THE DELAGOA BAY COMPANY

Janeiro 5, 2014

EUSÉBIO E RUTE MALOSSO EM LOURENÇO MARQUES, 1960: UMA EVOCAÇÃO

Filed under: 1960 anos, 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira — ABM @ 5:29 pm
A jovem estrela no arranque do seu percurso.

A jovem estrela no arranque do seu percurso.

Já se contaram inúmeras histórias e episódios em redor do Grande Eusébio, que faleceu hoje em Lisboa, cerca de três semanas antes de completar 72 anos de idade.

Mas não esta pequena história, que aqui elenco, em singela homenagem ao superlativo atleta de Moçambique, que inspirou e maravilhou gerações de amantes do futebol em todo o mundo, entre eles o meu Pai, que, vindo dos Açores e de Macau, decidiu ir viver para Lourenço Marques em 1958, e que assistiu ao vivo a todo o percurso de Eusébio, que em nossa casa sempre foi visto como um grande valor moçambicano.

Como é conhecido, o nome de código de Eusébio usado nas negociações que culminaram quando ele viajou de Lourenço Marques para ingressar no Benfica em Lisboa, onde chegou na noite de 16 de Dezembro de 1960, era Rute (ou Ruth) Malosso.

Mas Rute Malosso não era apenas um nome de código.

Havia de facto uma Rute Malosso em Lourenço Marques em 1960.

Rute Malosso era na altura uma jovem filha de Conceição Malosso, casada com Albertino do Vale Malosso, único irmão de Arlindo do Vale Malosso, que vivia em Moçambique desde os anos 20.

O irmão de Albertino, Arlindo do Vale Malosso, era um português mas que tinha cidadania norte-americana. Trabalhava como comissário de bordo de um navio que fazia carreira entre Cuba e os Estados Unidos. O seu pai era italiano (o apelido Malosso origina no Norte da península italiana) e foi chefe dos rebitadores que trabalharam na construção da Torre Eiffel em Paris, inaugurada aquando da realização da Exposição Universal naquela cidade em 1889 (e em que o use dos rebites foi uma inovação tecnológica importante). Mais tarde trabalhou na Ponte Dom Luiz na Cidade do Porto.

Em Portugal, o Pai de Arlindo casou com uma senhora portuguesa, de Tomar, de apelido Vale.

Anos mais tarde, numa viagem em redor de África, no início dos anos 1920, o navio onde Arlindo se encontrava a trabalhar teve uma avaria grave e teve que parar em Lourenço Marques para reparações durante algum tempo. Arlindo era cortador de carnes e arranjou logo emprego num talho de Manuel Cretikos, pai de Jorge Cretikos, uma família de origem grega que tinha vários negócios em Lourenço Marques. Eventualmente, Malosso radicou-se em Moçambique e envolveu-se em vários negócios, entre eles uma rede de talhos em Lourenço Marques.

Pouco depois da sua chegada a Moçambique, Arlindo mandou vir a sua mulher de Portugal e também convidou o seu irmão Albertino (pai de Rute Malosso) que vivia em Portugal, para se juntar a ele em Lourenço Marques, como talhante.

Qual a ligação entre Rute Malosso e a saga do mais famoso desportista moçambicano de todos os tempos?

Quem usou o nome de Rute Malosso aquando da transferência de Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica em Lisboa foi Mário Tavares de Melo, que conhecia Rute e era amigo de Albertino Malosso, pois ambos eram talhantes (cortavam carne num talho em Lourenço Marques, situado no Bazar de Lourenço Marques) e eram adeptos ferrenhos do Benfica na capital da então província portuguesa, onde o jovem Eusébio nascera, filho de um angolano branco de Lubango, Angola, e de uma bonita jovem moçambicana de Xipamanine, Elisa. O pai morreu antes de Eusébio completar sete anos de idade.

