THE DELAGOA BAY COMPANY

Julho 14, 2011

O GRANDE DAVE ADKINS – UM AMERICANO NO BASQUET MOÇAMBICANO, ANOS 70 – EM 2011

Muito agradecido a Dave Adkins e ao Rogério Carreira pelas fotografias que aqui seguem.

 

Dave Adkins como muitos dos exmos leitores se recordarão dele, nos anos 70.

No seu excelente repositório de informação, o Rogério Carreira caracteriza numa linha a passagem do Norte-Americano Dave Adkins por Moçambique no princípio dos anos 70: “o Norte Americano Dave Adkins foi o treinador do Sporting no tempo de Mário Albuquerque, Nelson Serra, Rui Pinheiro, que ajudou a vencer em Luanda o Campeonato Nacional em 1973, com uma exibição de luxo frente ao Sport Lisboa e Benfica. Treinou também o Benfica , a Académica e o Desportivo.”

Mas há muito mais a dizer, e tive a sorte de a semana, após o Dave ter enviado uma sentida mensagem de condolências pelo falecimento de Adão Ribeiro, essa outra grande figura do basquet moçambicano e que conhecera bem, de estabelecer contacto com ele e pedir mais umas informações.

Dave Adkins jogou basquet desde jovem. logo na universidade (Cornell), cuja equipa de basquet integrou.

Em 1971 vai para a então Lourenço Marques, onde esteve no centro da evolução do basquet moçambicano até meados de 1974.

Nas suas palavras, traduzidas por mim (se bem que o Dave entenda bem e escreva razoavelmente português):

Eu treinei a Académica (Baganha, Gui, Quim Neves, Inc.) em 1972. Nesse ano ainda joguei algumas vezes como treinador-jogador, mas na altura não já estava na melhor forma física. Perdemos o campeonato provincial por um ponto contra o Sporting.

Em 1973 tive o privilégio de treinar a equipa veterana do Sporting de Lourenço Marques (Mário, Nelson, Luis A., Terry J., Ramão, Rui, Vitor, Simango, Tomané) e de os levar à final do campenato nacional de basquet, que vencemos ao derrotar o Benfica de Lisboa em Luanda por 102-77.

Em 1974 treinei a equipa de basquet do Desportivo (Lima e Cia.)

 Mais tarde treinei a equipa de basquet Hobart Devils, na liga profissionbal de basquet australiana, entre 1985-1989, a NBL durante três anos onde se fez um bom progresso com uma equipa que tradicionalmente tinha sido relativamente fraca. 

Em seguida, trabalhei durante dez anos como agente de atletas profissionais de basquet no estrangeiro, tendo colocado atletas na Austrália, Nova Zelândia, Japão e Europa.

Neste momento estou reformado e em vias de mudar-me, com a minha mulher Geneva, que conheci em Lourenço Marques onde ela trabalhava no consulado americano local, da cidade de Des Moines, no Estado de Iowa, para a cidade de Corpus Christi, no Texas.

Gostava de referir que os três anos que passei em Lourenço Marques e os contactos que tenho vindo a manter com a malta (sic) constituem pontos altos da minha vida pessoal e profissional. É sempre um enorme prazer contactar com antigos jogadores e treinadores do basquet de Lourenço Marques.

Quem quiser escrever uma nota ao Dave que escreva uma mensagem para aqui ou mande uma nota pedir o seu endereço de correio electrónico

1961. Dave em baixo à direita, na selecção de basquet do Midwest da NCAA, a liga americana de basquet universitário.

 

Dave Adkins em 1962 dá uma coça no seu adversário de Grinnell.

 

A equipa de basquet da Académica LM no tempo de Dave.

 

1972. As estrelas americanas numa digressão por Moçambique e Angola.

 

1973. O Sporting de Lourenço Marques atinge o zénite ao ganhar o campeonato nacional.

 

1973. Durante a primeira ronda do Campeonato Nacional de basquet em Luanda.

 

Luanda, 1973. Em apoteose, Dave é levado aos ombros da sua equipa - campeões nacionais.

 

Dave e Geneva passeiam em Joanesburgo, África do Sul, no dia...24 de Abril de 1974. No dia seguinte, um golpe militar em Lisboa prenunciou o fim da presença colonial portuguesa em África.

