THE DELAGOA BAY COMPANY

Janeiro 7, 2017

O Delagoa Bay Company em 2017

Depois de um intervalo, e de um curto periodo em que esteve “fechado”, o The Delagoa Bay Company volta em 2017, de novo acessível a todos os que se derem à maçada de o ler. Aqui quase nada de novo, tudo mais ou menos na mesma, desde a sua abertura em 2010. Mais umas fotos, mais umas conversas ao desafio. À meia dúzia de apreciadores, saudações. Este ano há mais.

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Jovens sentadas na pista de atletismo do Estádio Salazar em Lourenço Marques, durante o Festival da Juventude, que assinala o encerramento do ano escolar em Moçambique, Junho de 1971. Foto gentilmente cedida pelo PPT.

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Maio 24, 2016

CADEIRA DA PISCINA DA ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS COLONOS DE MOÇAMBIQUE, 2015

Encontrei-a nos arredores de Maputo.

 

Cadeira dos Velhos Colonos.  A precisar de uma pintura.

Cadeira dos Velhos Colonos. A precisar de uma pintura.

Fevereiro 29, 2016

FALECEU MANUEL DA MATA, TREINADOR DO DESPORTIVO E FERROVIÁRIO DE LOURENÇO MARQUES

Faleceu hoje, 29 de Fevereiro de 2016,  em Portugal, o Sr. Manuel da Mata, que foi treinador de natação no Grupo Desportivo Lourenço Marques e o primeiro treinador do Clube Ferroviário de Moçambique, tendo inaugurado a piscina daquele clube na Baixa junto ao campo de futebol do Ferroviário em 1968.

Manuel da Mata deixa dois filhos, Victor e Guida. A sua mulher, Odete, faleceu em Novembro de 2011.

Manuel da Mata foi durante alguns anos treinador de Escolas no Grupo Desportivo Lourenço Marques, na actual Maputo. Sendo funcionário da grande família ferroviária de Moçambique, foi a escolha natural para liderar a natação do Ferroviário quando o Clube decidiu construir uma piscina e competir na natação. Das suas mãos saíram grandes nadadores de Moçambique. Após a Independência de Moçambique, Manuel da Mata juntou-se a Eurico Perdigão, treinador do Desportivo, tendo ambos continuado o trabalho na natação no Sport Algés e Dafundo, um histórico clube de de natação situado junto à margem norte da Cidade de Lisboa, no subúrbio de Algés, e por quem passaram também grandes gerações de nadadores portugueses.

 

Manuel da Mata ao Centro, com jovens nadadores do Desportivo LM, anos 60.

Manuel da Mata ao centro, com jovens nadadores do Desportivo LM, anos 60.

À Família Mata, apresento as mais sinceras condolências. Manuel da Mata foi o meu primeiro treinador de natação. Também.

Janeiro 5, 2014

EUSÉBIO E RUTE MALOSSO EM LOURENÇO MARQUES, 1960: UMA EVOCAÇÃO

Filed under: 1960 anos, 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira — ABM @ 5:29 pm
A jovem estrela no arranque do seu percurso.

A jovem estrela no arranque do seu percurso.

Já se contaram inúmeras histórias e episódios em redor do Grande Eusébio, que faleceu hoje em Lisboa, cerca de três semanas antes de completar 72 anos de idade.

Mas não esta pequena história, que aqui elenco, em singela homenagem ao superlativo atleta de Moçambique, que inspirou e maravilhou gerações de amantes do futebol em todo o mundo, entre eles o meu Pai, que, vindo dos Açores e de Macau, decidiu ir viver para Lourenço Marques em 1958, e que assistiu ao vivo a todo o percurso de Eusébio, que em nossa casa sempre foi visto como um grande valor moçambicano.

Como é conhecido, o nome de código de Eusébio usado nas negociações que culminaram quando ele viajou de Lourenço Marques para ingressar no Benfica em Lisboa, onde chegou na noite de 16 de Dezembro de 1960, era Rute (ou Ruth) Malosso.

Mas Rute Malosso não era apenas um nome de código.

Havia de facto uma Rute Malosso em Lourenço Marques em 1960.

Rute Malosso era na altura uma jovem filha de Conceição Malosso, casada com Albertino do Vale Malosso, único irmão de Arlindo do Vale Malosso, que vivia em Moçambique desde os anos 20.

O irmão de Albertino, Arlindo do Vale Malosso, era um português mas que tinha cidadania norte-americana. Trabalhava como comissário de bordo de um navio que fazia carreira entre Cuba e os Estados Unidos. O seu pai era italiano (o apelido Malosso origina no Norte da península italiana) e foi chefe dos rebitadores que trabalharam na construção da Torre Eiffel em Paris, inaugurada aquando da realização da Exposição Universal naquela cidade em 1889 (e em que o use dos rebites foi uma inovação tecnológica importante). Mais tarde trabalhou na Ponte Dom Luiz na Cidade do Porto.

Em Portugal, o Pai de Arlindo casou com uma senhora portuguesa, de Tomar, de apelido Vale.

Anos mais tarde, numa viagem em redor de África, no início dos anos 1920, o navio onde Arlindo se encontrava a trabalhar teve uma avaria grave e teve que parar em Lourenço Marques para reparações durante algum tempo. Arlindo era cortador de carnes e arranjou logo emprego num talho de Manuel Cretikos, pai de Jorge Cretikos, uma família de origem grega que tinha vários negócios em Lourenço Marques. Eventualmente, Malosso radicou-se em Moçambique e envolveu-se em vários negócios, entre eles uma rede de talhos em Lourenço Marques.

Pouco depois da sua chegada a Moçambique, Arlindo mandou vir a sua mulher de Portugal e também convidou o seu irmão Albertino (pai de Rute Malosso) que vivia em Portugal, para se juntar a ele em Lourenço Marques, como talhante.

Qual a ligação entre Rute Malosso e a saga do mais famoso desportista moçambicano de todos os tempos?

Quem usou o nome de Rute Malosso aquando da transferência de Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica em Lisboa foi Mário Tavares de Melo, que conhecia Rute e era amigo de Albertino Malosso, pois ambos eram talhantes (cortavam carne num talho em Lourenço Marques, situado no Bazar de Lourenço Marques) e eram adeptos ferrenhos do Benfica na capital da então província portuguesa, onde o jovem Eusébio nascera, filho de um angolano branco de Lubango, Angola, e de uma bonita jovem moçambicana de Xipamanine, Elisa. O pai morreu antes de Eusébio completar sete anos de idade.

