THE DELAGOA BAY COMPANY

Maio 26, 2017

A INAUGURAÇÃO DA PISCINA DE GONDOLA, 1964

Texto e fotografias de Eduardo Horta. O texto foi adaptado. As fotografias foram retocadas.

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A equipa dos Velhos Colonos de Moçambique cumprimenta os atletas rodesianos que participaram na inauguração da piscina de Gondola, então a melhor piscina de Moçambique.

Memórias da inauguração da Piscina do Ferroviário de Gondola, em Manica, em 26 e 27 de Setembro de 1964, na época a melhor piscina de Moçambique, de dimensão olímpica, com 50 metros de comprime to por 20 metros de largura e 10 pistas. Nem na capital moçambicana existia então algo semelhante.

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Participaram na inauguração as equipas de Lourenço Marques (Grupo Desportivo e Associação dos Velhos Colonos), uma equipa da Rodésia e alguns jovens do Colégio Luis de Camões, da Beira. Magnifica piscina desenhada pelos Arquitectos Naya Marques e Julião de Azevedo, da Beira, com cálculos dos Engenheiros Nogueira Leite e Mota de Oliveira, tendo sido o construtor António Joaquim Lopes, de Vila Pery.

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A equipa da Associação dos Velhos Colonos.

As reportagens, filmadas e fotografadas, estiveram a cargo de Manuel Pereira, João Terramoto e de Carlos Alberto Vieira, os dois primeiros para a Actualidades de Moçambique e TV Portuguesa e o último, um dos reportéres fotográficos de maior renome em Moçambique. Ainda houve um programa de variedades, com artistas e cantores do Rádio Clube de Moçambique, como a Maria Adalgisa, a Marinela, o Aníbal Coelho etc., além do Conjunto Oliveira Muge, de Vila Pery, mal sabendo eu que, poucos anos depois, o vocalista (Policarpo) viria a ser meu colega de tropa.

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A equipa dos Velhos Colonos, numa pose mais informal.

O edificio junto à piscina exibia nas paredes uns murais alusivos aos Caminhos de Ferro, de autoria do Júlio de Albuquerque, que, não sendo um artista plástico, mas sim um operário e pintor profissional, não deixavam de ter um grande valor estético.

 

Maio 24, 2016

LEONG SIU PUN NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, 1964

Filed under: 1960 anos, Leong Siu Pun, PESCA SUBMARINA, Uncategorized — ABM @ 8:04 pm
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O Grande Leong com uma garoupa de 18 quilos, apanhada ao largo da Ilha de Moçambique a 3 de Maio de 1964.

Abril 17, 2014

A EQUIPA DE BASQUET INFANTIS DO MALHANGALENE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Fotografia de João de Sousa, restaurada.

João de Sousa é um jornalista moçambicano, cujo início de carreira passou pela cobertura de muito do desporto em Moçambique, ainda antes da Independência. Actualmente, reside em Maputo.

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Segundo o Leonel Sousa, “Esta é a equipa de basquetebol Infantis do Malhangalene após a vitória no campenato. Esta equipa, com ligeiras alterações, ganhou os 2 campeonatos de Infantis que disputou e os dois campeonatos Provinciais de Juniores. Ganhou tudo até chegarem a Séniores. Equipa Maravilha!”. Aqui vai uma grelha para quem souber os nomes: do lado esquerdo, para o fundo, P1, P2, P3, P4, P5, P6, e P7. Ao fundo da mesa, P8. Do lado direito, na direcção do fundo:  P9, P10, P11, P12, João de Sousa, P14, P15 e P16. Também não sei o ano exacto. A fotografia foi tirada no Restaurante Oceânia, que ficava junto do Clube Naval de Lourenço Marques, anos 60.

O TOUREIRO RICARDO CHIBANGA, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, Ricardo Chibanga, TOURADAS — ABM @ 11:39 am

 

O toureiro Ricardo Chibanga, em traje solene, anos 60.

O toureiro Ricardo Chibanga, em traje solene, anos 60.

Janeiro 5, 2014

EUSÉBIO E RUTE MALOSSO EM LOURENÇO MARQUES, 1960: UMA EVOCAÇÃO

Filed under: 1960 anos, 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira — ABM @ 5:29 pm
A jovem estrela no arranque do seu percurso.

A jovem estrela no arranque do seu percurso.

Já se contaram inúmeras histórias e episódios em redor do Grande Eusébio, que faleceu hoje em Lisboa, cerca de três semanas antes de completar 72 anos de idade.

Mas não esta pequena história, que aqui elenco, em singela homenagem ao superlativo atleta de Moçambique, que inspirou e maravilhou gerações de amantes do futebol em todo o mundo, entre eles o meu Pai, que, vindo dos Açores e de Macau, decidiu ir viver para Lourenço Marques em 1958, e que assistiu ao vivo a todo o percurso de Eusébio, que em nossa casa sempre foi visto como um grande valor moçambicano.

