THE DELAGOA BAY COMPANY

Novembro 11, 2011

MENS SANA IN CORPORE SANO – O PROF RUI BAPTISTA, 2011

Fotos amigavelmente extorquidas por mim ao Sr. Prof. Rui Baptista, cuja forma física aos 80 anos de idade (feitos em 19 de Maio) como pode ser atestado em baixo eu já não atinjo aos 51. C’est la vie. São aqueles pesos e halteres todos. Ah, mas ainda consigo carregar os sacos do supermercado para a patroa. Não sei se isso conta.

Mens Sana....

...et Corpore Sano.

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Outubro 17, 2011

“DA PREPARAÇÃO FÍSICA DO JOGADOR DE FUTEBOL”, CONFERÊNCIA DO PROF. RUI BAPTISTA, 1967

(Texto da autoria do Sr. Prof. Rui Baptista.)

Em 20 de Setembro passado foi aqui publicado um post meu, intitulado ?Sobre a notável entrevista de Nuno Martins ao Diário de Notícias (11/09/20111)?, em que dei conta, ainda que pela rama, da publicação no “Notícias da Tarde”, de Lourenço Marques, de uma minha conferência: “Da Preparação Física do Jogador de Futebol”.

Por julgar ser de interesse público dar a conhecer que Moçambique, para além de ser um riquíssimo alfobre de atletas que muito dignificaram o desporto nacional, se preocupava, também, em teorizar uma prática desportiva suportada em conferências sobre esta matéria, envio o teor completo dessa conferência que deve ser interpretada à luz de uma época em que sobre os pesos caía o anátema de fazerem mal ao coração e “prender os músculos” tornando o atleta mais lento.

Aliás, em nossos dias, essa perspectiva deixou de ter suporte face à aplicação de exercícios de musculação intensos por parte dos futebolistas mais credenciados a nível mundial e de que Cristiano Ronaldo se fez paradigma.

Recorte 1 de 6. Para ler, aumente o tamanho da imagem premindo nela com o rato do computador duas vezes.

 

Recorte 2 de 6. Para ler, aumente o tamanho da imagem premindo nela com o rato do computador duas vezes.

 

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Setembro 21, 2011

SOBRE A NOTÁVEL ENTREVISTA DE NUNO MARTINS AO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE LISBOA (11/9/2011)

Nuno Martins na Académica de Coimbra. Antes de ir para Moçambique.

Este texto foi gentilmente enviado e é da autoria do Sr. Prof. Rui Baptista.

A propósito desta entrevista, ao antigo treinador de futebol de Sporting de Lourenço Marques [que pode ser lida premindo AQUI] dei comigo a folhear páginas do meu dossiê, onde guardo os meus artigos e outros textos noticiosos de jornais. Assim, no “Notícias da Manhã” (Lourenço Marques, 15/03/67) foi publicada uma notícia com o seguinte titulo “Colóquio de Treinadores”, e o subtítulo, “Encerrou- se ontem o ciclo de palestras que decorreram em nível elevado”.

Consta da referida notícia, o seguinte texto:

“A sessão abriu com uma palestra gravada proferida em Agosto de 1956 pelo saudoso mestre Cândido de Oliveira aquando da sua visita a Lourenço Marques com a equipa da Académica que infelizmente não pôde ser ouvida na íntegra por deficiência de audição. “Seguiu-se a palestra proferida pelo professor de educação física Rui Baptista, que apresentou um trabalho brilhante. Nos debates que se seguiram intervieram vários dos presentes, sendo de destacar a polémica travada ente o apresentante e o treinador de futebol Nuno Martins, sob certos aspectos de pormenor que resultaram deveras interessantes pelos esclarecimentos de alto índice técnico desenvolvidos pelo professor Rui Baptista.

A encerrar a sessão o presidente da A.P.F.M., Carlos Machado, focou alguns as aspectos das sessões e salientou que as reuniões haviam servido, ainda, para estabelecer um maior nível nas relações humanas”. Relações humanas que me levam a enviar, aqui de Coimbra, um abraço grato a Nuno Martins, um treinador culto, com quem me deu gosto estabelecer a referida polémica, pela troca de conhecimentos (por parte de ambos) de utilidade para a “cientificação” do treinamento dos futebolistas moçambicanos.

