THE DELAGOA BAY COMPANY

Fevereiro 6, 2011

CARLOS PRATA ANTUNES, CAMPEÃO DE AUTOMOBILISMO, NAS 3 HORAS DE LM, 1972

Estas fotos foram muito gentilmente enviadas por Neza, irmã de Carlos e Teófilo (Zézé) Prata Antunes.

 

Dia 29 de Outubro de 1972- 3 Horas de Lourenço Marques. À esquerda o grande Carlos Prata Antunes, a ser felicitado pela sua irmã, Neza. Neste evento, Carlos Prata Antunes foi o 1º Classificado entre os concorrentes portugueses, 4º lugar no Índice de Rendimento (geral) e 11º Classificado na Tabela Geral.

No mesmo dia, o clã Prata Antunes na pista. Da esquerda Teófilo (Zézé), Neza de Carlos Prata Antunes.

Fevereiro 4, 2011

AS 3 HORAS DE LOURENÇO MARQUES 1972 – MAIS FOTOS POR ANTÓNIO CARVALHAL

Filed under: 1970 anos, 3 Horas de LM 1972, AUTOMOBILISMO — ABM @ 8:04 pm

As imagens em baixo fazem parte do trabalho do Senhor António Carvalhal e foram publicadas na revista Auto-Sport. Todas as referências às publicações originais estão contidas numa nota que o Sr. Carvalhal indicou numa nota contida em baixo.

Foto 331

Janeiro 31, 2011

3 HORAS DE LOURENÇO MARQUES, NOVEMBRO DE 1972

Esta evocação das 3 Horas de Lourenço Marques, que foi enviada pelo Rui Nogueira, e se reproduz aqui com vénia, foi compilada por Ricardo Grilo a partir da reportagem da Revista Equipa (colecção Helder de Sousa). O testemunho de Manuel Portela foi retirado de uma mensagem que ele enviou, na sequência da publicação do referido artigo. (sportscar_portugal@hotmail.com) . O testemunho do Sr. Jorge Leite, que se reproduz em baixo e na secção de comentários – e que muito se agradece – foi enviado na sequência da reprodução deste artigo, aqui.

SPRINGBOK SERIES

Esta série de endurance disputava-se  durante o Inverno africano e tinha início após as 9 Horas de Kylami .  Desse modo, nos dois últimos meses de cada ano, algumas pistas da África do Sul, da Rodésia e mesmo o Circuito da Costa do Sol, em Lourenço Marques recebiam os melhores pilotos do sul do continente africano juntamente com alguns especialistas europeus que eram pagos para correr neste campeonato. Deixou de se disputar em 1973, devido à crise do petróleo gerada pela Guerra do Yom Kippur.

Na corrida disputada em Moçambique no ano de 1972 compareceram dois concorrentes claramente favoritos entre os  30 que alinharam à partida : o March 73S BMW de Jody Scheckter, equipado com um motor BMW de  2 litros, 4 cilindros e 16 válvulas, capaz de debitar cerca de 280 CV e um dos novos Chevron B-23 (para Jochen Mass e Gerry Birrell) com motor BDA de 1990 cc e mais de 250 cv de potência (curiosamente, com o capot de motor “lightweight” – cortado na traseira – que fora banido das corridas da FIA mas que aqui ainda era regulamentar). Correram também mais alguns Chevron B21 e B19, equipados com motores FVC de 1990cc (240/245 cv) e ainda alguns B8 também com motores de 2 litros. Paddy Driver compareceu com um Lola T290 com motor Chevy Vega, alegadamente a debitar uma potência que rondaria os 270 cv. Impressionante era o Chevrolet Firenza sul africano de Basil Van Rooyen e Geoff Mortimer, cujo motor V8 de 5 litros desenvolvia cerca de 480 cv e permitia acompanhar as acelerações dos protótipos de 2 litros. Robert Grant que tinha corrido poucos dias antes na corrida do Europeu de GT disputada no Autódromo do Estoril, alinhou com um Datsun 240Z (220 cv) que impressionou pela falta de andamento, tal como já sucedera na prova portuguesa. Entre os pilotos locais, o melhor equipado era Jorge Leite com um novo BMW 2002 “full Grupo 2”.  Prata Antunes com o 1275 GT era o piloto mais aguerrido e um dos mais rápidos valores moçambicanos. Aliás, os dois em conjunto eram os melhores valores do automobilismo moçambicano e, curiosamente, trinta e cinco anos depois da corrida que aqui relatamos o primeiro ainda continua a sua carreira desportiva, agora no Campeonato Nacional de Clássicos em Portugal! Para terminar a apresentação das principais equipas e pilotos falta referir o representante de Angola, António Peixinho que além da participação nas 3 Horas, queria também negociar a disputa de uma manga da Springbok Series em Luanda, no ano seguinte. Na prova partilhou a condução de um Alfa Romeo 2000 Berlina com o Sul-africano Arnold Chatz.