Como é conhecido, o nome de código de Eusébio usado nas negociações que culminaram quando ele viajou de Lourenço Marques para ingressar no Benfica em Lisboa, onde chegou na noite de 16 de Dezembro de 1960, era Rute (ou Ruth) Malosso.

Mas Rute Malosso não era apenas um nome de código.

Havia de facto uma Rute Malosso em Lourenço Marques em 1960.

Rute Malosso era na altura uma jovem filha de Conceição Malosso, casada com Albertino do Vale Malosso, único irmão de Arlindo do Vale Malosso, que vivia em Moçambique desde os anos 20.

O irmão de Albertino, Arlindo do Vale Malosso, era um português mas que tinha cidadania norte-americana. Trabalhava como comissário de bordo de um navio que fazia carreira entre Cuba e os Estados Unidos. O seu pai era italiano (o apelido Malosso origina no Norte da península italiana) e foi chefe dos rebitadores que trabalharam na construção da Torre Eiffel em Paris, inaugurada aquando da realização da Exposição Universal naquela cidade em 1889 (e em que o use dos rebites foi uma inovação tecnológica importante). Mais tarde trabalhou na Ponte Dom Luiz na Cidade do Porto.

Em Portugal, o Pai de Arlindo casou com uma senhora portuguesa, de Tomar, de apelido Vale.

Anos mais tarde, numa viagem em redor de África, no início dos anos 1920, o navio onde Arlindo se encontrava a trabalhar teve uma avaria grave e teve que parar em Lourenço Marques para reparações durante algum tempo. Arlindo era cortador de carnes e arranjou logo emprego num talho de Manuel Cretikos, pai de Jorge Cretikos, uma família de origem grega que tinha vários negócios em Lourenço Marques. Eventualmente, Malosso radicou-se em Moçambique e envolveu-se em vários negócios, entre eles uma rede de talhos em Lourenço Marques.

Pouco depois da sua chegada a Moçambique, Arlindo mandou vir a sua mulher de Portugal e também convidou o seu irmão Albertino (pai de Rute Malosso) que vivia em Portugal, para se juntar a ele em Lourenço Marques, como talhante.

Qual a ligação entre Rute Malosso e a saga do mais famoso desportista moçambicano de todos os tempos?

Quem usou o nome de Rute Malosso aquando da transferência de Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica em Lisboa foi Mário Tavares de Melo, que conhecia Rute e era amigo de Albertino Malosso, pois ambos eram talhantes (cortavam carne num talho em Lourenço Marques, situado no Bazar de Lourenço Marques) e eram adeptos ferrenhos do Benfica na capital da então província portuguesa, onde o jovem Eusébio nascera, filho de um angolano branco de Lubango, Angola, e de uma bonita jovem moçambicana de Xipamanine, Elisa. O pai morreu antes de Eusébio completar sete anos de idade.

No final dos anos 50, o talento do jovem moçambicano, que vinha na senda de enormes talentos futebolísticos já surgidos do futebol moçambicano (Mário Coluna era o pilar do Benfica na altura, por exemplo) já despontara o interesse e pouco antes do seu ingresso no Benfica Bella Gutman, o lendário e mercurial treinador do clube português, voou até Lourenço Marques para observar o jovem talento. Gutman ficou impressionado.

Mário Tavares de Melo foi um dos elementos chave no complexo processo negocial em que Eusébio, que na altura era jogador do Sporting de Lourenço Marques, e que era menor (logo não tinha capacidade jurídica para assinar contratos), acaba, essencialmente por decisão da sua Mãe Elisa, por assinar um compromisso com o Benfica, compromisso esse consubstanciado com o seu registo, dias mais tarde, na Federação Portuguesa de Futebol, como jogador desse clube.

Nas negociações, que envolveram telegramas e telefonemas entre a capital moçambicana e a capital portuguesa, feitos em “aberto” (ou seja, podiam ser escutados e lidos pelos operadores da companhia telefónica em Lourenço Marques e em Lisboa) Mário usava o nome de Rute Malosso para se referir a Eusébio.

Rute Malosso ainda é viva (e saudável), está reformada e hoje reside em Queluz de Baixo, Portugal. Tem dois filhos e uma filha. Apesar de, como era costume na altura, as mulheres tipicamente adoptarem os nomes dos maridos quando se casavam, Rute, que casou com Joaquim Oliveira, manteve até hoje o seu apelido de nascimento – Malosso. Durante muitos anos, trabalhou para o Grupo Pestana.

Não tenho registo de alguma vez Rute Malosso e Eusébio se terem conhecido.

Junho 13, 2013

HOMENAGEM DO SPORTING DE LOURENÇO MARQUES A BOTELHO DE MELO, 1968

Grato à Guida e Sérgio Vilarinho, que tinham este recorte guardado em casa e se deram ao incómodo de o digitalizarem e enviarem.

 

O recorte noticiando o jantar de homenagem a Manuel Inácio Botelho de Melo

O recorte noticiando o jantar de homenagem a Manuel Inácio Botelho de Melo, que durante uma época treinou o Sporting de Lourenço Marques, no que foi sucedido por Mário Ramalho.