No final dos anos 50, o talento do jovem moçambicano, que vinha na senda de enormes talentos futebolísticos já surgidos do futebol moçambicano (Mário Coluna era o pilar do Benfica na altura, por exemplo) já despontara o interesse e pouco antes do seu ingresso no Benfica Bella Gutman, o lendário e mercurial treinador do clube português, voou até Lourenço Marques para observar o jovem talento. Gutman ficou impressionado.

Mário Tavares de Melo foi um dos elementos chave no complexo processo negocial em que Eusébio, que na altura era jogador do Sporting de Lourenço Marques, e que era menor (logo não tinha capacidade jurídica para assinar contratos), acaba, essencialmente por decisão da sua Mãe Elisa, por assinar um compromisso com o Benfica, compromisso esse consubstanciado com o seu registo, dias mais tarde, na Federação Portuguesa de Futebol, como jogador desse clube.

Nas negociações, que envolveram telegramas e telefonemas entre a capital moçambicana e a capital portuguesa, feitos em “aberto” (ou seja, podiam ser escutados e lidos pelos operadores da companhia telefónica em Lourenço Marques e em Lisboa) Mário usava o nome de Rute Malosso para se referir a Eusébio.

Rute Malosso ainda é viva (e saudável), está reformada e hoje reside em Queluz de Baixo, Portugal. Tem dois filhos e uma filha. Apesar de, como era costume na altura, as mulheres tipicamente adoptarem os nomes dos maridos quando se casavam, Rute, que casou com Joaquim Oliveira, manteve até hoje o seu apelido de nascimento – Malosso. Durante muitos anos, trabalhou para o Grupo Pestana.

Não tenho registo de alguma vez Rute Malosso e Eusébio se terem conhecido.

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EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, EXPOENTE DO FUTEBOL, NATURAL DE MOÇAMBIQUE, FALECEU HOJE, 5 DE JANEIRO DE 2014

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 3:26 pm

Profundas condolências a sua Família e aos seus admiradores em todo o Mundo.

 

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Março 10, 2012

MÁRIO COLUNA: RADIOGRAFIA DE UMA ESTRELA, PELA FIFA

O lendário Bobby Carlton cumprimenta o Sr. Mário Coluna num jogo no Estádio de Wembley entre o Benfica e o Manchester United, 29 de Maio de 1968, a 5ª final da Liga dos Campeões Europeus segundo o meu amigo Jorge Figueiredo. O Manchester United venceu esta partida por 4 a 1.

Excelente texto copiado do sítio da Fifa, ligeiramente editado.

Dados de Base

Nome: Mário Esteves Coluna
Data de nascimento: 6 de agosto de 1935
Local: Inhaca, Maputo (Moçambique)
Posição: médio
Clubes: Grupo Desportivo Lourenço Marques (1951-54), Benfica (1954-1970), Olympique Lyon (1970-71), Estrela de Portalegre (treinador-jogador, 1971/72)

Presença na Seleção Portuguesa: 57 jogos (oito golos)

Palmarés
Jogador:
– Dez Campeonatos Portugueses (1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68 e 1968/69)
– Seis Taças de Portugal (1954/55, 1956/57, 1958/59, 1961/62, 1963/64 e 1968/69)
– Duas Copa dos Campeões da UEFA (1960/61 and 1961/62)
– 3º lugar na Copa do Mundo da FIFA 1966

Outros

– Além do futebol, Mário Coluna foi praticante de boxe, basquetebol e atletismo, tendo sido recordista nacional de salto em altura, com uma marca de 1,82 metros
-Regressou a Moçambique, onde foi Ministro do Desporto e presidente da Federação Moçambicana de Futebol
– Foi o primeiro treinador de Rui Costa no Benfica, antes de o médio se tornar uma das grandes estrelas do futebol português
– Depois de uma passagem mal sucedida por França, acabou a carreira como jogador-treinador no Estrela de Portalegre, em 1971/72

Esboço biográfico

O Alto-Maé tem algo de especial. Foi nesse bairro de Lourenço Marques, actual Maputo, a capital de Moçambique, que nasceram grandes nomes do futebol como Matateu, Vicente e Hilário e também foi aí que cresceu um jovem chamado Mário Esteves Coluna, que se viria a tornar num dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos.