No final dos anos 50, o talento do jovem moçambicano, que vinha na senda de enormes talentos futebolísticos já surgidos do futebol moçambicano (Mário Coluna era o pilar do Benfica na altura, por exemplo) já despontara o interesse e pouco antes do seu ingresso no Benfica Bella Gutman, o lendário e mercurial treinador do clube português, voou até Lourenço Marques para observar o jovem talento. Gutman ficou impressionado.

Mário Tavares de Melo foi um dos elementos chave no complexo processo negocial em que Eusébio, que na altura era jogador do Sporting de Lourenço Marques, e que era menor (logo não tinha capacidade jurídica para assinar contratos), acaba, essencialmente por decisão da sua Mãe Elisa, por assinar um compromisso com o Benfica, compromisso esse consubstanciado com o seu registo, dias mais tarde, na Federação Portuguesa de Futebol, como jogador desse clube.

Nas negociações, que envolveram telegramas e telefonemas entre a capital moçambicana e a capital portuguesa, feitos em “aberto” (ou seja, podiam ser escutados e lidos pelos operadores da companhia telefónica em Lourenço Marques e em Lisboa) Mário usava o nome de Rute Malosso para se referir a Eusébio.

Rute Malosso ainda é viva (e saudável), está reformada e hoje reside em Queluz de Baixo, Portugal. Tem dois filhos e uma filha. Apesar de, como era costume na altura, as mulheres tipicamente adoptarem os nomes dos maridos quando se casavam, Rute, que casou com Joaquim Oliveira, manteve até hoje o seu apelido de nascimento – Malosso. Durante muitos anos, trabalhou para o Grupo Pestana.

Não tenho registo de alguma vez Rute Malosso e Eusébio se terem conhecido.

EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, EXPOENTE DO FUTEBOL, NATURAL DE MOÇAMBIQUE, FALECEU HOJE, 5 DE JANEIRO DE 2014

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 3:26 pm

Profundas condolências a sua Família e aos seus admiradores em todo o Mundo.

 

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Outubro 6, 2013

FALECEU ARNALDO CONSTANTINO, ANTIGO CAMPEÃO DE AUTOMOBILISMO DE MOÇAMBIQUE

Foto de Bebé Amaro Morais

 

Faleceu este fim de semana em Maputo o antigo campeão de automobilismo de Moçambique, Arnaldo Constantino. À sua Família dirigimos as nossas condolências.

Faleceu este fim de semana em Maputo o antigo campeão de automobilismo de Moçambique, Arnaldo Constantino. À sua Família dirigimos as nossas condolências.

Setembro 29, 2013

32º ENCONTRO DOS ANTIGOS NADADORES DE MOÇAMBIQUE EM 26 DE OUTUBRO DE 2013

 

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Convite e detalhes

Mapa de localização do local do Encontro.

Mapa de localização do local do Encontro.

Março 24, 2013

ANTÓNIO TRINDADE, GRANDE TENISTA DE MOÇAMBIQUE, VENCE COPA IBÉRICA HOJE

Filed under: 2010 anos, António Trindade, TÉNIS DE MOÇAMBIQUE — ABM @ 11:21 pm

Parabéns ao nosso Campeão.

António Trindade no momento em que recebe o prémio de vencedor da Copa Ibérica, por parciais de  6-4, 7-5.

António Trindade no momento em que recebe o prémio de vencedor da Copa Ibérica, por parciais de 6-4, 7-5.

António Trindade, figura lendário do ténis de Moçambique antes da Independência, soma mais uma vitória.

António Trindade, figura lendária do ténis de Moçambique antes da Independência, soma mais uma vitória.

Março 17, 2013

FALECEU O PROFESSOR JOSÉ PINTASSILGO, TREINADOR DE ANGOLA

A natação portuguesa e de Angola pré-independência perdeu uma das suas grandes referências. O Professor José Manuel Pintassilgo faleceu no dia 15 de Março de 2013. Os nadadores e treinadores de Moçambique apresentam sinceras condolências à sua Família.

O Professor Pintassilgo, aqui no encontro dos antigos nadadores de Angola em 2011.

O Professor Pintassilgo, aqui no encontro dos antigos nadadores de Angola em 2011.

Outubro 3, 2012

O PRIMEIRO ALMOÇO DOS ANTIGOS FUTEBOLISTAS DE MOÇAMBIQUE NO BIG SLAM, 2012

Filed under: 2010 anos, Almoço Antigos Futebolistas de Moç 2012 — ABM @ 6:58 pm

Para ver esta reportagem no magnífico Big Slam, prima AQUI.

Ora vejam os campeões aqui em cima. Para ver mais, prima na ligação indicada em cima e visite o Big Slam.

Setembro 30, 2012

O 31º ENCONTRO DOS ANTIGOS NADADORES DE MOÇAMBIQUE REALIZA-SE A 27 DE OUTUBRO EM LISBOA

Filed under: 2010 anos, Convívio Natação Moç. 27.10.2012 — ABM @ 5:01 pm

A piscina do Grupo Desportivo Lourenço Marques, 1970. Para ver em tamanho gigante, prima na imagem com o rato do seu computador.

Desfile em Lourenço Marques, 1966, com membros da equipa de natação do Desportivo, à frente José Manuel Abreu, atrás: Ana Paulo Pinto, Lídia Gouveia, Anabela Gouveia, Alice Aleixo, Cló Botelho de Melo, etc.

Ajude a distribuir este documento enviado o link deste blogue aos seus amigos e inimigos.

Mapa de localização do restaurante, em Lisboa.

Junho 17, 2012

ENCONTRO DOS HOQUISTAS DE MOÇAMBIQUE EM LISBOA, 2012

Fotografia enviada por Óscar Soeiro, assinalando mais um encontro dos hoquistas de Moçambique em Lisboa, no dia 16 de Junho de 2012.

Para ver a fotografia em tamanho máximo, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

Os grandes do hóquei de Moçambique pré-Independência posam em Lisboa.

Março 23, 2012

SERTÓRIO SILVEIRA: UMA NOTA SOBRE O PROFESSOR RUI BAPTISTA

Sertório Silveira reflecte sobre o Prof. Rui Baptista, em baixo.

A propósito de uma longa entrevista que fiz ao Dr. Rui Baptista (RB), que o Tomané transcreveu aqui no blogue “The Delagoa Bay”, cumpre-me tecer alguns considerandos a respeito da si por poderem não ser do conhecimento da generalidade dos leitores.

Tive o privilégio de o conhecer e tornar-me seu amigo ao longo dos anos.