Julho 16, 2012

EQUIPA DE FUTEBOL DO LIMPOPO, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, Equipa do Limpopo, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 11:34 pm

Fotografia de Luciano Fraga, restaurada, do grupo Photos e Videos from Limpopo no Facebook.

 

Uma equipa de futebol do Limpopo, falta o nome da equipa, o ano e os nomes dos campeões. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5 e P6. De joelhos: J1, J2, J3 , J4 e J5. Quem souber alguns detalhes, por favor escreva uma nota para aqui.

Junho 28, 2012

JOSÉ REIS E CELSO CORREIA, CAMPEÕES DE BADMINTON, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, BADMINTON, Celso Moreira, José Reis — ABM @ 4:29 pm

Fotografia da colecção de José Reis e Regina Veloso Reis.

José Reis com o Celso Moreira no campo de badminton.

A INAUGURAÇÃO DOS CAMPOS DE TÉNIS DO FERROVIÁRIO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia da colecção de Fernanda Simões, neta de Henrique Rodrigues por parte da mãe, restaurada. Para ver no tamanho original, prima na imagem em baixo.

A inauguração dos campos de ténis do Clube Ferroviário, na baixa junto das Fábricas Reunidas, anos 1960. A inaugurar está Henrique Rodrigues, avô materno da Fernanda. Como passei muito tempo aqui dado que era onde o pai Melo jogava ténis aos sábados, conheço muitas das caras aqui presentes mas não sei os nomes. Mas à esquerda parece-me ser o Eduardo Paixão, escritor e que foi presidente do Desportivo. Se alguém conhecer alguém, por favor escreve uma nota para aqui. Deixo a grelha da fotografia. Da esquerda: Eduardo Paixão, P1, P2, P3, P4, P5, P6 (escondido atrás de Henrique Rodrigues), Henrique Rodrigues, P7. P8, P9, P10(escondido atrás de P9) e P11.

Maio 21, 2012

JUNE FITZ-PATRICK, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, EQUITAÇÃO, June Fitz-Patrick — ABM @ 12:14 pm

Fotografia gentilmente cedida por Alan Fitz-Patrick, filho de June Fitz-Patrick.

June Fitz-Patrick. Praticava equitação em Lourenço Marques.

Maio 20, 2012

JUNE FITZ-PATRICK, MARIA FERNANDES, TOMÁS SANTOS GIL, DOMINGOS FRIAS E O CENTRO HÍPICO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografias gentilmente enviadas por Alan Fitz-Patrick, filho de June.

Para ver as fotografias em tamanho máximo, por favor prima nas imagens duas vezes com o rato do seu computador.

A equipa de equitação de Moçambique num desfile na África do Sul ou na Rodésia, cerca de 1968. Da esquerda: Maria Fernandes montando o Altivo, Tomás Santos Gil no Pickwik, June Fitz-Patrick e Domingos Frias montando o Pegasus. Grato aos amigos e leitores que em menos de duas horas enviaram os nomes que faltavam(!).

 

June Fitz-Patrick durante um salto.

Maio 8, 2012

O SPORT CLUBE DA MAXAQUENE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Imagem e comentário gentilmente enviados pelo José Gonçalves.

 

Diz o José na nota que acompanhava esta imagem: ” no inicio dos anos sessenta não existia o futsal como hoje se pratica. Na altura (e, pelo menos, até aos anos oitenta, embora chegassem a coexistir) tínhamos o seu antecessor, o “futebol de salão”. E, nessa altura ainda não se organizavam torneios ou campeonatos, até porque os praticantes e as consequentes equipas eram “insuficientes”. Jogávamos entre nós, equipas de amigos. A malta (que tu conheces bem) que está identificada na foto formava uma das primeiras equipas de LM, jogando, normalmente, no velhinho campo dos Maristas. Para dar um ar mais “sério” à coisa meti-me a “fabricar” meia dúzia de emblemas – dos quais este (carinhosamente guardado pela minha mãe) será o único “sobrevivente”.”

Abril 17, 2012

VASCO PEGADO, FUTEBOLISTA E CAMPEÃO

Filed under: 1950 anos, 1960 anos, FUTEBOL MOÇAMBIQUE, Vasco Pegado — ABM @ 11:39 pm

Nasceu em Lourenço Marques em 1931. Jogou no Benfica e foi duas vezes Campeão Nacional e venceu também por duas vezes a Taça de Portugal. Depois foi viver para a África do Sul, onde permanece. Aqui, num recorte do sul-africano S.A. Soccer Monthly de Outubro de 1963, nos tempos em que pelos vistos jogou pelo Highland Park.

Março 23, 2012

SERTÓRIO SILVEIRA: UMA NOTA SOBRE O PROFESSOR RUI BAPTISTA

Sertório Silveira reflecte sobre o Prof. Rui Baptista, em baixo.

A propósito de uma longa entrevista que fiz ao Dr. Rui Baptista (RB), que o Tomané transcreveu aqui no blogue “The Delagoa Bay”, cumpre-me tecer alguns considerandos a respeito da si por poderem não ser do conhecimento da generalidade dos leitores.