Filho de pai português e mãe moçambicana, o jovem Mário não demorou a mostrar grandes capacidades físicas e queda para o desporto. Em pequeno, era perito a trepar árvores para apanhar manga ou cajú e, por isso, ouvia muitas reprimendas do pai, antigo guarda-redes e um dos fundadores do Grupo Desportivo Lourenço Marques.

E foi no Desportivo que Coluna abraçou o desporto. No basquetebol não passou da equipa de reservas, mas surpreendeu no atletismo, tornando-se recordista nacional do salto em altura.

Porém, a glória estava guardada para dentro das quatro linhas, para um avançado que, ainda adolescente, chamou a atenção dos três grandes clubes portugueses.

Tinha sido impedido de jogar pelo Desportivo numa digressão à África do Sul, por causa das leis do apartheid, mas no duelo da segunda mão, em casa, vingou-se e marcou os sete golos da vitória da sua equipa. Nada mau para um miúdo de 17 anos. Tão bom que recebeu, pouco depois, uma proposta do Futebol Clube do Porto, seguindo-se o Sporting, que dobrou o valor da oferta. Mas a vontade do pai e o facto do Desportivo ser uma filial do Benfica, traçaram-lhe o destino. E que destino…

Em 1954, com 19 anos, chega a Lisboa depois de uma incrível viagem de avião que durou qualquer coisa como 34 horas e que o levou até ao Lar do Jogador do Benfica, onde ficavam a viver os jogadores que não tinham casa própria. Coluna não gostou e os primeiros tempos não foram fáceis.

Tinha chegado com rótulo de estrela, mas ainda demorou um pouco a convencer o então técnico do Benfica, Otto Glória. Afinal, para a posição de ponta-de-lança já existia José Águas, mas o treinador brasileiro viu mais longe. Percebeu as qualidades de passe e a forte presença em campo do jovem e apostou que Coluna poderia vir a ser um grande médio. Aposta mais que ganha.

A estreia com a camisola encarnada aconteceu num amigável com o Futebol Clube do Porto e, no primeiro jogo oficial para o campeonato português, o ainda adolescente mostrou para o que vinha. Marcou dois golos na goleada (5-0) contra o Setúbal, os primeiros de muitos que viria a assinar durante as 16 épocas consecutivas que representou a equipa lisboeta, pela qual fez 677 jogos e marcou 150 golos oficiais.

E se os números não dizem tudo, os títulos mostram bem o que Coluna conseguiu no Benfica.

Até 1954/55, o Sporting dominava o futebol português, mas nas 16 épocas que se seguiram o Benfica somou nada mais nada menos do que dez títulos nacionais e seis Taças de Portugal, além de atingir a glória europeia, com Coluna a marcar um dos golos na conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, em 1960/61, frente ao Barcelona.

Quando, no final de 1960, chegou a Lisboa mais um jovem vindo de Moçambique, já Coluna era uma das grandes figuras do Benfica campeão europeu. Esse jovem também era natural de Lourenço Marques e dava pelo nome de Eusébio da Silva Ferreira. Chegou à capital portuguesa jovem, tímido e com uma carta no bolso para entregar a Coluna.

Afinal, as famílias de Coluna e Eusébio conheciam-se de Lourenço Marques e a mãe do Pantera Negra, preocupada com o bem-estar do filho em Lisboa, escreveu a Coluna a pedir que olhasse pelo jovem Eusébio. Foi o que fez aquele que, até hoje, se considera o “padrinho” de uma dos maiores avançados de todos os tempos do futebol mundial.

Levou Eusébio a abrir a primeira conta num banco e, todos os meses, tratava das suas finanças até que o adolescente se tornou adulto e constituiu família. Juntos, dentro do campo, ajudaram o Benfica a conquistar o segundo título de campeão europeu.