Nos dias 15, 16 e 17, desse mesmo mês, era publicado no “Notícias da Tarde”, o texto completo da palestra, repartido por estes três dias devido à sua extensão, com o título “Da Preparação Física do Jogador de Futebol” e o subtítulo “Palestra proferida pelo professor Rui Baptista, no Colóquio de Treinadores de Futebol”. Devido à extensão desses três textos, limito-me a transcrever a respectiva introdução:

“Iniciamos hoje, a publicação do excelente trabalho apresentado ontem, pelo professor Rui Baptista, na sessão de encerramento do Colóquio de Treinadores de Futebol, organizado pela Associação Provincial.

Focando o tema “Preparação Física do Jogador de Futebol”, este brilhante trabalho encerra doutrina que, pelo seu elevado nível, merece ser divulgado na medida em que poderá concorrer para o esclarecimento de problemas de ordem anatómica, biológica, médica, higiénica e genética. Na sua leitura todos poderão colher preciosos ensinamentos especialmente aqueles a quem cabe a elaboração de calendários de jogos, que assim ficam habilitados a poderem compreender o perigo que representa para a saúde dos jogadores a realização de dois, três jogos de competição por semana.

Assim, por julgá-lo de flagrante oportunidade, passamos hoje a publicar este trabalho dum técnico competente e sabedor que, além disso, conhece perfeitamente o meio, tendo, por várias vezes, prestado o seu valioso concurso, quer a Associações, quer a clubes, em diversas modalidades”.

Nesta palestra defendi acaloradamente a integração de exercícios com pesos e halteres na preparação das equipas de futebol, tema considerado tabu naquela época como o era quando ministrei pesos e halteres na preparação física dos nadadores moçambicanos que se deslocaram aos Campeonatos Nacionais de Natação (1958) onde bateram vários recordes nacionais. com grande destaque para a campeoníssima Regina Veloso. Que distância de mentalidades ou alergia aos pesos dos dias em comparação com os dias de hoje em que Cristiano Ronaldo se tornou o paradigma da sua grande importância no desenvolvimento muscular do actual jogador de futebol. Pode ser que um dia destes, escreva um texto a transcrever a defesa que fiz no referido colóquio dos pesos e halteres na preparação física dos futebolistas. Aliás, no campo prático, anos antes, ministrei preparação física com pesos à equipa de futebol do Clube Ferroviário de Moçambique, sendo então treinador Castela, uma velha glória do Belenenses .

Se esta minha modesta contribuição outro interesse não tiver, pelo menos, um terá: noticiar o pioneirismo histórico de Moçambique no campo da preparação física do futebolista com pesos e halteres em território nacional que se estendia do Minho a Timor.

P.S.: A transcrição dos textos jornalísticos foi feita palavra por palavra.

Julho 27, 2011

A SELECÇÃO DE VOLEIBOL DE LOURENÇO MARQUES DA MOCIDADE PORTUGUESA, ANOS 60

Foto muito gentilmente enviada pelo Sr. Prof. Rui Baptista, treinador da equipa que se pode ver em baixo, que por sua vez lhe foi enviada pelo seu ex-pupilo, Amadeu Coelho, que por sua vez lhe foi enviada pelo seu amigo Vasco de Freitas, que a obteve do Grande Eduardo Horta, figura sempre grata nesta Casa. Fica aqui registado e depositado.

Amadeu Coelho foi campeão de pesos e halteres no campeonato de Lourenço Marques na categoria de pesos pesados, em representação do Clube Ferroviário de Moçambique. Talvez um dia destes ele mande para aqui umas fotos dos seus tempos. Actualmente vive para os lados de Mafra.

Para ver a foto em todo o seu esplendor, prima nela com o rato do seu computador.