Tive o privilégio de o conhecer e tornar-me seu amigo ao longo dos anos.

Em minha opinião, RB foi uma das figuras mais carismáticas do Desporto moçambicano, quer como professor, quer como dirigente desportivo, quer, ainda, como comunicador dos ideais que sempre defendeu com marcante empenho e superior conhecimento de causa, seja através de escritos jornalísticos, de conferências, seja, ainda, como praticante de pesos e halteres (Culturismo) em que se sagrou campeão de Moçambique, na categoria de médios.

Por esse facto, ter eu ficado chocado e até revoltado com a sua não nomeação para presidente do Conselho Provincial de Educação Física (CPEF) depois de ter a sua nomeação sido assinada pelo ministro do Ultramar Silva Cunha (faltando apenas ter o visto do Tribunal de Contas, aliás uma questão de escassos dias).

Acresce que a sua nomeação chegou a ser noticiada pelo jornal publicado na cidade da Beira: “Vai ser nomeado presidente do Conselho Provincial de Educação Física de Moçambique Rui ‘Vares’ Baptista”. Assim, tal e qual com a troca de Vasco, seu segundo nome próprio, por “Vares”. Em seu lugar foi nomeado Noronha Feio, vindo da então Metrópole, a quem o Desporto de Moçambique nada de nada devia. Sendo RB à data Inspector de Educação Física Escolar da Mocidade Portuguesa pediu a sua exoneração, tendo recebido um louvor no Boletim Oficial de Moçambique.

Chegou RB a Lourenço Marques em 1957 – depois de formado pelo INEF e ter cumprido o serviço militar como aspirante, alferes e tenente miliciano em Tomar – contratado como professor de Educação Física da “Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque”, tendo desenvolvido, para além dessa docência, um notável acção no desporto local e uma intensa actividade no campo da Ginástica Correctiva com pacientes de Lourenço Marques, alguns deles deslocando-se à África do Sul, a fim de serem consultados pelo mais famoso cirurgião ortopedista, o Dr. David Roux, que indicava o seu nome para os serviços de reabilitação necessários.

No ano a seguir à sua chegada à cidade do Índico (1958) foi convidado para preparador físico dos nadadores laurentinos que se deslocariam à Metrópole para disputarem os Campeonatos Nacionais da modalidade. Em representação do CPEF, foi nomeado chefe da respectiva Embaixada, embora não pertencesse aos quadros do CPEF, mas sim o seu colega Igeménio Tadeu.

Desde sempre, apaixonado pela sua dama, a Educação Física, foi dirigente desportivo e preparador físico de várias modalidades desportivas (basquete, futebol, hóquei em patins, etc.) tendo desenvolvido paralelamente uma acção constante na preparação de várias classes de ginástica do Clube Ferroviário.

Entretanto, teve, também, uma acção importante no campo literário, através da publicação de vários livros no âmbito, por exemplo, dos Pesos e Halteres e da Educação Física como ciência ao serviço da saúde pública. Desempenhou a função de presidente da Secção de Ciências da Sociedade de Estudos de Moçambique, onde proferiu duas conferências no âmbito da Educação Física, tendo entrado, assim, o Desporto e a Educação Física pela porta grande dessa notável instituição cultural e científica.

Em 1975 fez parte do grande contingente de Portugueses que se viram coagidos a deixar Moçambique, onde tinha fixado residência. Foi colocado em Coimbra, como professor efectivo de Educação Física do Liceu D. João III (anos depois, Escola Secundária José Falcão). Foi também docente do ISEF da Universidade do Porto e docente da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra. Na cidade das margens do Mondego continuou a desenvolver uma intensa actividade com artigos de revistas da especialidade, a efectuar conferências e palestras, por exemplo, nos Rotários e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, a escrever livros e a publicar artigos de opinião nos jornais “Diário de Coimbra”, “Correio da Manhã”, “O Primeiro de Janeiro” e o “Público”. É co-autor do blogue De Rerum Natura, de há tempos para cá. Também em Coimbra desenvolveu uma intensa actividade no campo da Reabilitação Física (de que fora professor no ISEF do Porto) tendo assinado convenções com diversos organismos públicos.

Quase a terminar, e volvendo a um saudoso passado das margens do Índico, como escrevi no início, conheci este Professor, em Lourenço Marques, tendo tido o grato prazer de entrevistá-lo para o jornal “Diário de Lourenço Marques”, a propósito de uma série de entrevistas, “O desporto nas Escolas”, com a participação de uma dúzia de personalidades ligada ao desporto, na sua maioria professores de Educação Física. Desde essa altura, ficámos amigos para todo o sempre, merecendo-me o maior respeito e consideração pela sua humildade, cultura e simpatia, para além do seu incontestado valor profissional, muito lamentando, como tal, a gritante injustiça de não ter sido nomeado, à última hora, presidente do CPEF (quando tudo estava encaminhado nesse sentido) por ele ter sido a personalidade mais bem posicionada para o desempenho desse elevado cargo, sobejamente demonstrado através da sua extrema dedicação ao Desporto Moçambicano.