Em 1961/62, a final da Taça dos Campeões Europeus colocou frente-a-frente o Benfica e o Real Madrid. Os espanhóis chegaram ao intervalo a vencer por 3-2, com três golos de Puskás, mas a reviravolta na segunda parte começou com um golo de Coluna, cabendo a Eusébio fazer o resto.

Aos 17 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou uma grande penalidade a favor do Benfica e Coluna preparava-se para cobrar o castigo máximo quando ouviu a voz tímida de Eusébio: “Senhor Coluna, posso marcar o penálti?”. Assim mesmo, com a reverência do título de senhor, Coluna acedeu ao pedido e o Pantera Negra fez o 4-3, antes de bisar e fixar o resultado final em 5-3.

E no final desse jogo em Amesterdão, o jovem Eusébio tinha mais um favor a pedir ao “senhor Coluna”. Tímido, não teve coragem de pedir a camisola do seu grande ídolo Alfredo Dí Stefano e foi Coluna que se dirigiu ao hispano-argentino para pedir a camisola do Real Madrid que Eusébio guardou nos calções durante os festejos e que considera, até hoje, como um dos maiores troféus que conquistou no futebol.

Foi da base do Benfica bicampeão europeu – e que perdeu as três finais seguintes, sempre com Coluna como capitão – que se construiu a seleção portuguesa que viria a brilhar na Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1966. Germano era o capitão da equipa, mas como não era titular, a braçadeira foi entregue a Coluna que, em terras de Sua Majestade, mostrou a classe do costume no centro do terreno, ajudou Eusébio a sagrar-se o artilheiro da competição e levou Portugal ao terceiro lugar do Mundial, feito que ainda é, até hoje, o melhor da seleção das Quinas em Copas do Mundo.

Depois da epopeia inglesa, Coluna voltou para mais três épocas no Benfica, do qual se despediu em 1969/70 partindo para um ano ao serviço do Lyon. O regresso ao Estádio da Luz aconteceu em dezembro de 1970 para um jogo de homenagem frente a uma seleção mundial onde estavam nomes como Johan Cruyff e Bobby Moore, entre muitas outras vedetas. Alinhou 15 minutos com a camisola encarnada, saindo debaixo de uma enorme ovação. Estava previsto jogar alguns minutos pela outra equipa, mas recusou-se. Afinal, não conseguia defrontar o clube do coração.

Já era o Monstro Sagrado dos benfiquistas, o Didi Europeu como lhe chamavam os jornalistas brasileiros, ou, simplesmente, o Senhor Coluna como lhe chamava Eusébio.

(fim)

Março 8, 2012

DISCURSO DE TRÊS MINUTOS E MEIO DO SR MÁRIO WILSON, 2008

Vídeo gentilmente enviado para mim pelo insofismável Rogério Carreira.

Intervenção do Sr. Mário Wilson aquando do 108º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, um clube de Lisboa.

Aqui se podem ver também Eusébio e o Sr. Mário Coluna.

 

 

Janeiro 25, 2012

EUSÉBIO AOS 70: RETROSPECTIVA DA FIFA

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 9:09 pm

Eusébio assinala o seu 70º aniversário hoje, 25 de Janeiro de 2012.

O sítio oficial da FIFA hoje publicou este texto, não assinado, que reproduzo em baixo.

Uma nota: não entendo bem como é que a história se encaixa (leia o exmo. Leitor em baixo) mas havia uma senhora em Lourenço Marques chamada Rute Malosso, ela ainda é viva e reside aqui em Portugal. Só havia uma família Malosso em Moçambique.

Título: Mais um golo do Pantera Negra

Em pleno agito cultural da década de 1960, os felinos estavam na moda entre a aristocracia europeia. O pintor espanhol Salvador Dalí não se separava de Babou, a sua jaguatirica de estimação; os tigres viraram presentes de luxo para socialites na Rússia; e dois excêntricos australianos transformaram Christian, um leão que logo ganharia fama internacional, em morador de uma badalada rua de Londres.