Em minha opinião, RB foi uma das figuras mais carismáticas do Desporto moçambicano, quer como professor, quer como dirigente desportivo, quer, ainda, como comunicador dos ideais que sempre defendeu com marcante empenho e superior conhecimento de causa, seja através de escritos jornalísticos, de conferências, seja, ainda, como praticante de pesos e halteres (Culturismo) em que se sagrou campeão de Moçambique, na categoria de médios.

Por esse facto, ter eu ficado chocado e até revoltado com a sua não nomeação para presidente do Conselho Provincial de Educação Física (CPEF) depois de ter a sua nomeação sido assinada pelo ministro do Ultramar Silva Cunha (faltando apenas ter o visto do Tribunal de Contas, aliás uma questão de escassos dias).

Acresce que a sua nomeação chegou a ser noticiada pelo jornal publicado na cidade da Beira: “Vai ser nomeado presidente do Conselho Provincial de Educação Física de Moçambique Rui ‘Vares’ Baptista”. Assim, tal e qual com a troca de Vasco, seu segundo nome próprio, por “Vares”. Em seu lugar foi nomeado Noronha Feio, vindo da então Metrópole, a quem o Desporto de Moçambique nada de nada devia. Sendo RB à data Inspector de Educação Física Escolar da Mocidade Portuguesa pediu a sua exoneração, tendo recebido um louvor no Boletim Oficial de Moçambique.

Chegou RB a Lourenço Marques em 1957 – depois de formado pelo INEF e ter cumprido o serviço militar como aspirante, alferes e tenente miliciano em Tomar – contratado como professor de Educação Física da “Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque”, tendo desenvolvido, para além dessa docência, um notável acção no desporto local e uma intensa actividade no campo da Ginástica Correctiva com pacientes de Lourenço Marques, alguns deles deslocando-se à África do Sul, a fim de serem consultados pelo mais famoso cirurgião ortopedista, o Dr. David Roux, que indicava o seu nome para os serviços de reabilitação necessários.

No ano a seguir à sua chegada à cidade do Índico (1958) foi convidado para preparador físico dos nadadores laurentinos que se deslocariam à Metrópole para disputarem os Campeonatos Nacionais da modalidade. Em representação do CPEF, foi nomeado chefe da respectiva Embaixada, embora não pertencesse aos quadros do CPEF, mas sim o seu colega Igeménio Tadeu.

Desde sempre, apaixonado pela sua dama, a Educação Física, foi dirigente desportivo e preparador físico de várias modalidades desportivas (basquete, futebol, hóquei em patins, etc.) tendo desenvolvido paralelamente uma acção constante na preparação de várias classes de ginástica do Clube Ferroviário.

Entretanto, teve, também, uma acção importante no campo literário, através da publicação de vários livros no âmbito, por exemplo, dos Pesos e Halteres e da Educação Física como ciência ao serviço da saúde pública. Desempenhou a função de presidente da Secção de Ciências da Sociedade de Estudos de Moçambique, onde proferiu duas conferências no âmbito da Educação Física, tendo entrado, assim, o Desporto e a Educação Física pela porta grande dessa notável instituição cultural e científica.

Em 1975 fez parte do grande contingente de Portugueses que se viram coagidos a deixar Moçambique, onde tinha fixado residência. Foi colocado em Coimbra, como professor efectivo de Educação Física do Liceu D. João III (anos depois, Escola Secundária José Falcão). Foi também docente do ISEF da Universidade do Porto e docente da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra. Na cidade das margens do Mondego continuou a desenvolver uma intensa actividade com artigos de revistas da especialidade, a efectuar conferências e palestras, por exemplo, nos Rotários e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, a escrever livros e a publicar artigos de opinião nos jornais “Diário de Coimbra”, “Correio da Manhã”, “O Primeiro de Janeiro” e o “Público”. É co-autor do blogue De Rerum Natura, de há tempos para cá. Também em Coimbra desenvolveu uma intensa actividade no campo da Reabilitação Física (de que fora professor no ISEF do Porto) tendo assinado convenções com diversos organismos públicos.

Quase a terminar, e volvendo a um saudoso passado das margens do Índico, como escrevi no início, conheci este Professor, em Lourenço Marques, tendo tido o grato prazer de entrevistá-lo para o jornal “Diário de Lourenço Marques”, a propósito de uma série de entrevistas, “O desporto nas Escolas”, com a participação de uma dúzia de personalidades ligada ao desporto, na sua maioria professores de Educação Física. Desde essa altura, ficámos amigos para todo o sempre, merecendo-me o maior respeito e consideração pela sua humildade, cultura e simpatia, para além do seu incontestado valor profissional, muito lamentando, como tal, a gritante injustiça de não ter sido nomeado, à última hora, presidente do CPEF (quando tudo estava encaminhado nesse sentido) por ele ter sido a personalidade mais bem posicionada para o desempenho desse elevado cargo, sobejamente demonstrado através da sua extrema dedicação ao Desporto Moçambicano.

Sertório da Silveira

Janeiro 25, 2012

EUSÉBIO AOS 70: RETROSPECTIVA DA FIFA

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 9:09 pm

Eusébio assinala o seu 70º aniversário hoje, 25 de Janeiro de 2012.

O sítio oficial da FIFA hoje publicou este texto, não assinado, que reproduzo em baixo.

Uma nota: não entendo bem como é que a história se encaixa (leia o exmo. Leitor em baixo) mas havia uma senhora em Lourenço Marques chamada Rute Malosso, ela ainda é viva e reside aqui em Portugal. Só havia uma família Malosso em Moçambique.

Título: Mais um golo do Pantera Negra

Em pleno agito cultural da década de 1960, os felinos estavam na moda entre a aristocracia europeia. O pintor espanhol Salvador Dalí não se separava de Babou, a sua jaguatirica de estimação; os tigres viraram presentes de luxo para socialites na Rússia; e dois excêntricos australianos transformaram Christian, um leão que logo ganharia fama internacional, em morador de uma badalada rua de Londres.

Um húngaro de 61 anos não tinha a menor intenção de aderir ao clube dos bichanos quando saiu da sua casa em Lisboa para cortar o cabelo no final da década de 60. Ao lado dele na barbearia, porém, estava sentado um antigo conhecido que exaltava uma pantera negra que havia visto durante uma viagem a Moçambique. Entusiasmado, o homem embarcou para Maputo cinco dias mais tarde. Lá chegando, encantou-se com o predador.