 

1979. Dave na Austrália.

 

1980. Dave, à direita, com dois craques do basquet australiano.

 

1987. Ainda na Austrália, Dave, à direita, com os Hobbart Devils, que pela primeira vez ganharam mais jogos do que os que perderam.

 

1996. Dave Adkins como agente de estrelas do basquet, aqui com alguns dos basquetebolistas que representou.

 

Em 1999, Dave Adkins publicou um livro sobre a sua carreira associada ao basquet. O livro pode ser comprado na Amazon, bastando ir ao sítio da Amazon na internet e colocar o nome dele ou o nome do livro.

 

Um comentário de Dave Adkins sobre a colocação de uma estrela do basquet americano.

 

Dave em 2005

 

Dave com a sua mulher Geneva em casa no Estado de Iowa, 2010. Em breve vão-se mudar para o Texas, onde o clima é mais....africano. Dave e Geneva copnheceram-se em Lourenço Marques, onde Geneva trabalhava no Consulado norte-americano local.

 

 

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7 comentários »

  1. Fiquei muito feliz do Dave ser incluido neste “site” de desportistas e artistas moçambicanos. Ele foi sem dúvida talvez o maior impulsionador do basquetebol laurentino, e soube aproveitar bem o talento dos nossos atletas. Foi um grande amigo, das equipas onde treinou, e meu pessoal. O meu trabalho no Consulado Geral da América em LM, proporcionou-me um maior contacto com o Dave e foi lá que ele conheceu a sua mulher Geneva. Tenho mantido contacto com o Dave através dos tempos, e se não adquiriram já o livro escrito pelo Dave “A Journey in Overseas Basketball” façam-no, pois ele incluiu imensas fotos e artigos sobre essa época gloriosa do basquetebol em Moçambique, e também nos outros países por onde andou. Tenho muito orgulho e estima nesta amizade que me é muito querida e tenho esperança que um dia o Dave possa tirar umas férias em Portugal, para que todos os seus amigos possam ter a oportunidade de lhe dar um abraço. Boa ideia, não?
    A big hug Dave!

    Comentar por Celia — Julho 14, 2011 @ 10:43 am

    • Olá, Célía,

      Muito obrigado pelos comentários positivos. Recordo bem o día que me ajudou encontrar uma flat (seguimos o rasto do papel branco nas janelas das flats disponíveis) e mil outras coisas que fez para ajudar-me a adaptar-me à vida africana e, claro, agradeço ter-me apresentado a Geneva no consulado. Este verão, estamos no processo de nos mudarnos de Des Moines, Iowa, para Corpus Christi, no Texas. A Geneva reformou-se do seu emprego de analista de sistemas de justiça com o Estado de Iowa faz agora duas semanas, e eu prossigo dando uma cadeira numa universidade (community college) no Texas durante o ano académico. Depois de nos mudarnos, talvez possamos pensar numa visita a Lisboa. Claro, gostaríamos de fazer essa excursão. Já sei que a Célía não gosta de usar o português comigo, mas acho que é mais apropiado quando escrevo aqui no Delagoa Bay, apesar de não me expressa como gostaría em portugües. Agradeço o interesse do António e do Rogério nas minhas experiências em basquet em LM, é muito especial receber este reconhecimiento. Quando os meus amigos americanos aqui me perguntan sobre LM, escutan as minhas histórias com a boca aberta. Epá. Admito que os meus três anos em LM parecen um sonho – um sonho óptimo. Abrações, Celinha. O teu amigo do Girassol, Dave Adkins

      (Nota – só para chatear a Célia, o texto original, que estava excelente, foi maliciosamente refinado por ABM…)

      Comentar por Dave Adkins — Julho 14, 2011 @ 2:35 pm

  2. Embora não o tenha conhecido pessoalmente, pq não joguei basquete senão em Nampula, portanto não andava nos meandros deste desporto em LM, mas mais no hóquei onde conheci pessoalmente quase todos os Campeões Mundiais, mas recordo-me perfeitamente do Dave, tanto como jogador como treinador dos maiores jogadores de basquete que houve em Moçambique, sendo ele próprio grande nas suas duas facetas. Não quero deixar de mencionar o Baganha, Octávio Bagueiro que não ouço falar dele,grande jogador tb, Mário Albuquerque, Nelson Serra, Rui Pinheiro e o meu saudoso colega Adão Victor Amor Ribeiro que conheci. Havia outros muito bons, mas estes eram o expoente máximo do basquete em Moçambique. Desejo ao Dave e Geneve as maiores Felicidades e Saúde, lá tão longe onde se encontram. Bébé Amaro Morais.