Um húngaro de 61 anos não tinha a menor intenção de aderir ao clube dos bichanos quando saiu da sua casa em Lisboa para cortar o cabelo no final da década de 60. Ao lado dele na barbearia, porém, estava sentado um antigo conhecido que exaltava uma pantera negra que havia visto durante uma viagem a Moçambique. Entusiasmado, o homem embarcou para Maputo cinco dias mais tarde. Lá chegando, encantou-se com o predador.

No entanto, a tal “pantera negra” fazia as suas vítimas em campos de futebol, e não na selva. O nome por trás do apelido era Eusébio. E o homem que estava à sua caça era o técnico do Benfica, Béla Guttmann. O húngaro havia recebido a dica do brasileiro José Carlos Bauer, a quem havia treinado no São Paulo alguns anos antes.

O caminho do garoto de 17 anos rumo ao Estádio da Luz, porém, não seria nada tranquilo. Eusébio jogava pelo Sporting Lourenço Marques, time da capital moçambicana que formava atletas para o tradicional Sporting Lisboa, que, por sua vez, já havia chegado a um acordo para contratar o atacante. No entanto, Guttmann foi ágil e rapidamente propôs um contrato que garantia ao humilde desconhecido o mesmo salário do ídolo Mário Coluna, meio-campista nascido em Moçambique que havia se firmado como um dos melhores jogadores da Europa pelo Benfica. Durante a negociação, o irmão de Eusébio exigiu o dobro. Guttmann aceitou prontamente.

O resto da história parece roteiro de filme de espião. Eusébio não cruzou o portão de embarque no Aeroporto Internacional de Maputo para entrar no avião que o levaria a Lisboa: foi conduzido pessoalmente por um automóvel a fim de evitar o risco de ser avistado por outras pessoas. Temendo uma tentativa de sequestro por parte do Sporting, o Benfica enviou o jovem para um lugar remoto no Algarve assim que ele desembarcou na capital portuguesa. Passou dez dias por lá. E caso as investigações do Sporting houvessem sido suficientemente minuciosas a ponto de checarem as listas de hóspedes dos hotéis do sul do país, não encontrariam o menor vestígio: Eusébio havia dado entrada usando o nome Ruth Malosso!

Esforço recompensado

Foi trabalhoso trazer o africano, mas as Águias logo perceberam que havia valido a pena. A ideia original era que Eusébio treinasse com os reservas, mas os planos mudaram depois do primeiro treino para a nova temporada, em junho de 1961. “Se tiver de ser eu que seja, mas alguém precisa sair para ele jogar”, declarou o camisa 9 e capitão benfiquista José Águas.

Águas, Mário Coluna, Joaquim Santana, José Augusto e Domiciano Cavém formavam um envolvente quinteto ofensivo que, cerca de duas semanas antes, havia levado o Benfica a uma vitória por 3 a 2 sobre o Barcelona na final da Copa dos Campeões. Como Guttmann justificaria que um deles fosse tirado da equipe titular às vésperas da decisão do Torneio Internacional de Paris contra o excepcional Santos de Pelé?

A justificativa apareceu quando o Benfica perdia por 5 a 0 — dois de Pelé, dois de Pepe e um de Coutinho. Guttmann soltou a fera e Eusébio anotou impressionantes três gols em 17 minutos, além de ter sofrido um pênalti desperdiçado por José Augusto. No dia seguinte, o rosto do tímido moçambicano que os torcedores do Benfica ainda não conheciam estava na capa da prestigiada revista France Football. A manchete da publicação francesa havia ignorado a vitória santista por 6 a 3 para estampar “Eusébio 3 x 2 Pelé”.

Ao final daquela temporada, Eusébio ostentava uma média de 1,4 gols por jogo na primeira divisão lusitana e, com o placar da final da Copa dos Campeões contra o Real Madrid empatado em 3 a 3, marcou duas vezes para garantir ao Benfica um surpreendente 5 a 3 e a manutenção do título continental. Era o início de uma lua de mel que duraria 15 anos, ao longo dos quais Eusébio conquistou 11 edições do Campeonato Português e cinco da Taça de Portugal, acumulando 638 gols em 614 partidas pelo time lisboeta.