A CORRIDA

Será preciso dizer que as 3 Horas de Lourenço Marques é a melhor corrida de todo o espaço português”.Começa assim a reportagem sobre esta prova que Oliveira Pais fez para a revista Equipa. Independentemente de ser ou não a melhor corrida, de facto era muito interessante sob qualquer prisma que queiramos analisar. As 3 Horas de 1972 tiveram início pelas 15 Horas quando 29 dos 30 carros que tinham alinhado na grelha arrancaram para a prova. O Mazda S102 A de Collin Burford não conseguiu arrancar e saiu com um grande atraso em relação ao pelotão. O jovem Jody Scheckter, ainda longe de imaginar que alguns anos mais tarde viria a ser Campeão do Mundo de Fórmula 1, tomou o comando com o March 73S, seguido a alguma distância pelos Chevron de Birrrell e Charlton. Este último viria a ter problemas e perdeu algum tempo na box, caindo para as profundezas da classificação. Ao fim da primeira hora, Jorge Leite entrou na box com dois pneus furados, comprometendo a boa prova que estava a fazer e perdendo assim o comando entre os pilotos portugueses. Depois do primeiro abastecimento do Alfa Romeo , António Peixinho tomou o lugar de Chatz e pouco depois regressou à box com problemas de travões. Entretanto Schekter entra na box para mudar pneus e perdeu dois minutos a tentar resolver um alegado problemas de embraiagem, cedendo então o comando ao Chevron de Birrel e Mass. Mas estes viriam a ter alguns problemas e deixaram o March vermelho e branco aproximar-se novamente do comando.

Já perto do final, o Chevron de Peter Gethin e o BMW de Jorge Leite colidiram e o piloto português saiu da estrada. Pouco depois Charlton passou para o comando com o March e manteve a posição até 15 minutos do final quando se viu obrigado a entrar nas boxes para  trocar os pneus da frente. Foi assim que a equipa do March ofereceu  o triunfo ao Chevron B23 de Mass e Birrell que tinha sido relegado para a segunda posição.  Ainda antes do fim , o rebentamento de um pneu do Alfa Romeu provocou um despiste e a desistência de Peixinho e Chatz.

Esta prova tinha também uma classificação por rendimento na qual o mais eficaz foi o Toyota Celica de Koos Swanepoel.

Jochen Mass com o Chevron B21 vencedor, na frente do Chevron B8 de Billy Scheepers, de um dos Mazda S102A da equipa Datona Race e do Austin 1275 GT de Carlos Antunes.

 

António Peixinho num monumental "slide" que viria a terminar... com um "tete" do veterano Lotus 23 de Barry de Groor que seguia atrás do Alfa Romeo! Terminava assim um longo e emocionante despique entre estes dois carros de categorias diferentes.

Aspecto das boxes com o Toyota Celica de Chris Swanepoel e Eric Adler seguido do Alfa Romeo 200 de Chatz e Peixinho. Ambos os carros eram apoiados pelos respectivos importadores sul-africanos e o primeiro levou de vencida o Índice de Rendimento.

Jochen Mass disputa uma travagem com Ian Harrower numa luta entre diferentes gerações de Chevrons.

Momento da corrida em Gerry Birrel atravessa o Chevron B23 para evitar o Chevron B8 de Scheepers. Segundo Jorge Leite, a legenda correcta para esta imagem é "momento em que Gerry Birrel atravessa o Chevron B23 após ter tocado no BMW 2002 de Jorge Leite". O seu comentário pode ser lido em baixo.

Dave Charlton tapa o sol poente com a mão, enquanto curva com o March 73S BMW que partilhou com Jody Scheckter, futuro Campeão do Mundo de F1.

O Austin 1275GT de Carlos Prata Antunes, o melhor concorrente Moçambicano. Como se corria com um sistema de "handicaps" não era de todo descabido alinhar com um carro como este Mini de Grupo 2. No final foi 11º da geral e 4º no índice de rendimento.

