dia a dia. Coimbra passou a ser a nossa casa e os nossos amigos a nossa família.
Vivi em Coimbra dois anos e sete meses, exactamente.
Em 20 de Setembro de 1977 saí de Coimbra num comboio da estação B, com destino a Lisboa. Depois de um mês de espera na ilha açoriana de São Miguel, onde estavam os meus pais, fui viver para os Estados Unidos da América, onde permaneceria nos 14 anos seguintes.
Após sair de Moçambique, não voltaria durante quase mais dez anos, até viajar até lá em 1984, por sugestão de Valeriano Ferrão, o primeiro embaixador moçambicano nos Estados Unidos da América.
Que me facultou um visto de entrada.
Para estrangeiro.
Anos mais tarde, a piscina foi alvo de obras que aumentaram o seu comprimento para cinquenta metros e foram construídas duas piscinas ao lado, uma coberta com cimento e outra com lona.
Entre 1972 e 1977, nadei e treinei muitas vezes nessas piscinas, que tinha a particularidade de a água que a enchia vir de um poço no local. A água desse poço estava gelada e era colocada através de um tubo situado no meio da piscina. O resultado é que, nos dois extremos da piscina, a água podia estar a uns confortáveis 23 graus, mas no meio estava a 16 graus. Nadar ali nessas alturas era uma aventura.
Entre Fevereiro de 1975 e Setembro de 1977, vivi em Coimbra.
Já neste século, essa piscina foi demolida, para dar lugar a um centro comercial, tendo outra piscina sido construída no que fo durante muitos anos um parque de estacionamento para o vizinho estádio municipal.
Do outro lado do parque de estacionamento fica o Liceu Infanta Dona Maria, onde estudei entre 1975 e 1977 e fiz o 4º, o 5º e o 6º ano do liceu. Estava um pouco delapidado, mas serviu. Hoje é suposto ser chiquérrimo.
Todos do Clube Académico de Coimbra, onde José Sacadura treinou.
Nos anos 70, Jaime Lobo treinou no Clube Académico de Coimbra.
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