A impressionante eficiência do atacante era fruto de um físico fenomenal. Eusébio corria cem metros em 10,8 segundos — o recorde mundial à época era apenas oito décimos de segundo mais rápido. Além disso, o craque possuía a força de um super-herói dos quadrinhos e o equilíbrio de uma bailarina, assim como uma poderosa impulsão que fazia com que o jogador de 1,75 m levasse a melhor sobre adversários muito mais altos. De acordo com o companheiro de seleção portuguesa Matateu, atacante que também nasceu em Moçambique, o pé direito de Eusébio tinha uma força comparável à dos punhos de Cassius Clay, o Muhammad Ali, pugilista nascido apenas oito dias antes do moçambicano e que também era idolatrado na África nos anos 1960, durante os quais venceu todas as suas 29 lutas, a maioria por nocaute.

Guttmann, por sua vez, preferia comparar a arma preferida do atacante a um famoso satélite soviético. “Ver a bola sair da chuteira de Eusébio era como assistir ao lançamento espacial do Sputnik”, explicou o húngaro. “Além de chutar forte, ele batia na bola com muita precisão. Também era incrivelmente rápido, explosivo e um grande driblador. Era um jogador completo. A contratação do Eusébio foi a maior vitória que o Benfica jamais conquistou contra o Sporting.”

Herói de duas nações

Embora as atuações de Eusébio pelo Benfica tenham dividido a cidade, o desempenho dele com outra camisa vermelha uniram um país. Ele assinalou 41 gols em 64 jogos pela seleção de Portugal e, embora tenha tido somente uma oportunidade de mostrar o seu irrepreensível talento em um grande torneio internacional, o atacante aproveitou a experiência ao máximo.

De fato, Eusébio brilhou na Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1966 marcando dois gols contra o Brasil na primeira fase e selando a eliminação do país que buscava o terceiro título mundial consecutivo, colocando Portugal nas quartas de final da competição. A equipe comandada pelo brasileiro Otto Glória enfrentava a Coreia do Norte e sofreu três gols nos primeiros 25 minutos, mas a atuação inspirada do craque garantiu a virada lusitana para 5 a 3. Na semifinal contra a Inglaterra, o técnico Alf Ramsey contava com dois ótimos zagueiros, Bobby Moore e Jack Charlton, mas estava tão preocupado que incumbiu Nobby Stiles da marcação individual de Eusébio. O português conseguiu chegar às redes, embora de pênalti, mas os ingleses venceram por 2 a 1.

“O Eusébio era um jogador realmente magnífico”, afirmou Charlton. “Ele era muito veloz, forte, tinha um equilíbrio perfeito e era bom de bola. E sabia chutar, também. Para mim, ele era tão bom quanto o Pelé. O nosso técnico não havia posto marcação individual em ninguém. Ele não fez isso contra o (Wolfgang) Overath na final e nem contra o Pelé (no Mundial de 1970), então isso mostra o quanto ele respeitava o Eusébio.” Stiles também passou a respeitá-lo após os 90 minutos daquela noite de julho. O volante do Manchester United perdeu nada menos do que quatro quilos caçando Eusébio pelo gramado de Wembley.

Apesar da derrota para o selecionado britânico, o camisa 13 de Portugal se despediu do torneio em grande estilo. Na decisão do terceiro lugar, contra a União Soviética, Eusébio abriu o placar na vitória lusa por 2 a 1 e acabou na artilharia da competição com nove gols, recebendo a Chuteira de Ouro adidas. “Sempre tive muito orgulho de receber um prêmio”, comentou o atacante, cuja genialidade foi recompensada com a Bola de Ouro em 1965. “Porque não era só para mim, mas para Portugal e para toda a África.”

Além de fazer a alegria de torcedores portugueses e africanos, Eusébio jogou em times do Canadá, México e EUA antes de pendurar as chuteiras em 1979, encerrando uma carreira em que disputou 745 jogos com 733 gols comemorados.