No entanto, a tal “pantera negra” fazia as suas vítimas em campos de futebol, e não na selva. O nome por trás do apelido era Eusébio. E o homem que estava à sua caça era o técnico do Benfica, Béla Guttmann. O húngaro havia recebido a dica do brasileiro José Carlos Bauer, a quem havia treinado no São Paulo alguns anos antes.

O caminho do garoto de 17 anos rumo ao Estádio da Luz, porém, não seria nada tranquilo. Eusébio jogava pelo Sporting Lourenço Marques, time da capital moçambicana que formava atletas para o tradicional Sporting Lisboa, que, por sua vez, já havia chegado a um acordo para contratar o atacante. No entanto, Guttmann foi ágil e rapidamente propôs um contrato que garantia ao humilde desconhecido o mesmo salário do ídolo Mário Coluna, meio-campista nascido em Moçambique que havia se firmado como um dos melhores jogadores da Europa pelo Benfica. Durante a negociação, o irmão de Eusébio exigiu o dobro. Guttmann aceitou prontamente.

O resto da história parece roteiro de filme de espião. Eusébio não cruzou o portão de embarque no Aeroporto Internacional de Maputo para entrar no avião que o levaria a Lisboa: foi conduzido pessoalmente por um automóvel a fim de evitar o risco de ser avistado por outras pessoas. Temendo uma tentativa de sequestro por parte do Sporting, o Benfica enviou o jovem para um lugar remoto no Algarve assim que ele desembarcou na capital portuguesa. Passou dez dias por lá. E caso as investigações do Sporting houvessem sido suficientemente minuciosas a ponto de checarem as listas de hóspedes dos hotéis do sul do país, não encontrariam o menor vestígio: Eusébio havia dado entrada usando o nome Ruth Malosso!

Esforço recompensado

Foi trabalhoso trazer o africano, mas as Águias logo perceberam que havia valido a pena. A ideia original era que Eusébio treinasse com os reservas, mas os planos mudaram depois do primeiro treino para a nova temporada, em junho de 1961. “Se tiver de ser eu que seja, mas alguém precisa sair para ele jogar”, declarou o camisa 9 e capitão benfiquista José Águas.

Águas, Mário Coluna, Joaquim Santana, José Augusto e Domiciano Cavém formavam um envolvente quinteto ofensivo que, cerca de duas semanas antes, havia levado o Benfica a uma vitória por 3 a 2 sobre o Barcelona na final da Copa dos Campeões. Como Guttmann justificaria que um deles fosse tirado da equipe titular às vésperas da decisão do Torneio Internacional de Paris contra o excepcional Santos de Pelé?

A justificativa apareceu quando o Benfica perdia por 5 a 0 — dois de Pelé, dois de Pepe e um de Coutinho. Guttmann soltou a fera e Eusébio anotou impressionantes três gols em 17 minutos, além de ter sofrido um pênalti desperdiçado por José Augusto. No dia seguinte, o rosto do tímido moçambicano que os torcedores do Benfica ainda não conheciam estava na capa da prestigiada revista France Football. A manchete da publicação francesa havia ignorado a vitória santista por 6 a 3 para estampar “Eusébio 3 x 2 Pelé”.

Ao final daquela temporada, Eusébio ostentava uma média de 1,4 gols por jogo na primeira divisão lusitana e, com o placar da final da Copa dos Campeões contra o Real Madrid empatado em 3 a 3, marcou duas vezes para garantir ao Benfica um surpreendente 5 a 3 e a manutenção do título continental. Era o início de uma lua de mel que duraria 15 anos, ao longo dos quais Eusébio conquistou 11 edições do Campeonato Português e cinco da Taça de Portugal, acumulando 638 gols em 614 partidas pelo time lisboeta.

A impressionante eficiência do atacante era fruto de um físico fenomenal. Eusébio corria cem metros em 10,8 segundos — o recorde mundial à época era apenas oito décimos de segundo mais rápido. Além disso, o craque possuía a força de um super-herói dos quadrinhos e o equilíbrio de uma bailarina, assim como uma poderosa impulsão que fazia com que o jogador de 1,75 m levasse a melhor sobre adversários muito mais altos. De acordo com o companheiro de seleção portuguesa Matateu, atacante que também nasceu em Moçambique, o pé direito de Eusébio tinha uma força comparável à dos punhos de Cassius Clay, o Muhammad Ali, pugilista nascido apenas oito dias antes do moçambicano e que também era idolatrado na África nos anos 1960, durante os quais venceu todas as suas 29 lutas, a maioria por nocaute.

Guttmann, por sua vez, preferia comparar a arma preferida do atacante a um famoso satélite soviético. “Ver a bola sair da chuteira de Eusébio era como assistir ao lançamento espacial do Sputnik”, explicou o húngaro. “Além de chutar forte, ele batia na bola com muita precisão. Também era incrivelmente rápido, explosivo e um grande driblador. Era um jogador completo. A contratação do Eusébio foi a maior vitória que o Benfica jamais conquistou contra o Sporting.”

Herói de duas nações

Embora as atuações de Eusébio pelo Benfica tenham dividido a cidade, o desempenho dele com outra camisa vermelha uniram um país. Ele assinalou 41 gols em 64 jogos pela seleção de Portugal e, embora tenha tido somente uma oportunidade de mostrar o seu irrepreensível talento em um grande torneio internacional, o atacante aproveitou a experiência ao máximo.

De fato, Eusébio brilhou na Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1966 marcando dois gols contra o Brasil na primeira fase e selando a eliminação do país que buscava o terceiro título mundial consecutivo, colocando Portugal nas quartas de final da competição. A equipe comandada pelo brasileiro Otto Glória enfrentava a Coreia do Norte e sofreu três gols nos primeiros 25 minutos, mas a atuação inspirada do craque garantiu a virada lusitana para 5 a 3. Na semifinal contra a Inglaterra, o técnico Alf Ramsey contava com dois ótimos zagueiros, Bobby Moore e Jack Charlton, mas estava tão preocupado que incumbiu Nobby Stiles da marcação individual de Eusébio. O português conseguiu chegar às redes, embora de pênalti, mas os ingleses venceram por 2 a 1.

“O Eusébio era um jogador realmente magnífico”, afirmou Charlton. “Ele era muito veloz, forte, tinha um equilíbrio perfeito e era bom de bola. E sabia chutar, também. Para mim, ele era tão bom quanto o Pelé. O nosso técnico não havia posto marcação individual em ninguém. Ele não fez isso contra o (Wolfgang) Overath na final e nem contra o Pelé (no Mundial de 1970), então isso mostra o quanto ele respeitava o Eusébio.” Stiles também passou a respeitá-lo após os 90 minutos daquela noite de julho. O volante do Manchester United perdeu nada menos do que quatro quilos caçando Eusébio pelo gramado de Wembley.