A Selecção de Voleibol de Lourenço Marques da Mocidade Portuguesa, treinada pelo Prof. Rui Baptista. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5, P6 e P7. De joelhos: J1, J2, J3, J4 e J5. A quem souber os nomes, peço que escreva para aqui.

Junho 3, 2011

RUI BAPTISTA, ANOS 60

Foto genmtilmente enviada pelo Sr. Prof. Rui Baptista e retocada por mim.

O Prof. Rui Baptista leccionou na Escola Industrial em Lourenço Marques e era activo no culturismo e pesos e halteres.

O Prof. Rui Baptista, na Costa do Sol, na companhia de um dos seus seis filhos, Nuno Eduardo.

BREVES SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO CULTURISMO EM MOÇAMBIQUE, PELO PROF. RUI BAPTISTA

O esplêndido edifício do templo maçónico de Lourenço Marques, na Avenida 24 de Julho, em meados dos anos 1920. Choca ver que, sendo ainda hoje em Portugal a maçonaria assunto de faca e alguidar, em Moçambique era assunto tratado à vista de toda a gente. Poucos anos depois veio o novo regime e o edifício foi convertido na Escola Industrial - e onde o Prof. Rui Baptista ajudou a formar gerações futuras. Suponho na altura que os maçónicos voltaram todos de volta para o undergound.

(texto da autoria do Sr. Prof. Rui Baptista)

Respondendo ao amável convite do meu amigo António Botelho de Melo (Tomané), sempre pronto em noticiar acontecimentos desportivos ocorridos nessa saudosa terra do Índico, eis-me aqui novamente, com o prazer que me dá recordar esses tempos.

Começo  por transcrever pequenos excertos de uma longa entrevista por mim dada ao jornal moçambicano “NOTÍCIAS” (23/09/1963), em  vésperas da realização dos “Campeonatos Abertos de Bench Press”, inseridos nas Comemorações do 39º ano do Clube Ferroviário de Moçambique:

“Natural me parece que o Ginásio apresente uma equipa mais forte. Fundamenta-se esta minha convicção na existência da sua secção de Pesos e Halteres ainda mesmo antes da minha chegada a esta  cidade vai para cima de seis anos. O Ferroviário tem a sua secção a funcionar  há mais ou menos dois anos. Forçosamente, este é  um factor a ter em  consideração. Seja como for, a equipa que treino  vai na disposição de discutir o primeiro lugar, já que o segundo está desde já ao seu alcance!!! O que mais importa é o progresso da modalidade que só será possível e desejável  com competições deste género.

O júri deste concurso  é constituído por um presidente (convidado pelo Ferroviário)  e por dois juízes: um do ginásio e outro  do clube organizador (Ferroviário). Foi convidado para presidir ao júri , o Delegado da Federação Portuguesa de Ginástica em Moçambique , o major Garcia Alvarez,  sendo os juízes por parte  do Ginásio e do Ferroviário, respectivamente, os senhores Carlos Costa e Epifânio Cunha.

Tínhamos ouvido o suficiente para esclarecermos os nossos leitores do que será a realização dos ‘locomotivas’  no campo dos pesos e halteres.

Agradecemos ao professor Rui Baptista a atenção dispensada e ele lá foi  para a sua tarefa de contribuir para que a juventude local se torne mais forte e saudável pela cultura física , praticada em bases pedagógicas certas,  de experiência e saber feitas por quem sabe o que quer e para onde caminha, através de uma acção profissional assente em preparação que se torna indispensável para bem servir e cumprir!”

Finalmente, na noite de 28 de Setembro de 1963, realizou-se, no Ginásio do Clube Ferroviário, repleto de um público entusiasta, a referida competição com a participação de sete atletas do Ginásio de Lourenço Marques, 12 do Clube Ferroviário de Moçambique e um independente. Dou agora notícia dos atletas classificados nos primeiros três lugares das três categorias: leves, médios e pesados. Assim:

CATEGORIA DE LEVES (atletas com o peso corporal até 67,5 quilos )::

1.º Carlos António (Carvalhinho), do Clube Ferroviário de Moçambique (CFM) com o peso corporal de 60 quilos, e o levantamento de 101,925 quilos.