Nesta quarta-feira, o mundo do futebol se une a Eusébio para comemorar mais uma vez. Hoje o craque completa 70 anos. Feliz aniversário, Pantera Negra!

(fim)

EUSÉBIO FAZ 70 ANOS DE IDADE HOJE: ENCORE

1966, o ano em que o nome de Eusébio catapultou para a cena mundial. Aqui, durante o Campeonato do Mundo na Grâ-Bretanha, o Rei está a ser analisado pelo médico da equipa nacional portuguesa, Silva Rocha.

EUSÉBIO FAZ SETENTA ANOS DE IDADE: PARABÉNS AO REI

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 12:18 am

O Rei. O moçambicano mais conhecido em toda a história.

Cito parte de uma nota que João Tomé escreveu no jornal lisboeta Destak de hoje: ” O Pantera Negra cumpre amanhã 70 anos e é homenageado numa biografia escrita por João Malheiro e em emissões especiais das televisões.

João Malheiro, lança amanhã no Estádio da Luz, o livro ‘Eusébio’. Ao Destak, o autor indica que esta pretende ser uma «biografia popular e barata» do «maior jogador português de todos os tempos». Cavaco Silva e Luís Filipe Vieira assinam os textos de abertura e o prefácio é do maestro António Victorino d’Almeida. Para Malheiro, esta é «uma homenagem aos 70 anos daquele que é o meu ídolo de infância, com quem tenho uma grande amizade». «Tem ainda novos textos relativamente à biografia já existente», diz.

Entretanto, [em Portugal]a estação TVI terá amanhã no Jornal das 8, um especial com Judite de Sousa a entrevistar Eusébio no restaurante A Tia Matilde, onde almoça há 50 anos e a RTP terá às 21h outro especial com Cecília Carmo a entrevistar ‘O Rei’.

733 golos marcados por Eusébio em 745 jogos oficiais ao longo da sua carreira. O Rei distinguia-se pela velocidade e pelo remate brutal.”

Janeiro 5, 2012

A EQUIPA DE FUTEBOL DO SPORTING CLUBE DE LOURENÇO MARQUES, 1959-1960

Foto do grande  Braga Borges por via da Sra D. Mirene Graça, leoa moçambicana.

A equipa de futebol do Sporting Clube de Lourenço Marques, Campeões Distritais de Júniores em 1959-1960 após ganharem por 2-0 ao Desportivo num jogo disputado no campo do Ferroviário. De pé, da esquerda: Elísio Pereira (Treinador) , Orlando , Bessa , Leitão , Sau, Saíde , James (capitão), Eusébio, Coelho, Braga Borges e Cambé (massagista). De joelhos: Sancho Martins, Roberto da Mata, Manuel António, Morais Alves, Eduardo e Madala.

Janeiro 3, 2012

A SELECÇÃO DE PORTUGAL DE 1966 E O INGREDIENTE MOÇAMBICANO

Foto do grande Vicente Lucas.

Grato aos nossos amigos que escreveram e ajudaram a colocar os nomes.

A Selecção Nacional de Portugal, 1966. De pé, da esquerda: Germano (Capitão), Jaime Graça, Festas, Hilário da Conceição, Vicente Lucas e José Pereira. De joelhos: José Augusto, Torres, Eusébio, Mário Coluna e Simões.

Dezembro 23, 2011

A EQUIPA DE FUTEBOL DO SPORTING DE LOURENÇO MARQUES, 1960, A CORES

A equipa de futebol do Sporting de Lourenço Marques, 1960. Para ver esta fotografia em tamanho gigante, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador. Faltam os nomes dos rapazes. De pé, da esquerda: Helder Silva, Cambé (massagista), Sr. Freire, (treinador), Nuno Martins, Costa (Galinha), M. Martins, A. Gama, Fernando Simões, Rangel, Amílcar e Gomes (Milicas). De joelhos: Lomelino (Paiol), Ângelo, Claudino Ribeiro, José Bernardino Gomes Júnior, Eusébio, Frederico e Madala.