Apesar da derrota para o selecionado britânico, o camisa 13 de Portugal se despediu do torneio em grande estilo. Na decisão do terceiro lugar, contra a União Soviética, Eusébio abriu o placar na vitória lusa por 2 a 1 e acabou na artilharia da competição com nove gols, recebendo a Chuteira de Ouro adidas. “Sempre tive muito orgulho de receber um prêmio”, comentou o atacante, cuja genialidade foi recompensada com a Bola de Ouro em 1965. “Porque não era só para mim, mas para Portugal e para toda a África.”

Além de fazer a alegria de torcedores portugueses e africanos, Eusébio jogou em times do Canadá, México e EUA antes de pendurar as chuteiras em 1979, encerrando uma carreira em que disputou 745 jogos com 733 gols comemorados.

Nesta quarta-feira, o mundo do futebol se une a Eusébio para comemorar mais uma vez. Hoje o craque completa 70 anos. Feliz aniversário, Pantera Negra!

(fim)

EUSÉBIO FAZ 70 ANOS DE IDADE HOJE: ENCORE

1966, o ano em que o nome de Eusébio catapultou para a cena mundial. Aqui, durante o Campeonato do Mundo na Grâ-Bretanha, o Rei está a ser analisado pelo médico da equipa nacional portuguesa, Silva Rocha.

EUSÉBIO FAZ SETENTA ANOS DE IDADE: PARABÉNS AO REI

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 12:18 am

O Rei. O moçambicano mais conhecido em toda a história.

Cito parte de uma nota que João Tomé escreveu no jornal lisboeta Destak de hoje: ” O Pantera Negra cumpre amanhã 70 anos e é homenageado numa biografia escrita por João Malheiro e em emissões especiais das televisões.

João Malheiro, lança amanhã no Estádio da Luz, o livro ‘Eusébio’. Ao Destak, o autor indica que esta pretende ser uma «biografia popular e barata» do «maior jogador português de todos os tempos». Cavaco Silva e Luís Filipe Vieira assinam os textos de abertura e o prefácio é do maestro António Victorino d’Almeida. Para Malheiro, esta é «uma homenagem aos 70 anos daquele que é o meu ídolo de infância, com quem tenho uma grande amizade». «Tem ainda novos textos relativamente à biografia já existente», diz.

Entretanto, [em Portugal]a estação TVI terá amanhã no Jornal das 8, um especial com Judite de Sousa a entrevistar Eusébio no restaurante A Tia Matilde, onde almoça há 50 anos e a RTP terá às 21h outro especial com Cecília Carmo a entrevistar ‘O Rei’.

733 golos marcados por Eusébio em 745 jogos oficiais ao longo da sua carreira. O Rei distinguia-se pela velocidade e pelo remate brutal.”

Janeiro 9, 2012

SÉRGIO CRUZ, A ESTRELA DE MANICA, CAMPEÃO DE TÉNIS

Filed under: 1970 anos, 1980 anos, 2010 anos, Sérgio Cruz, TÉNIS DE MOÇAMBIQUE — ABM @ 10:41 pm

 

Nasceu em 31 de Agosto de 1954 na então bucólica Vila Manica, entre os mais belos cenários naturais que África pode proporcionar. E cresceu para se tornar num grande campeão de ténis, em Portugal, onde foi o nº1 entre 1978 e 1981, e internacionalmente. Sem dúvida um dos melhores senão o melhor tenista que Moçambique e Portugal tiveram até hoje.  Hoje com 57 anos, Sérgio Cruz é um conceituado treinador e consultor de ténis, baseado na Suíça, tendo treinado entre outros, Jim Courier, e trabalhado com Pete Sampras.

Mas não esqueceu nunca a sua terra natal e os seus encantos.

Aqui, a ligação ao seu sítio profissional na internet.

O jovem Sérgio em Manica.

 

O jovem futuro campeão posa com o seu melhor amigo.

 

Já adolescente, no court.

 

O campeão, durante um jogo.

 

Uma edição especial de uma raquete da Donnay. Se o exmo. Leitor olhar com cuidado, verá o nome do nosso campeão, "S.Cruz", inscrito.

 

 

CARLOS RAMOS, ÁRBITRO DE TÉNIS INTERNACIONAL

Filed under: 2010 anos, Carlos Ramos, TÉNIS DE MOÇAMBIQUE — ABM @ 9:44 pm

Carlos Ramos num torneio.

 

Cito o texto de Marta Talhão no Jornal Económico de dia 9 de Janeiro de 2012:

 

Em criança sonhava ser guarda-redes de futebol mas hoje, aos 40 anos, é o único árbitro do Mundo a ter dirigido as finais de singulares masculinos dos quatro torneios do Grand Slam – Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Open dos EUA. A infância foi passada entre o continente africano e Portugal.

Nascido em Lourenço Marques (actual Maputo) numa Moçambique à época colonizada pelos portugueses, teve o primeiro contacto com o ténis em Angola, onde passava férias. Sem família ligada ao ramo, poucas seriam as probabilidades de escolher a profissão no desporto, mas Carlos Ramos desde cedo revelou aptidão para contrariar as estatísticas.

“Completar o ‘Grand Slam de carreira’ foi especial, ainda que não considere comparável com um jogador que ganha esses quatro torneios. Mas não deixa de ser gratificante, em especial para um árbitro que não vem de um país do Grand Slam”, afirma Carlos Ramos ao Diário Económico, a partir da sua residência, em Lyon, França: é lá que vive desde 1996. Pelo menos quando não se encontra em parte incerta do globo a apertar a mão a Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic.

Quando era mais novo “sabia coisas como a tensão das cordas do [John] McEnroe” e, no Clube de Ténis do Jamor, chegou a treinar-se com os futuros campeões nacionais Emanuel Couto e Bernardo Mota. “Mas talvez não tivesse jeito suficiente”, admite, em tom descontraído. Acabou “mordido” pela arbitragem, ocupação que, aos 16 anos, escolhera como forma de pagar as aulas de ténis e as encordoações das raquetas porque, sublinha, “sempre quis ser o mais independente possível”. 

(fim)

 

Rafael Nadal a falar com Carlos Ramos.

 

Carlos Ramos e o seu colega árbitro Enique Molina, posam no Court 3 de Wimbledon no 1º dia do famoso torneio, 2011.