2.º Pedro Laranjeira, do CFM, com o peso corporal de 62,5 quilos, e o levantamento de 86,07 quilos.

3.º Artur Roxo, do CFM, com o peso corporal de 65,1 quilos, e o levantamento de 86,07 quilos.

CATEGORIA DE MÉDIOS ( atletas com o peso corporal até 82,5 quilos):

1.º Rui Baptista, do CFM, com o peso corporal de 75 quilos,  e  o levantamento de 122,31 quilos.

2.º Veloso do Amaral, Ginásio de Lourenço Marques (GLM), com o peso  corporal de 71,9 quilos, e o levantamento de 117,78 quilos.

3.º Manuel Carvalho (Baião), do GLM, com o peso corporal de 79,5 quilos, e o  levantamento de 117,78 quilos.

CATEGORIA DE PESADOS (atletas com o peso corporal acima dos 82,5 quilos):

1.º José Coelho, do CFM; com o peso corporal de 90 quilos, e o levantamento de 134,08 quilos.

2.º Leong Siu Pun, do GLM, com o peso corporal de 83,2 quilos, e o levantamento de 131,37 quilos.

3.º Fernando Morgado, do CFM, com o peso corporal de 85,5, eo levantamento de 80,6 quilos.

Para a classificação por equipa (conforme constava do regulamento do concurso) foram atribuídos 3 pontos ao 1º. classificado de cada uma das categorias, 2 pontos ao 2.º classificado e 1 ponto ao 3.º classificado. Venceu a competição a equipa do Clube Ferroviário de Moçambique com  13 pontos, tendo a equipa do Ginásio de Lourenço Marques obtido 5 pontos.

Julgo de interesse referir que nesse tempo os esteróides, substâncias aceleradoras do crescimento da massa muscular e aumento da força,  não  constavam da preparação “química e criminosa” destes atletas tornando estes resultados  de grande nível nacional (não tenho dados comparativos que  me permitam considerar uns tantos como recordes nacionais). Mais esclareço que todos estes resultados estão certificados por dois  artigos do jornal  “Tribuna” (respectivamente publicados  em 29 de Setembro e 1 de Dezembro de 1963), cujos recortes mantenho em meu poder numa pasta de artigos que o tempo e as traças tentam destruir.

Por último, seria interessante que algum ou alguns dos atletas que participaram neste Campeonato enriquecessem este modesto post com os seus comentários. Seria uma forma de avivar a recordação desses tempos e estabelecer contacto  com atletas que muito dignificaram o culturismo moçambicano. Valeu?

Maio 27, 2011

LEONG SIU PUN, ANOS 60

Filed under: 1960 anos, CULTURISMO, Leong Siu Pun, Leong Siu Pun, PESCA SUBMARINA — ABM @ 1:07 am

Foto gentilmente enviada do Texas pelo Walter Gameiro.

O grande Leong - e um grande peixe.

Leong junto de um tubarão.

Leong

Mais uma foto de Leong.

Outra foto de Leong.

LEONG SIU PUN E WALTER GAMEIRO NO CLUBE NAVAL DE LM, ANOS 60

Foto gentilmente enviada do Texas pelo Walter Gameiro.

Leong é uma lenda da caça submarina de Moçambique.

Leong e Walter no Clube Naval de Lourenço Marques, anos 60.

Maio 26, 2011

A PESCA SUBMARINA NO CLUBE NAVAL DE LM, ANOS 60: NUNO QUARTIN, LEONG SIU PUN, SÉRGIO PERES, RAFA E LUIS MENDOL

Fotos gentilmente enviadas do Texas pelo Walter Gameiro.

Esta fotografia foi separada do anterior inserção.

Leong Siu Pun aparece nas secções de Pesca Submarina e de Culturismo.

Falta um nome, se por acaso conhecer a pessoa, por favor escreva para aqui.

Os craques da pesca submarina de Moçambique, no Clube Naval. Na imagem, de pé da esquerda: Nuno Quartin, Leong Siu Pun, Sérgio Peres e Rafael Amorim ("Rafa"). De joelhos: J1 e Luis Mendol.