Sertório da Silveira

Março 14, 2012

FALECEU FERNANDO SANTOS, ANTIGO JOGADOR DE HÓQUEI DO DESPORTIVO

Fernando Santos de pé, ao centro, no campo do Desportivo, cujas cores envergou.

Faleceu em Vila do Conde no dia 2 de Março de 2012 Fernando Santos, que foi atleta no hóquei do Desportivo, pai do Jorge e da Gaby Santos, que são das minhas relações pessoais.

À família, em especial ao Jorge e à Gaby, as minhas sinceras condolências.

Em baixo, duas fotografias dos tempos de jovem de Fernando Santos no Desportivo.

Uma equipa de hóquei no tempo em que Fernando Santos jogou pelo Desportivo (2º da esquerda, de joelhos, à direita do Eurico Monteiro. O último em baixo à direita é Garradas Domingues. De pé e o último da direita é Fernando Adrião.

Fernando Santos, à direita, de pé, no campo de hóquei em patins do Desportivo em Lourenço Marques.

FALECEU FERNANDO NATIVIDADE, ANTIGO CORREDOR DE AUTOMÓVEL

Fernando Natividade, de farda, nas escadas de acesso ao DC10 que a LAM utilizou durante algum tempo. Foto cortesia do blogue Voando em Moçambique e Luisa Hinga.

Chegou uma nota indicando que Fernando Gomes Costa Natividade, que foi um conhecido corredor de automóveis em Moçambique nos anos 1960 e 1970, faleceu esta manhã no Hospital da Luz em Lisboa, após doença prolongada.

Competiu em Moçambique com um Cooper S.

Em 1969, Fernando Natividade competiu nos autódromos de Lourenço Marques (3 Horas de LM, 5 Dez, 1969) e de Kyalami, perto de Joanesburgo.

Foi também instrutor de mergulho e Presidente do Aeroclube.

Fez também pára-quedismo. Citando um seu contemporâneo, “o seu primeiro salto foi em queda livre, façanha essa que [até então] ninguém tinha feito em Moçambique.”

O semanário moçambicano Savana, que se publica em Maputo, fez a seguinte referência na sua edição de 16 de Março de 2012:

“Entre os que nos deixaram esta semana figura o piloto de aviação Fernando Natividade, também candidato a piloto de Fórmula 1 nos tempos. No seu notável CV, uma longa prisão às mãos do SNASP por crime que nunca chegou a saber qual era. O seu processo desapareceu misteriosamente. Como muitos outros…”

Fernando Natividade foi Comandante de Linha Aérea durante muitos anos.

Apresentam-se aqui as condolências aos seus familiares e amigos.

Março 10, 2012

MÁRIO COLUNA: RADIOGRAFIA DE UMA ESTRELA, PELA FIFA

O lendário Bobby Carlton cumprimenta o Sr. Mário Coluna num jogo no Estádio de Wembley entre o Benfica e o Manchester United, 29 de Maio de 1968, a 5ª final da Liga dos Campeões Europeus segundo o meu amigo Jorge Figueiredo. O Manchester United venceu esta partida por 4 a 1.

Excelente texto copiado do sítio da Fifa, ligeiramente editado.

Dados de Base

Nome: Mário Esteves Coluna
Data de nascimento: 6 de agosto de 1935
Local: Inhaca, Maputo (Moçambique)
Posição: médio
Clubes: Grupo Desportivo Lourenço Marques (1951-54), Benfica (1954-1970), Olympique Lyon (1970-71), Estrela de Portalegre (treinador-jogador, 1971/72)

Presença na Seleção Portuguesa: 57 jogos (oito golos)

Palmarés
Jogador:
– Dez Campeonatos Portugueses (1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68 e 1968/69)
– Seis Taças de Portugal (1954/55, 1956/57, 1958/59, 1961/62, 1963/64 e 1968/69)
– Duas Copa dos Campeões da UEFA (1960/61 and 1961/62)
– 3º lugar na Copa do Mundo da FIFA 1966

Outros

– Além do futebol, Mário Coluna foi praticante de boxe, basquetebol e atletismo, tendo sido recordista nacional de salto em altura, com uma marca de 1,82 metros
-Regressou a Moçambique, onde foi Ministro do Desporto e presidente da Federação Moçambicana de Futebol
– Foi o primeiro treinador de Rui Costa no Benfica, antes de o médio se tornar uma das grandes estrelas do futebol português
– Depois de uma passagem mal sucedida por França, acabou a carreira como jogador-treinador no Estrela de Portalegre, em 1971/72

Esboço biográfico

O Alto-Maé tem algo de especial. Foi nesse bairro de Lourenço Marques, actual Maputo, a capital de Moçambique, que nasceram grandes nomes do futebol como Matateu, Vicente e Hilário e também foi aí que cresceu um jovem chamado Mário Esteves Coluna, que se viria a tornar num dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos.