Janeiro 3, 2012

A EQUIPA DE NATAÇÃO DO DESPORTIVO DE MAPUTO, 2011

Foto do grupo do Desportivo de Maputo no Facebook.

A quem souber os nomes dos nossos campeões, peço uma ajuda enviando uma nota para aqui.

 

A equipa de natação do Desportivod e Maputo, Janeiro de 2011. Na fila de cima: C1, C2, C3, C4, C5, C6 e C7. Na segunda fila a contar de cima: D1, Janet Bique, D2, D3, D4, D5 e D6. Na fila da frente: F1, F2, F3 (treinador?), F4 e F5. Ha ainda a menina em encardado em cima à esquerda.

VICENTE LUCAS, ÍCONE DO BELENENSES E DO FUTEBOL DE MOÇAMBIQUE

Filed under: 1960 anos, 2010 anos, FUTEBOL MOÇAMBIQUE, Matateu, Vicente Lucas — ABM @ 6:25 pm

Fotos do grande Vicente Lucas e de Cátia Ricardo.

 

Vicente Lucas em 2010.

 

Pequeno texto que copiei da página de amigos e admiradores de Vicente Lucas:

 

A vinda de Vicente para Lisboa e para o Belenenses, deve-se a seu irmão Matateu.

E se este foi um caso raro de simpatia e popularidade espontâneas, o seu irmão tem demorado mais a impor o seu nome.

Matateu tinha mais fama antes de vir para Lisboa. Matateu estava jogador mais feito. Matateu tinha mais anos de idade e mais experiência.

Mas Vicente, de quem o mano garantia a categoria, longe de desiludir, confirmou, a pouco e pouco, quanto dele dissera Matateu e haviam dito quantos o conheciam.

Jovem, muito jovem (Vicente nasceu em Munhuana, pertinho de Lourenço Marques, a 24 de Setembro de 1935) tem, porém, ainda muito tempo para brilhar…

Todos são amigos dele!

Os companheiros de equipa estimam-no.

Todos são amigos. e não só entre os colegas. Vicente soube granjear amizades.
Os adversários – nem um só pensa de maneira diferente – tem por ele viva simpatia.

É que Vicente é um bom e leal camarada. Incapaz de um gesto feio, de uma atitude irreverente.

 

Imagem de Cátia Ricardo, de um bilhete de ingresso num jogo de homenagem ao campeão em 1967.

GUILHERME CABAÇO, SÓCIO DO DESPORTIVO, IN MEMORIAM

Filed under: 2010 anos, DESPORTIVO LM/MAPUTO, Guilherme Cabaço + — ABM @ 3:30 pm

O Desportivo assinala esta semana o falecimento do Sr. Guilherme Cabaço.

O Sr. Guilherme Cabaço, uma vida sócio do Desportivo antes e depois da Independência, faleceu Sábado, dia 31 de Dezembro de 2011. Em 1980 foi presidente do Clube, antecidido por Manuel Jorge e seguido por João Albasini.

No sítio do Clube, foi publicado este texto, da autoria do até agora mais velho sócio do clube, na ocasião do seu 92º aniversário:

85 Anos no Desportivo

Tinha sete anos quando me fizeram sócio infantil do Desportivo. Era o clube do meu pai e era um clube genuinamente da terra.

Pratiquei aí várias modalidades desportivas: fui infantil de futebol (há uma foto da equipa nas paredes da sede), fiz basquetebol, hóquei em campo, atletismo e pólo aquático.

Diziam então que eu era um miúdo com jeito para o desporto. Por razões da vida pessoal tive de ir para Portugal quando tinha 16 anos e, quando regressei, três anos e meio mais tarde, tive de ir trabalhar e não pude retomar a prática desportiva. Embora longe da capital, mantive sempre a minha ligação com a agremiação.

O Desportivo deu-me muitas alegrias desportivas e pessoais. De entre elas, recordo a honra e responsabilidade que representou fazer parte da comissão de sócios que chamou a si a construção do campo de futebol [Estádio Paulino dos Santos Gil) onde jogámos até há poucos anos. O Benfica de Lisboa tinha acabado de ganhar a Taça Latina, o primeiro grande torneio europeu, e nós, como delegação do clube português, tomámos a iniciativa de o trazer a Moçambique. Negociámos com os nossos vizinhos do Sporting (hoje Maxaquene), a utilização do campo, mas os nossos eternos rivais impuseram condições inaceitáveis. Pouco mais de dois meses antes da chegada do Benfica, um grupo de sete sócios reuniu-se e decidiu construir um Estádio para a ocasião.

Construir um Estádio condigno em tão pouco tempo foi uma aventura, mas com o nosso esforço, com o esforço dos trabalhadores (que trabalharam, por turnos, dia e noite) e com a boa vontade de muitos, conseguimos tê-lo pronto no dia anterior ao jogo inaugural do Benfica.

Eu sou hoje o único sobrevivente dessa comissão a que tive a grande honra de pertencer.

Um outro momento alto vivido no clube foi a famosa Assembleia-Geral para decidir se passaríamos ou não a ser filiais do Benfica de Portugal. Um número grande de sócios era benfiquista e defendia essa opção. Ganhámos a Assembleia-Geral, mantivemos o nome e as nossas cores tradicionais, e deixámos de ser delegação daquele clube lisboeta.

Foi aí que nasceu o Benfica de Lourenço Marques, hoje o Costa do Sol.

Esta história de luta pela moçambicanidade do clube explica a minha alegria quando, depois da Independência, o Desportivo, adequando-se à nova realidade, conseguiu manter o seu nome e a sua personalidade.

Foi o reconhecimento da sua autenticidade moçambicana.

Mais tarde e por duas vezes, se a memória não me falha, fui chamado a presidir à Direcção do clube [1980] e fui também Presidente da Assembleia-Geral. Como candidato proposto pelo clube fiz um mandato como Presidente da Associação de Futebol de Lourenço Marques.

Posso dizer que as grandes alegrias que o desporto me proporcionou estão ligadas ao Desportivo e aos sucessos da selecção de Moçambique. Não esqueço as alegrias que, por um breve período, vivi com os grandes resultados conseguidos pela selecção dos naturais. Era uma selecção constituída apenas por jogadores naturais de Moçambique e que se organizava por ocasião da visita de equipas estrangeiras e que o Governo de então acabou por proibir.