Sobre esta fotografia, Pedro Cerqueira escreveu esta nota: “acerca dos craques da caça-submarina, na foto em cima, lembro que os de pé eram os meus ídolos e orientadores desse desporto, na altura (1961/1963?). A foto foi tirada no velho Clube Naval de LM. De pé: Nuno Quartim, Leong Siu Pun, Sérgio Peres e Rafa(el)(Amorim?). De cócoras: C1 e Luis Mendol (Mendes de Oliveira, mas sem muita certeza). Cumprimentos.”

Maio 13, 2011

MÁRIO RUI RESENDE, CULTURISMO, ANOS 60

Filed under: 1960 anos, CULTURISMO, Mário Rui Resende — ABM @ 12:26 pm

Foto de Mário Rui Resende.

Apesar de ter praticado outros desportos, o Mário brevemente praticou o culturismo. Este fotografia data dessa altura, quando ele tinha cerca de catorze anos de idade.

Mário Rui Resende a mostrar o físico, com 14 anos, em Lourenço Marques.

Março 31, 2011

LOURENÇO MARQUES/MAPUTO, OS PESOS E HALTERES E O DOUTOR COOPER, POR RUI BAPTISTA

Filed under: 1970 anos, 2010 anos, Comentário, CULTURISMO, Rui Baptista — ABM @ 10:47 pm

O texto que se segue é da autoria do Sr. Professor Rui Baptista.

Os processos da ciência são característicos da acção humana, porque se movem pela indissolúvel união do facto empírico e do pensamento racional. – J. Bronowski.

Faz parte do meu passado de dezoito anos, na então Lourenço Marques, e do meu grato retorno, ainda que por escassos dias, a Maputo, este trabalho de investigação sobre os Pesos e Halteres (na modalidade de Culturismo) que os tenho como factor muito favorável para a saúde cardiovascular dos seus praticantes se livre de substâncias anabolizantes que anulam por completo esse efeito, contribuindo até para um rol de doenças que arruínam não só o coração como outros órgãos vitais conduzindo-os, por vezes, à sua própria falência.

Vivia-se, então, uma época em que era atribuída à sua prática, pela “vox populi”, e mesmo pela maioria de professores de Educação Física e médicos, diversos mitos sobre os seus malefícios de que destaco três: 1. Fazer mal ao coração; 2. Prender os músculos; 3. Prejudicar o crescimento do esqueleto dos jovens.

O doutor Kennet Cooper fez-se advogado dos malefícios dos Pesos e Halteres para a saúde cardíaca no seu livro “Capacidade Aeróbica” (1972), com a autoridade que lhe advinha da sua profissão de médico e investigador com tamanho interesse pela prática desportiva que na respectiva licenciatura defendeu tese no campo da fisiologia desportiva, entrando, anos depois, para o serviço da Força Aérea onde passou a ter a responsabilidade pelo exigente treino físico dos astronautas norte-americanos. Assim, escreveu ele: “Os levantamentos de peso não aumentam o fluxo da corrente sanguíneo”.

Ou seja, Cooper tornou-se o representante de um sólido axioma pelo arsenal científico de investigação que envolveu um número inicial muito representativo de 5.000 “cobaias”, militares da Força Aérea. O previsível entusiasmo que o seu livro iria despertar em todo o mundo levou um senador norte-americano a considerá-lo “como uma valiosa contribuição para uma América mais sadia”. E o panegírico do senador não se ficou por aqui: “Tenho a certeza de que quando o livro for um ‘best-seller’ (e quanto a isso não tenho a menor dúvida) irá contribuir mais para a saúde e longevidade dos americanos do que qualquer outra descoberta ou realização do ano no campo da Medicina”. Verdade seja dita: a venda deste livro e sua divulgação excedeu largamente as expectativas porque lido, quase como uma bíblia para a aquisição de uma boa forma física, por um incalculável número de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do globo.