Filho de pai português e mãe moçambicana, o jovem Mário não demorou a mostrar grandes capacidades físicas e queda para o desporto. Em pequeno, era perito a trepar árvores para apanhar manga ou cajú e, por isso, ouvia muitas reprimendas do pai, antigo guarda-redes e um dos fundadores do Grupo Desportivo Lourenço Marques.

E foi no Desportivo que Coluna abraçou o desporto. No basquetebol não passou da equipa de reservas, mas surpreendeu no atletismo, tornando-se recordista nacional do salto em altura.

Porém, a glória estava guardada para dentro das quatro linhas, para um avançado que, ainda adolescente, chamou a atenção dos três grandes clubes portugueses.

Tinha sido impedido de jogar pelo Desportivo numa digressão à África do Sul, por causa das leis do apartheid, mas no duelo da segunda mão, em casa, vingou-se e marcou os sete golos da vitória da sua equipa. Nada mau para um miúdo de 17 anos. Tão bom que recebeu, pouco depois, uma proposta do Futebol Clube do Porto, seguindo-se o Sporting, que dobrou o valor da oferta. Mas a vontade do pai e o facto do Desportivo ser uma filial do Benfica, traçaram-lhe o destino. E que destino…

Em 1954, com 19 anos, chega a Lisboa depois de uma incrível viagem de avião que durou qualquer coisa como 34 horas e que o levou até ao Lar do Jogador do Benfica, onde ficavam a viver os jogadores que não tinham casa própria. Coluna não gostou e os primeiros tempos não foram fáceis.

Tinha chegado com rótulo de estrela, mas ainda demorou um pouco a convencer o então técnico do Benfica, Otto Glória. Afinal, para a posição de ponta-de-lança já existia José Águas, mas o treinador brasileiro viu mais longe. Percebeu as qualidades de passe e a forte presença em campo do jovem e apostou que Coluna poderia vir a ser um grande médio. Aposta mais que ganha.

A estreia com a camisola encarnada aconteceu num amigável com o Futebol Clube do Porto e, no primeiro jogo oficial para o campeonato português, o ainda adolescente mostrou para o que vinha. Marcou dois golos na goleada (5-0) contra o Setúbal, os primeiros de muitos que viria a assinar durante as 16 épocas consecutivas que representou a equipa lisboeta, pela qual fez 677 jogos e marcou 150 golos oficiais.

E se os números não dizem tudo, os títulos mostram bem o que Coluna conseguiu no Benfica.

Até 1954/55, o Sporting dominava o futebol português, mas nas 16 épocas que se seguiram o Benfica somou nada mais nada menos do que dez títulos nacionais e seis Taças de Portugal, além de atingir a glória europeia, com Coluna a marcar um dos golos na conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, em 1960/61, frente ao Barcelona.

Quando, no final de 1960, chegou a Lisboa mais um jovem vindo de Moçambique, já Coluna era uma das grandes figuras do Benfica campeão europeu. Esse jovem também era natural de Lourenço Marques e dava pelo nome de Eusébio da Silva Ferreira. Chegou à capital portuguesa jovem, tímido e com uma carta no bolso para entregar a Coluna.

Afinal, as famílias de Coluna e Eusébio conheciam-se de Lourenço Marques e a mãe do Pantera Negra, preocupada com o bem-estar do filho em Lisboa, escreveu a Coluna a pedir que olhasse pelo jovem Eusébio. Foi o que fez aquele que, até hoje, se considera o “padrinho” de uma dos maiores avançados de todos os tempos do futebol mundial.

Levou Eusébio a abrir a primeira conta num banco e, todos os meses, tratava das suas finanças até que o adolescente se tornou adulto e constituiu família. Juntos, dentro do campo, ajudaram o Benfica a conquistar o segundo título de campeão europeu.

Em 1961/62, a final da Taça dos Campeões Europeus colocou frente-a-frente o Benfica e o Real Madrid. Os espanhóis chegaram ao intervalo a vencer por 3-2, com três golos de Puskás, mas a reviravolta na segunda parte começou com um golo de Coluna, cabendo a Eusébio fazer o resto.

Aos 17 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou uma grande penalidade a favor do Benfica e Coluna preparava-se para cobrar o castigo máximo quando ouviu a voz tímida de Eusébio: “Senhor Coluna, posso marcar o penálti?”. Assim mesmo, com a reverência do título de senhor, Coluna acedeu ao pedido e o Pantera Negra fez o 4-3, antes de bisar e fixar o resultado final em 5-3.

E no final desse jogo em Amesterdão, o jovem Eusébio tinha mais um favor a pedir ao “senhor Coluna”. Tímido, não teve coragem de pedir a camisola do seu grande ídolo Alfredo Dí Stefano e foi Coluna que se dirigiu ao hispano-argentino para pedir a camisola do Real Madrid que Eusébio guardou nos calções durante os festejos e que considera, até hoje, como um dos maiores troféus que conquistou no futebol.