    Comentar por Bébé Amaro Morais — Julho 15, 2011 @ 12:40 pm

  3. Olá Bébé, estou de acordo, tive o privilegio de trabalhar com jogadores excelentes e mencionou ao Adriano Baganda, quem era tanto bom defender como lanzador consistente e originador excepcional. Claro, todos os aficionados de basquet recordam com respeito o Mario, Nelson, Luis A.,Gui, Quim, Rui, Paulo, Samuel, Sing, Eustachio, Lima e outros da categoria de talento superior. Também, sabe que Ramão desempenhou um papel clave no campeonato de Luanda em ’73 que o Sporting de L.M. ganhou. Falando de hóquei, a minha primera noite em L.M., fui ao hóquei no campo de Mahangalene com os dirigentes de Académica. Havía treinadores muito bons também durante esta época de basquet em L.M. – o Ribeiro e o Pina eram muitos efectivos e o Alex Franco contribuiu muito ao basquet como o primer treinador de Benfica de L.M., dirigente de mini-basquet e jornalista. Obrigado, Bébé, pelos interesse e comentários. Dave A.

    Comentar por Dave Adkins — Julho 15, 2011 @ 11:03 pm

  4. Estou tentando pôr-me en contacto com o Terry Johnson de Tennessee y o Rob Clark de Denver para partilhar o blog desde que jogaram no basquet portugües também. Mandei uma mensagem electrónica para Middle Tennessee State University e para Coe College, as universidades onde Terry e Rob estudaram. Não tenho visto a Terry desde 1974 em LM, mais falei con Clark faz 15 anos. Ele é um homen com dinheiro a través da sua suerte na bolsa e o día que falamos, Rob celebrava a chegada da sua nova filha de Coreia. Desejo saúde à malta de LM. . D. Adkins

    Comentar por Dave Adkins — Julho 17, 2011 @ 1:00 pm

    • Dave, se receberes alguma informação por favor partilha com o pessoal. ABM

      Comentar por ABM — Julho 18, 2011 @ 8:50 pm

  5. Lembro-me perfeitamente da passagem do Dave Adkins como jogador e posteriormente como treinador jogador da Académica de Lourenço Marques, falo desta por ser a equipa que eu apoiava em miúdo.

    De facto como jogador já estava numa fase terminal da carreira e ao terminar cada partida com uma média duns 5 a 8 pontos encestados, via-se que não era propriamente um “grande” reforço.

    Mais tarde como treinador foi de grande utilidade, incutia grande disciplina e agressividade nas marcações individuais e à zona, tendo à disposição grandes basquetebolistas locais que eram verdadeiros artistas (Quim Neves, Aurélio Vaz, Quen Gui, Diogo Amoroso Lopes, os irmãos Adriano e Augusto Baganha, Zé Quintela, etc) .

    Na mesma altura veio um outro norte-americano para a Académica e esse sim, deixou boas recordações como jogador e também como pessoa.

    Se estiverem recordados, para quem acompanhava o básquete em Moçambique, esse outro americano era o Richard Almestedt, o qual veio mais tarde a ser rendido por outro jogador espectacular que fazia as delícias do público, o Greg Howard.

    Qem não se recorda dos actores daqueles espectáculos nocturnos de fim-de-semana que enchiam constantemente os pavilhões? Um regalo para os olhos ter tido a oportunidade de ver em acção excelentes praticantes lusos e moçambicanos que havia nessa altura em Lourenço Marques na generalidade das equipas da Académica, Sporting, Malhanga, Desportivo, Ferroviário, Benfica (quem não se lembra do Mahlon Sanders e dum famoso jogo em que sozinho marcou mais de 100 pontos para a equipa?) e Real Sociedade.

    Magníficos e saudosos tempos!

    Comentar por Nuno Pinto — Agosto 22, 2011 @ 11:18 am


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