THE DELAGOA BAY COMPANY

Dezembro 25, 2011

ALBERTO DE MORAIS VALLE E O PAINEL ARTÍSTICO DO DESPORTIVO

O complexo do Grupo Desportivo Lourenço Marques. A piscina foi inaugurada a 24 de Julho de 1949. Esta foto data do início dos anos 1960, antes das terraplanagens feitas a poente. O painel executado por Morais Valle encontra-se à entrada do Clube. Para ver esta fotografia em tamanho maior, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

O painel artístico concebido e feito por Morais Valle , lado esquerdo.

O painel artístico do Desportivo, lado direito.

Graças a Isabel do Valle, neta Alberto de Morais Valle, “descobri” ontem que este artista foi o autor do bonito painel que desde meados de 1949 decora a entrada do actual Grupo Desportivo de Maputo. E pelo qual passei milhares de vezes sem nunca saber quem os tinha feito.

Alberto de Morais Valle.

Alberto de Morais Vale nasceu em Belém, Portugal, no dia 20 de Junho de 1901. Tendo ficado órfão dos pais, com 8 anos foi para a Casa Pia com o irmão. Aos 15 anos, inscreve-se na Escola de Belas Artes e Liceu Gil Vicente. Três anos depois, em 1919, matricula-se no curso de escultura, tendo como colegas nomes que mais tarde se tornariam muito conhecidos. Em 1923 começa a dar aulas na Casa Pia, onde ainda vivia na altura. Em seguida deu aulas um pouco por toda a parte. Em 1926 casou com Clarinda, com quem teve Lia (1927), Cristina (1930) e Rui (1934).

Entre 1929 e 1944 leccionou principalmente na zona das Caldas da Raínha.

Escultura de AMV.

Uma escultura de AMV, premiada numa exposição levada a cabo na Sociedade Nacional das Belas-Artes.

AMV com a filha Lia, uma dos seus três filhos, aqui em Óbidos, 1937.

Em 1944 decidiu ir viver para Lourenço Marques.

Do livro sobre AMV: a ida para Lourenço Marques em 1945.

A permanência em Lourenço Marques. Excerto do livro de Isabel do Valle sobre o seu avô.

Desenho de uma mulher, feito em Lourenço Marques por AMV.

Mais sobre a vida de AMV em Lourenço Marques.

Foto tirada durante uma exposição em Lourenço Marques.

O segundo da esquerda em baixo, AMV com colegas da Escola Sá da Bandeira em Lourenço Marques.

Os Valle durante uma visita ao Jardim Zoológico de Lourenço Marques, 1954. Já doente, AMV regressaria à então Metrópole, onde faleceria em 6 de Outubro de 1955, na cidade do Porto.

Notícia, num jornal de Lourenço Marques, dando conta do falecimento de AMV em Portugal, mencionando o seu contributo no Núcleo de Arte e na Escola Industrial.

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6 comentários »

  1. Boa pesquisa, parabéns pelo trabalho. Só hoje fiquei a saber alguma coisa sobre arte pela qual passei várias vezes, talvez porque estaria pouco visível o nome do seu autor e porque as imagens eram alusivas ao desporto que mais adeptos levava aquele recinto, daí a falta de curiosidade que tive para averiguar mais em pormenor o seu autor e a sua obra.

    Comentar por ERS — Dezembro 25, 2011 @ 11:30 pm

    • ERS, eu não sonhava que havia “história” ligada ao painel. De facto, não me recordo de aquilo sequer estar assinado. Seria interessante se os actuais directores do Desportivo colocassem qualquer coisa referindo o nome do autor. ABM

      Comentar por ABM — Dezembro 25, 2011 @ 11:51 pm

  2. aqui se verifica um bom trabalho, principalmente a piscina e o ringue onde, com o Tubarão realizamos um tornei de futebol de ( 7).

    Comentar por Ferreira Pinto — Dezembro 26, 2011 @ 4:47 pm

  3. Gostei de ver e de ler sobre o meu avô, que considero, a nível artístico, ter sido pouco reconhecido nas últimas décadas. Como sua neta mais velha, procurei fazer alguma coisa para remediar isso. […] Acabou por ser a neta mais nova, Isabel a quem pediram para o fazer. É assim, a vida.. Fico contente por se estar a chegar a escrever, para a História, o valor do meu avô.

    Obrigada por esta publicação.

    Lia Morais do Vale Soares

    Comentar por Lia Soares — Dezembro 29, 2011 @ 12:13 am

    • Olá Lia, muito obrigado pela nota tão simpática. Todos os que como eu cresceram no Desportivo conhecem as lindas imagens do painel (que a partir de agora tem assinatura, pelo menos para nós) de cor e salteado e por lá passámos um milhão de vezes.Eu sou amigo do Pierre Jeanrenaud, cujo avô era um dos grandes de LM na altura e que foi presidente do Desportivo que acabou a obra da então piscina com dimensões olímpicas. Foi nessa altura que o painel terá sido executado. Também estou a ver se apanho imagens dessa inauguração, contidos num álbum fotográfico que na altura foi oferecido ao Governador-Geral Maurício Teixeira, que presidiu à cerimónia em 1949 (a família dele doou-a a um organismo que o fechou a sete chaves…). Pode ser que se possa ver o painel novinho em folha. Li o livro da Isabel de ponta a ponta, impressionante. Uma linda história e para mim uma prenda deste Natal! ABM

      Comentar por ABM — Dezembro 29, 2011 @ 12:29 am

  4. Isabel do Valle,

    O “escultor Valle” foi o meu primeiro professor de escultura, tinha o seu atelier perto da sua casa, na Polana, salvo erro na Avenida Pinheiro Chagas. Meu pai, que também foi professor, foi seu colega, além de, em Lourenço Marques, julgo que em Setúbal, onde leccionava o poeta Sebastião da Gama. Eu e meus irmãos, embora mais novos, lidámos com a Lia, a Cristina e principalmente com o Rui, que, se a memória não me engana, com o Todela e o Soteiro, criaram os “Jograis da Polana”. A Cristina penso que casou, também com um artista, mas aguarelista.

    Gostava de saber notícias deles, se possível, ou mais pormenores dos seus descendentes, se também estão ligados às Artes e que Artes. A última vez que estive com o Rui, foi quando ele se despediu para vir estudar arquitectura, em Portugal.

    Tenho um “Registo-Diário”, do meu pai, onde escreveu sobre o regresso do Escultor Valle, para Portugal.
    A ideia de recordação que tenho dele é de ter sido um simples artista, senhor do seu lugar na sociedade, conhecedor e seguro das suas lições sobre Arte. Isso se nota na segurança e na força do contorno das formas anatónicas das silhuetas escultóricas do “Baixo Relevo do Desportivo”.

    Devo a ele as primeiras bases de ver os volumes, que me levou a tirar as Belas Arte em Lisboa.

    A Dona Clarinda, sua esposa, era uma “Dama da Época de Ouro de LM”, com um grande dom de palavra. Já ele não, era como o meu pai, apreciavam um bom prato.

    Embora modesta, é a homenagem que tenho de fazer a um dos grandes artista, pioneiros da construção de Lourenço Marques.

    Viriato da Silveira

    Comentar por Viriato da Silveira — Dezembro 31, 2011 @ 1:26 am


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