Com 92 anos de idade, sou o sócio mais antigo do clube e muito me alegra poder comemorar os seus 90 anos. Tenho muita fé nos destinos do Desportivo, porque o vi ultrapassar sucessivas dificuldades e o vejo hoje com uma Direcção competente e dedicada, sob a presidência do Dr. Michel Grispos, que muito admiro.

Nesta ocasião, endereço a todos os associados e simpatizantes os meus parabéns pela efeméride e exorto-os, do fundo do coração, a continuarem o seu apoio ao nosso Desportivo, para bem do desporto moçambicano e do país.

À Familia Cabaço e ao Desportivo, endereço as minhas condolências.

Janeiro 2, 2012

RUI NOVAIS LEITE MONTEIRO: CELEBRANDO UMA VIDA

Rui Novais Leite Monteiro, falecido em 30.12.2011, aqui em 2005.

O nome de Rui Novais Leite Monteiro, que faleceu na passada sexta-feira aos 90 anos de idade, ficará para sempre associado à história da navegação aérea em Moçambique, em particular ao Aero Clube de Moçambique, de que foi um dos mais activos participantes. O seu apelido perdura em Moçambique hoje através do seu filho, Rui Monteiro.

Se o exmo. Leitor quiser saber mais sobre quem ele foi e o que fez, recomendo a consulta ao excelente blogue Voando em Moçambique, magnificamente mantido pela Sra. D. Luísa Hinga e Sr. José Vilhena, de quem copiei hoje uma excelente nota biográfica e duas fotografias, que reproduzo em seguida, com alguma edição minha e informação adicional referida pelo Sr. Coronel Manuel Bernardo numa nota que escreveu a 31.12.2011 no inigualável Macua Blogs.

Os rapazes do Aero Clube de Moçambique. Da esquerda: Jaime Fajardo, Paulo Cunha, John Murray, Artur Cardoso, Rui Monteiro e Rui Lacueva.

Rui Novais Leite Monteiro nasceu a 22 de Junho de 1921 em Moçambique e desde sempre ali residiu. Decano dos pilotos aviadores privados em Portugal à altura do seu falecimento, possuía mais de 3.500 horas de voo e 14.000 aterragens na sua longa carreira de piloto e de instrutor.

Vindo de Moçambique, onde nascera, em Portugal treinou e voou pela primeira vez a 09 de Setembro de 1939, desde logo a solo, num “pairador” Schulgleiter lançado por cabos elásticos no Monte Maria Dias (Algueirão-Sintra), na então Escola de Aviação Bartolomeu de Gusmão promovida pela Mocidade Portuguesa em parceria com o Aero Clube de Portugal.

Participou num curso com dezoito alunos e uma duração de quinze dias, dirigido pelo Dr. João Pinto Coelho e sendo seu instrutor o alemão Schurke (campeão do Mundo de Voo à Vela). O voo de Rui Monteiro teve a duração de 17 segundos. Foi brevetado como piloto privado em 1940 no Aero Clube de Braga, campo de aviação de Palmeira, tendo efectuado o seu primeiro voo a solo a 3 de Dezembro de 1939 num pequeno monomotor Taylor Cub J-2 de 40 cavalos, “CS-AAU”.

Foram seus instrutores Roberto Sameiro e Esteves de Aguiar, num curso igualmente promovido pela Mocidade Portuguesa, a título gracioso, mas com o compromisso de entrar como piloto miliciano da então Aeronáutica Militar. Foram seus colegas o Cte. Amado da Cunha (TAP), Manuel Cardoso, José Manuel Soares e Artur Zanha.

Regressado a Moçambique, aprendeu com os Comandantes Luís Branco e Jorge Veloso o voo nocturno, com o Coronel Armando Vieira os multimotores, com Artur Lacueva a acrobacia e com Júlio Lázaro a radiotelefonia.

Foi sócio, instrutor e presidente do Aero Clube de Moçambique (com sede em Lourenço Marques), instrutor e director das Escolas de Pilotagem dos Aero Clubes de Gaza (Xai-Xai), Inhambane e Vila Trigo de Morais. Pelas suas mãos passaram várias gerações de pilotos ali formados. Até há poucos anos, mantinha válida a sua licença de piloto privado, sendo o mais velho piloto Português ainda no activo.

Na então Lourenço Marques, colaborou activa e decisivamente na construção de 4.000 casas populares no bairro da Machava e também na Coop, durante 17 anos, tendo oferecido uma escola primária, considerada como das mais lindas da cidade e que foi construída nesse bairro. Durante a sua carreira profissional, esteve ligado a cerca de quarenta empresas.

O Coronel Manuel Bernardo, que o conheceu bem, referiu: “Rui Monteiro era um homem de raras qualidades de humildade, coragem e abnegação ao serviço dos outros, em todas as circunstâncias.”

Aquando da Independência, deixou Moçambique, tendo ir viver para a Linha do Estoril, em Portugal. Todo o seu património foi posteriormente nacionalizado.

Apesar dos vários convites que lhe foram posteriormente feitos, nunca mais regressou a Moçambique.

Da esquerda: Artur Cardoso, Marques Pinto, Dias, Férias, Pereira, Telmo Pereira e Rui Monteiro.

Em Portugal, pertenceu aos quadros directivos do Aero Clube de Portugal, onde foi Presidente do Conselho Fiscal, Vice-Presidente da Direcção e Presidente da Assembleia Geral respectivamente, clube que lhe atribuiu vários diplomas de honra. A Federação Aeronáutica Internacional (FAI) concedeu-lhe em 1990 o diploma Paul Tissandier, a Ordem dos Cavaleiros de Colombo e distinguiu-o com uma cruz por salvamento num desastre aéreo, com risco da própria vida.

Ficaram célebres os voos acrobáticos deste grande piloto Moçambicano, participante activo em todos os festivais aéreos que por todo o território de Moçambique se realizaram, tendo efectuado o seu último voo no dia 18 de Junho de 2006, com 85 anos de idade.

Membro activo das Forças Aéreas Voluntárias em Moçambique, foi um dos seus fundadores naquela então província portuguesa, durante os dez anos que durou a guerra que culminou com a Independência em 1975, tomando parte em inúmeros voos de busca e salvamento, transporte de feridos e de mantimentos, e principalmente em numerosos voos de Correio Aéreo.

Uma credencial de Rui Monteiro Pai, anos 1960.

Foi correspondente durante vários anos da Revista do Ar, onde publicou vários artigos sobre a Aviação em Moçambique.