Foi, portanto, neste clima de polémica de David contra Golias, que tive o “arrojo”, e ao que sei em acção pioneira, de proferir uma conferência, em 2 de Julho de 1973, na “Sociedade de Estudos de Moçambique”, agremiação científica e literária, Palmas de Ouro da Academia de Ciências de Lisboa, intitulada “Os pesos e halteres e a função cardiopulmonar segundo o teste de Cooper”. Teve esta conferência uma crítica bastante favorável por parte da imprensa moçambicana.

Ampliei esta conferência com um outro estudo sobre os efeitos dos Pesos e Halteres nos valores da tensão arterial dos respectivos praticantes, tendo procedido às respectivas medições o Drs. Jorge Pessoa Monteiro, assistente do Curso de Medicina da Universidade de Lourenço Marques, e o recém-licenciado em Medicina Raul Silveira, atleta de competição de atletismo. De posse destes estudos, mês e meio depois, publiquei um livro com 97 páginas intitulado “Os pesos e halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper.

Em 1997, apresentei, integrada no “V Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa” (Maputo, 24-28 de Março), uma Comunicação intitulada “Modificações tensionais provocadas pelo levantamento de pesos”.

A importância deste Congresso foi posta em destaque, através da seguinte mensagem: “A realização deste já prestigiado evento em Moçambique constitui um motivo de honra, orgulho e alegria para nós Moçambicano, para a Universidade Pedagógica e muito particularmente para o corpo docente e discente da Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto. Honra por termos sido convidados a fazê-lo, orgulho por estarmos a cumprir o desafio e alegria por recebermos nesta nossa modesta e ainda muito jovem Faculdade colegas dos mais variados pontos do mundo que comunicam em Língua Portuguesa”.

Finalmente, em 2002, por saber do grande prestígio que desfrutava no mundo da fisiologia do exercício físico, acrescido do facto de ser um dedicado praticante de pesos e halteres, enviei o meu livro “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper” ao Doutor José Maria Santarem, doutor em Medicina pela Universidade de S. Paulo (Brasil), senhor de um invejável e longo currículo de que enuncio, apenas: 1) Coordenação de Cursos de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo (CECAFI) em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento; 2) Coordenador do Ambulatório de Atividade Física da Disciplina de Geriatria da referida Faculdade,; 3) Autor do capítulo “Treinamento de Força e Potência” da obra “O Exercício – Preparação Fisiológica, Avaliação Médica, Aspectos Especiais e Preventivos”. Mereceu o livro uma crítica lisonjeira, cujo “fac símile” é apresentado numa das fotografias aqui publicadas. Desta forma, julgo ter ficado demonstrado que em Moçambique os Pesos e Halteres mereceram estudos pioneiros de investigação numa época em que o nome de Kenneth Cooper desacreditava fortemente a sua prática.

Tal facto, por si só, justifica a extensão deste meu texto em relato de uma acção em defesa de uma prática desportiva que teve atletas valorosos em Moçambique, terra da minha saudade da sua gente e de uma vida profissional aí decorrida durante aproximadamente duas décadas.

Nota final: Esclarece-se que os atletas testados não praticavam qualquer forma de corrida associada à prática dos pesos e halteres por existir o mito de que a corrida era desfavorável ao crescimento muscular. Este teste realizado nos dias de hoje teria como resultado não se saber até que ponto a corrida poderia influenciar os respectivos resultados.

As fotografias aqui publicadas e legendadas mais não pretendem do que documentar o respectivo texto:

Apresentação do palestrante.

 

Notícias, 3 de Julho de 1973.

Diário, 3 de Julho de 1973.

Vista parcial da assistência à conferência na Sociedade de Estudos de Lourenço Marques.

Diário, 23 de Agosto de 1973.

A Tribuna de 8 de Setembro de 1973.

Pôr do sol no Hotel Cardoso em Maputo, durante o Congresso. À direita do Prof. Rui Baptista o Dr. Joel Matias Libombo, Vice-Ministro da Cultura, Juventude e Desportos de Moçambique.