Foi da base do Benfica bicampeão europeu – e que perdeu as três finais seguintes, sempre com Coluna como capitão – que se construiu a seleção portuguesa que viria a brilhar na Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1966. Germano era o capitão da equipa, mas como não era titular, a braçadeira foi entregue a Coluna que, em terras de Sua Majestade, mostrou a classe do costume no centro do terreno, ajudou Eusébio a sagrar-se o artilheiro da competição e levou Portugal ao terceiro lugar do Mundial, feito que ainda é, até hoje, o melhor da seleção das Quinas em Copas do Mundo.

Depois da epopeia inglesa, Coluna voltou para mais três épocas no Benfica, do qual se despediu em 1969/70 partindo para um ano ao serviço do Lyon. O regresso ao Estádio da Luz aconteceu em dezembro de 1970 para um jogo de homenagem frente a uma seleção mundial onde estavam nomes como Johan Cruyff e Bobby Moore, entre muitas outras vedetas. Alinhou 15 minutos com a camisola encarnada, saindo debaixo de uma enorme ovação. Estava previsto jogar alguns minutos pela outra equipa, mas recusou-se. Afinal, não conseguia defrontar o clube do coração.

Já era o Monstro Sagrado dos benfiquistas, o Didi Europeu como lhe chamavam os jornalistas brasileiros, ou, simplesmente, o Senhor Coluna como lhe chamava Eusébio.

(fim)

Fevereiro 19, 2012

OS NADADORES DE MOÇAMBIQUE NUM ALMOÇO, ANOS 1960

Fotografia da Lucília Vieira, restaurada.

 

As tropas aquáticas nos anos 1960. Da esquerda: Júlio Ribeiro, Anabela Gouveia, Ana Paula Pinto, Cló Botelho de Melo, Carlos Oliveira, Dulce Gouveia, Victor Cerqueira, Lucília Vieira, João Rocha, Susana Abreu, António Sacadura, Lídia Gouveia, José Cabanelas e Alice Aleixo.

Janeiro 31, 2012

PEDRO FONSECA, ADVOGADO E EX-NADADOR DO DESPORTIVO NOS ANOS 1960, FALECEU

Filed under: 1960 anos, NATAÇÃO DE MOÇAMBIQUE, Pedro Fonseca + — ABM @ 1:38 pm

Num recente convívio. Da esquerda: Pedro Fonseca, Maria de Lurdes Costa Dias, São Mestre Passos Mealha, Luis Viegas Nunes, Luis Bulha e Maria João Couceiro.

Foto de Carlos Sousa (na foto, à direita) tirada no Café Galito em Lourenço Marques já nos anos 70, com um grupo de amigos em que algures está o Pedro Fonseca (não consegui identificar).

Recebemos notícia do falecimento hoje de Pedro Fonseca, que foi nadador no Grupo Desportivo Lourenço Marques no início dos anos 1960.

Pedro Fonseca era advogado e residia na área de Lisboa.

À sua família, apresentamos as nossas condolências.

O FUNERAL REALIZA-SE  EM LISBOA NA QUINTA-FEIRA, DIA 2 DE FEVEREIRO DE 2012,  COM MISSA A REALIZAR NA IGREJA DE SÃO JOÃO DE BRITO ÀS 16 HORAS E IDA ÀS 16:30 HORAS PARA O CEMITÉRIO DO ALTO DE SÃO JOÃO EM LISBOA.

Janeiro 29, 2012

MARGARIDA MIRANDA, ANA GRÁCIO, VICTOR E JOSÉ MIRANDA NO GINÁSIO CLUBE DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto de Margarida Miranda, gentilmente cedida.

 

Da esquerda: Margarida Miranda, Ana Maria Grácio, Victor (primo da Ana) e o José Miranda, irmão da Margarida.

Janeiro 25, 2012

EUSÉBIO FAZ 70 ANOS DE IDADE HOJE: ENCORE

1966, o ano em que o nome de Eusébio catapultou para a cena mundial. Aqui, durante o Campeonato do Mundo na Grâ-Bretanha, o Rei está a ser analisado pelo médico da equipa nacional portuguesa, Silva Rocha.

Janeiro 18, 2012

BOTELHO DE MELO NA ASSEMBLEIA GERAL DO GRUPO DESPORTIVO DE BOANE, 1960

Foto muito gentilmente enviada por Henrique Santos e que restaurei cuidadosamente.

O meu pai chegou a Moçambique, que já conhecia, em meados de 1958, tendo primeiro residido cerca de dois anos em Boane. Já em Boane, a minha mãe deu à luz em 20 de Setembro de 1958 o meu irmão Fernando, o 6º filho. No final de Janeiro de 1960, nasci eu, em Lourenço Marques. Mas os meus pais ainda estavam a residir em Boane.

Boane é uma pequena vila situada a cerca de 30 quilómetros de Maputo, do outro lado de um fértil vale junto do qual passa o rio Umbelúzi a caminho da Baía. Junto da vila situa-se ainda um quartel militar, onde, até à Independência, se fazia a recruta militar.