Sobre Rui Monteiro pai, Fernando Lopes Subtil escreveu: “Uma grande perda para todos aqueles que como eu tiveram a sorte de terem sido seus alunos e amigos durante mais de 50 anos, uma grande perda para todos os que de uma forma ou de outra estiveram ligados ao Aeroclube de Moçambique e de Gaza, os meus sentimentos aos filhos e restante familia, um grande abraço ao Rui monteiro filho.”

Carmo Jardim escreveu: “Conheci-o muito bem tinha por ele o maior respeito como piloto e também como instrutor. À Família amiga um grande beijinho especial.”

Rui Monteiro Pai era casado com D. Aurita. Deixa cinco filhos (Ana Maria, Rogério, Deolinda, Maria José (Zé) e Rui jnr) e vários netos.

Junto-me a todos apresentando à sua Família as minhas condolências e celebro a memória de um homem que teve uma vida verdadeiramente excepcional.

Dezembro 25, 2011

O THE DELAGOA BAY COMPANY FAZ DOIS ANOS HOJE

Filed under: 2010 anos, Comentário, OUTROS — ABM @ 10:58 pm

Este blogue abriu na tarde do dia 25 de Dezembro de 2009.

Desde então e até agora,

– foram feitas 1.490 inserções
– foram feitas 1.578 categorias no índice
– o blogue recebeu 297,348 “hits”
– fizeram-se 2.690 comentários
– tem cerca de 600 “seguidores” regulares

Nada, mas nada, disto, teria sido possível, sem a inestimável carolice de todos os que enviaram, ou permitiram que eu fosse colocando, as fotografias e as informações aqui colocadas à disposição de quem as quiser ver.

Agradeço o interesse partilhado neste assunto.

O tema deste blogue é todo o desporto relacionado com Moçambique ao longo das décadas. Muito mais falta fazer, quer no que concerne o desporto antes, quer depois da Independência. Para tal, conto com o renovado apoio dos desportistas e de todos os interessados no tópico, enviando fotografias e informações para o email bcaluanda@gmail.com .

Não só constitui um registo aberto do que foi feito e por quem, como poderá ajudar no estabelecimento de referências para gerações futuras.

Hoje começa o 3º ano.

ENCONTRO DE NATAL COM O GRANDE TENISTA SR. ANTÓNIO TRINDADE

Esta nem inventada.

Na véspera de Natal fui comer um sorvete com os meus amigos de infância Sotero e Paulo Morgado (filho e sobrinho dos Engenheiros Morgado que muita obra fizeram em Moçambique e meu colega na então Escola Rebelo da Silva) e depois fomos ao Café e Cozinha do Campo, do Luis Feio, que fica em Carcavelos, para dizer olá ao Luís e à família. O Luis também é de Moçambique e a comida é boa e a hospitalidade…bem, sabem como é – do melhor.

Estávamos lá sentados quando pela porta entra nada menos que António Trindade, campeão e figura incontornável do ténis em Moçambique antes da Independência. O Luis conhecia-o bem de vista mas não conhecia as suas credenciais desportivas, que incluem o Sr. Trindade ser actualmente (78 anos) campeão do ténis de Masters de Portugal.

Desavergonhadamente, corri a cumprimentá-lo e tirei as fotos em baixo.

Foi a primeira vez que conheci pessoalmente o grande Campeão – uma verdadeira surpresa e uma grande prenda de Natal.

Pedi ao Sr. Trindade umas fotografias suas para colocar aqui, ao que ele gentilmente acedeu.

Sotero Freitas, Paulo Morgado e ABM.

 

O Sr. António Trindade entre ABM e Paulo Morgado.

 

Mais uma foto com o grande campeão de ténis.

 

EURICO PERDIGÃO E AMÉLIA SAMPAIO CELEBRARAM ANIVERSÁRIOS A 24.12.2011

Leonel Gomes, Eurico Perdigão, sua mulher Filomena, Dulce Gouveia, Marcela Forjaz e Amélia Sampaio.

Eurico Perdigão, que foi um dos treinadores mais memoráveis do Grupo Desportivo Lourenço Marques, e mais tarde no Sport Algés e Dafundo, completou hoje 80 anos de idade.

Amélia Sampaio (Cerqueira), que nadou nos Velhos Colonos, completou 31 anos de idade (em cada pé).

Assim, para se assinalar a ocasião, uma pequena delegação deslocou-se a Linda-a-Velha esta manhã para assinalar as efemérides.

A reportagem fotográfica, com agradecimentos ao Carlos Oliveira:

O cartão com as dedicatórias, incluindo as por procuração.

Eurico Perdigão na sua casinha no Desportivo LM, foto completamente restaurada. Anos 1960.

A famosa "Carta Aberta a um Jovem Nadador". Na ocasião, li um curto texto intitulado "Carta Aberta a Um Velho Treinador".

Eu a fotografar o cartão de parabéns enquanto a Dulce Gouveia escreve e a Amélia Sampaio preside e bebe um café.

O Sr. Leonel Gomes, que também foi meu treinador, inscreve a sua mensagem.

O bolo de aniversário.

Os Drs. Marcela e Victor Cerqueira.

O Sr. Perdigão entra na sala, sem sonhar que estávamos lá.

Perdigão e Filomena obervam meio incrédulos enquanto todos cantamos "parabéns a você."

Perdigão e Filomena escutam enquanto nós desafinamos a cantar.

Leonel e Dulce entregam prendinha de anos.

Perdigão observa enquanto pensa "aqui está um tipo a fazer 80 anos e estes gajos oferecem-me um livrinho".

Perdigão e Dulce analisam o livro oferecido, que é uma compilações de recordes mundiais.

Perdigão abre o cartão de parabéns enquanto rodeado por Leonel, ABM, Dulce, Victor e Amélia.

Perdigão lê o cartão.

Perdigão comenta o cartão.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Foto de grupo.

Perdigão e Amélia, os aniversariantes.

Perdigão e Amélia.

Perdigão e Dulce Maria.

ABM e Perdigão.

ABM e Perdigão.

Perdigão e Dulce Maria.

Com os óculos da Marcela, ABM lê "Carta Aberta a Um Velho Treinador.".

Mais um momento da leitura do texto.

Fim do discurso.

O fio dos óculos prendeu-se na cadeira...

Perdigão manda-me fazer mais 1500 metros mariposa de castigo.

Cantando mais uma vez "parabéns a você", desta vez para soprar as velas no bolo.

Uma neta do Perdigão corta o bolo.

Brinde com champanhe.

Brindando.

Ainda trocando brindes, Leonel à direita.

Fim do brinde.

 

E como nunca é demais, aqui mais fotos da solene ocasião:

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