1º      J.Mass-G.Birrell                 Chevron B21/23 Hart
2º      Scheckter-Charlton           March 73S BMW
3º      Peter Gethin                       Chevron B23
4º      P.Driver-Guy Edwards      Lola T290 Chevrolet Vega
5º      Robinson-Claessens         Chevron B21 Hart
6º      Scheepeers-Wicks            Chevron B8 BMW
7º      Basil Van Rooyen               Chevrolet Firenza CA 302
8º      Angelo Giovannoni             Mazda S102A
9º      Koos Swanepoel                 Toyota Celica
10º    Spaemer-Peter                  BMW 2002 tii
11º    Carlos Prata Antunes       Austin 1275GT
12º    F.Capela-J.Paixão             Morris Cooper S
13º    B.de Groot – T.Martin        Lotus 23B
14º    Ian Smith- R.Young           Morris Cooper S
15º    Robert Grant                       Datsun 240Z
16º    A.Chatz- A.Peixinho          Alfa Romeo 2000 Berlina

Pole Position: Jody Scheckter, March 73S BMW, 1’21″6

COMENTÁRIO DE MANUEL PORTELA

“Estive presente nesta corrida e o que mais me impressionou foi o barulho do Mazda do Ian Schekter , fabuloso , o Mini do Prata Antunes (fazia parte da equipa Ronil do Otto Barbosa da Silva , avô de um dos meus primos) .

Se o minha memoria não me falha, o Chevron do Niki Lauda pegou fogo mesmo à nossa frente , na curva antes da recta da meta.

O Alfa Romeo do Chatz e do Peixinho era uma bomba. O piloto sul-africano chegou a Lourenço Marques ao volante do seu belo Ferrari  verde e o Peixinho ao volante parecia meio maluco. Nessa altura a rivalidade entre os moçambicanos e  angolanos era muito forte , tendo os segundos maior poder financeiro e melhores carros . Entre os estrangeiros presentes, recordo-me particularmente do Firenza do Van Rooyen, equipado com um motor Chevy V8 e que andava muito depressa. Por seu lado, limitado pelo carro que possuía, o Angelo Giovannoni era  piloto muitíssimo rápido ao volante do Mazda S102 .

Entre os pilotos locais, a rivalidade entre o Prata Antunes , o Kikas Paixão e o Fernando Capela enorme  e o melhor talvez fosse o Paixão que chegou a correr no Reino Unido.

Nessa prova faltou aquele que talvez fosse um dos melhores pilotos de Lourenço Marques, o Manuel Antunes Guimarães (que há anos que tento descobrir o seu endereço). Nesse mesmo fim de semana fui com ele dar uma volta no Izuzu Bellet de rallyes , o que para um miúdo de nove anos , são coisas que marcam…”

COMENTÁRIO DE JORGE LEITE

“Vi aqui algumas fotos que nunca tinha visto anteriormente, nomeadamente a 5ª foto (acima, foto050), em que eu sou um dos fotografados, no BMW 2002 de que se vê a metade da frente do carro.

Ora eu estava ali, naquele momento, como parte interveniente naquele incidente que, olhando-se somente para aquele momento estático da corrida na foto, não permite ver o que na realidade se passou e por isso digo que a legenda “momento em que Gerry Birrel atravessa o ChevronB23 para evitar o Chevron B8 de Scheepers” não está correcta.

(Interessante que passados estes anos todos esta foto me vem permitir relembrar quem foi o piloto que me tocou e esclarecer dúvidas que tinha e creio não estar enganado).

O que na realidade tinha acabo de se passar naquela altura foi outra coisa.

Estávamos a sair da curva para a esquerda que sucedia ao famoso cotovelo antes de se passar pela ponte Dunlop.

Depois do cotovelo o Chevron B8 ultrapassou-me e o B23 de Birrel que vinha um pouco mais atrás apanha-me na curva e tenta a ultrapassagem por fora.

Eu estava com problemas de subviração no meu BMW, consequentemente a fugir para o lado de fora da curva e com a direcção toda virada para a esquerda. Quando o G. Birrel passa por mim com o carro um pouco em slide (traseira para fora) bate com o bico do capot na minha roda da frente direita que amachucou o aro e perdeu o ar de imediato. Isto fez acentuar o slide do B23 ao ponto de ele ter ficado completamente atravessado durante vários metros, tendo conseguido endireitar o carro no limite e prosseguido. Eu, com a roda vazia saí numa trajectória tangencial e fui parar for da pista no lado direito numa vala que ali havia.

Consegui de lá sair em marcha atrás e voltar à pista para chegar às boxes com muito tempo perdido, seguindo-se a desistência. Na foto pode ver-se com alguma dificuldade a roda vazia, o carro um pouco inclinado, numa posição pouco natural.

Portanto a legenda da imagem devia ser “momento em que Gerry Birrel atravessa o Chevron B23 após ter tocado no BMW 2002 de Jorge Leite”.

A reportagem também diz ter sido Peter Gethin a ter tocado no meu carro. Pelo que atrás descrevi e pela foto, isto não estará correcto.
O Peter Gethin conduzia também um Chevron B23 e com o número 6, o que pode ter dado lugar a estas divergências.”

Create a free website or blog at WordPress.com.