A Assembleia Geral do Grupo Desportivo de Boane, 1960. Da esquerda: S1, S2, S3 e Manuel Inácio Botelho de Melo (o meu pai). Segundo o Henrique, o meu pai estava aqui como vice-Presidente da AG. Quem souber quem são os outros colegas, por favor envie uma nota para aqui. Para ver a foto em tamanho gigante, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

Janeiro 9, 2012

A SELECÇÃO DE BASQUET DAS ESCOLAS INDUSTRIAL E COMERCIAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

A Selecção de basquet das Escolas Industrial e Comercial de Lourenço Marques. De pé, da esquerda: V. Agostinho, Bramão, Nelson Serra, Cató (Treinador), Vitor Morgado e Paulo de Carvalho. De joelhos: Carlos Pinto, Bicos, Marcelo de Sá, Calrão e J. Baronet.

FERNANDO ADRIÃO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, Fernando Adrião, HÓQUEI MOÇAMBIQUE, Jorge Pauleta — ABM @ 3:17 pm

Fotografia de Carlos Barros no grupo Naturais de Lourenço Marques.

Fernando Adrião cumprimenta o jovem Carlos Barros no campo. Por cima da cabeça de Adrião, Jorge Pauleta. Se conhecer mais pessoas na imagem, envie uma nota para aqui.

Janeiro 7, 2012

MANUEL VALENTE BORREGO, PROFESSOR NA ESCOLA INDUSTRIAL, CAMPEÃO DE ESGRIMA E ATLETA OLÍMPICO

O cartaz oficial dos Jogos Olímpicos de Roma, 1960.

ao ver esta fotografia da equipa de esgrima da Associação dos Velhos Colonos de Moçambique, o meu caro Abel Lameiras, pelo Facebook, enviou-me uma preciosa nota referindo que “o mestre de oficinas de serralharia da Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque (EIMA), Manuel Valente Borrego, foi instrutor de esgrima na Beira e em Lourenço Marques. Valente Borrego fez parte da equipa de esgrima olimpica de Portugal.”

Não sabia nada sobre este assunto. E ainda que tecnicamente não seja sobre desporto de Moçambique, creio que tem interesse explorar um pouco este tópico.

O Prof. Manuel Valente Borrego numa jantarada do EIMA na Parede em 2005. Foto raptada pelo Abel Lameiras do sítio dos veteranos do EIMA.

Fui procurar alguma informação e encontrei o seguinte:

1. Numa listagem do pessoal docente da Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques, 1969, aparecem os seguintes nomes na Oficina de Serralharia: “Mestre José Mendes, Contramestres António Gabriel Ribeiro e Manuel Valente Borrego”.

Lista 1 de 2. O corpo docente da Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques, 1969.

Lista 2 de 2. Aqui se pode ver o nome do Prof. Manuel Valente Borrego, para além do nosso querido Prof. Rui Baptista e o Eng. Tomás Gouveia, pai da grande Dulce Gouveia.

2. Numa listagem dos títulos ganhos por atletas do Sporting Clube de Portugal, aparece a seguinte informação:

Campeonato Nacional, sabre, individual (3 títulos)
1958 – Manuel Valente Borrego
Campeonato Nacional, espada, individual (1 título)
1957 – Manuel Valente Borrego
Campeonato Nacional, florete, individual (2 títulos)
1957 – Manuel Valente Borrego
1958 – Manuel Valente Borrego
Campeonato Nacional, florete, equipas (2 títulos)
1957 – Manuel Valente Borrego, Santos Silva e Luís Ferreira
1958 – Manuel Valente Borrego, Santos Silva e Luís Ferreira

Recorte do jornal lisboeta "República", 16 de Abril de 1958.

3. Num sítio sobre atletas do Sporting de Portugal, aparece a seguinte informação:

Nome – Manuel Valente Borrego
Data de nascimento – 2 de Dezembro de 1934
Naturalidade – Aldeia do Bispo, Penamacor – Portugal
Posição – Esgrima
Nota – representou Portugal na modalidade de Esgrima, nos Jogos Olímpicos de 1960, realizados em Roma.

4. Quanto à sua participação nos Jogos Olímpicos de 1960, a participação portuguesa em esgrima está devidamente registada aqui, com referência ao Prof. Borrego e ainda à grande Regina Veloso, que foi uma figura incontornável do Desportivo.

Se alguém tiver dados ou fotografias do Prof. Borrego ou o contacto de algum familiar, agradecia que enviasse uma nota para aqui. Gostava muito de deixar registado nesta Casa mais informações sobre este campeão e atleta olímpico do esgrima que viveu muitos anos em Moçambique.

Manuel Valente Borrego foi também (do que li no seu grupo dos veteranos) um dos professores de trabalhos manuais mais apreciados no Externato Marques Agostinho em Lourenço Marques.

Curiosa e lamentavelmente, não há nenhum registo sobre ele nos sítios das duas federações portuguesas de esgrima, nem no sítio do Comité Olímpico Português, nem tão pouco no sítio da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal. O sítio do Sporting Club de Portugal tem alguns dados, mas apenas o essencial.

Sobre isto apenas tenho um comentário: triste é o país que trata assim a memória dos seus campeões.

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