"Abstract" da comunicação do Prof. Rui Baptista no V Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa (Maputo, 26/03/97).

Comentário do Porf. José Maria Santarém ao livro "Os Pesos e Halteres, a função cardiopulomnar e o Doutor Cooper".

Fevereiro 15, 2011

SOBRE O CULTURISMO

Culturismo em Lourenço Marques. Da esquerda: Adolfo Figueiredo, (?), Manuel Carvalho (Baião), (?) e (?). Ao fundo à direita, o Clube Naval e a Ponta Vermelha.

Este texto é da autoria do Prof. Rui Baptista.

Reporta-se esta fotografia a dois praticantes de culturismo que foram meus alunos no Clube Ferroviário de Moçambique: o primeiro a contar da esquerda, Adolfo Figueiredo, também meu aluno da Escola Industrial, e Manuel Carvalho (Baião) o terceiro.

Foi-me ela enviada da Austrália pelo Baião, que aí vive desde da Independência de Moçambique, como prova muito grata para mim, de que a distância de milhares e milhares de quilómetros não enfraquece (bem pelo contrário!) uma amizade que atravessa continentes sem se perder na poeira do tempo de 57 aos dias de hoje.

Vivia-se então uma época em que se não advinhava sequer que Arnold Schwarzennegger, nascido na Áustria (30/06/1947), se viria a sagrar sete vezes “Mr. Olympia”, desempenhar papéis de acção em filmes de Hollyood e ser nomeado 36.º governador do Estado da Califórnia. Eram outros tempos. Tempos em que escrevi no meu livro esgotado(citado aqui em outras ocasiões) “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o Doutor Cooper”, Lourenço Marques, 1973, pp. 16-17, o texto que reproduzo abaixo:

Instituto Nacional de Educação Física, 1955.

Um finalista propõe-se apresentar, como dissertação final de formatura, um tema escaldante, explosivo mesmo: ‘Pesos e halteres, alguns aspectos mecânicos e anatomo-fisiológicos da modalidade’.

Expõe, com o entusiasmo dos seus vinte e poucos anos, a sua intenção ao então director da Escola, Doutor Mário Gonçalves Viana, que o escuta atenta e compreensivamente, mas que lhe pergunta de chofre: ’Pretende o Curso para o exercer como meio de sustento futuro ou tem outra actividade profissional em mente?’

A resposta foi afirmativa para a primeira destas alternativas, o que conduz ao conselho amigo: ‘Se assim é, se pretende, na verdade, obter a Carta de Curso, desista da sua intenção, porquanto os obstáculos e as dificuldades que vai enfrentar na sua defesa são quase impossíveis de superar’ [referia-se ele aos professores de uma escola superior e tradicional para quem os pesos e halteres representavam uma espécie de afronta aos conhecimentos científicos à época].

Assim, viu-se ele coagido a desistir.

Esse finalista era eu, que confesso a derrota sofrida pelo meu espírito polémico, embora prometendo a mim próprio prosseguir agora, como em outras ocasiões, na luta que sei não me trazer glória e muito menos aplausos. Unicamente a satisfação de um dever cumprido na obrigação de explicar por que pratico pesos e halteres, desde os dois últimos anos do liceu [actuais 11.º e 12.º anos do ensino secundário] e, o que é mais importante, me responsabilizo pela orientação de inúmeros praticantes desta modalidade (há doze, catorze anos? Sei lá!) nesta parcela do Índico.

Todavia, poucas obrigações terão tido para mim a imperiosidade desta e o prazer que me dá o seu público cumprimento numa instituição com a tradição científica da Sociedade de Estudos de Moçambique.

E porque este blogue é um repositório da história do Desporto em Moçambique, recordo aqui o nome de um famoso praticante de culturismo, falecido anos atrás, que conheci aquando da minha chegada a Lourenço Marques, de apelido Nascimento, mas mais conhecido por “Barbell” (nome dado às barras de aço em que se colocam os discos de peso). Esta uma singela homenagem que muito viria a ganhar se, porventura, houver quem dele possua uma fotografia e a envie para o Delagoa Bay.

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