Dezembro 4, 2011

ALEXANDRE FRANCO E O RACISMO NO DESPORTO EM MOÇAMBIQUE NO TEMPO COLONIAL

Alexandre Franco, um dos alicerces do basquet em Moçambique pré-Independência.

As declarações de Eusébio na entrevista concedida à revista Única iniciaram algum debate em torno da questão do racismo em Moçambique e no desporto de Moçambique antes da Independência. De alguma forma, tento recolher esses testemunhos, que poderão ser do interesse dos exmos. Leitores e para futura referência.

Em baixo, na primeira pessoa, o comentário de Alexandre Franco, um dos grandes do desporto moçambicano pré-independência, na modalidade de basquet.

Alexandre Franco hoje reside na grande cidade de Toronto, no Canadá, onde gere o Millennium-Post, uma publicação em língua portuguesa.

Mas nunca esqueceu Moçambique, tendo estado em Maputo recentemente de visita.

O seu comentário:

Conheço bem o Alberto Rodrigues e sei que ele também me conhece. Respeito as suas palavras e a verdade é que ele é um bom bocado mais velho do que eu. Diria mesmo que cerca de 10 anos.

Contudo, tudo quanto ele diz, e eu nasci em Moçambique e sou de raça branca, nem no Desportivo, nem no Sporting, nem no “seu” (do Alberto) Ferroviário, pois ele sempre foi mais conhecido como jogador de basquetebol do Ferroviário e de futebol, do Indo-Português, do que como treinador, que também foi, do Desportivo e do Malhangalene, condiz com a minha vivência, desde os meus cinco anos de idade, primeiro no Ferroviário, nos tempos do Lenine, do Luís Pina, do Adão “Linda”, do Desportivo do Frederico Morais, do Becas, do Carlos Alemão do Chico Martins, do Sporting do Octávio Bagueiro, do Branquinho, do Bebé, do Hélder Silva e com estes nomes ele bem sabe que estou a referir-me aos meus tempos de miúdo, ou seja dos meus cinco anos. Mas vivi em Moçambique até aos meus 31 anos altura em que saí como treinador da equipa principal de basquetebol do Sporting de Lourenço Marques e adjunto do Alberto Correia Mendes na Seleção Nacional de Moçambique que disputou os Jogos da Independência de Moçambique, para já não falar no Mário, no Nelson, no Vítor Morgado, no Sérgio Carvalho, no Luís Almeida, no Simango, sem esquecer os putos que levei à primeira categoria, casos do Artur Meirim, do Manuel Santiago, do Hélder Silva (filho), do Mário Martins, do Marques, do Mário Lopes e de tantos outros, numa variedade enorme de raças, desde os 5 até aos 31 anos de idade… nunca, mas mesmo nunca, deixámos de privar com pessoas de todas as cores e de todos os credos. O Alberto, indo-português, poderá ter passado por uma ou outra situação menos agradável, mas não julgo que isso lhe dê o direito de sair em defesa de uma série de asneiras que o Eusébio está farto de dizer, rejeitando reconhecer tudo quanto por ele foi feito. O que ele ficou a dever ao Vigorosa (que também não era branco), ao Sr. José Mateus, que era branco (e que tantas notas encarnadas – na altura eram notas de cem escudos, que metia no bolso do Eusébio – eu vi com os meus próprios olhos – por cada golo que ele marcava – a não ser que era este tipo de racismo que o Eusébio se referia, o de ser um branco a dar dinheiro a um preto?!), ao Fernando Costa, que também era branco e até alegando que o Sr. Elísio Pereira se fazia passar por branco, o que eu, que convivi com ele diariamente no Campo João da Silva Pereira, nunca percebi, porque a cor da sua pele era o que menos nos incomodava. Um puto de raça negra que nem se aproximava de nós no Continental, mas que era convidado a sentar-se connosco para comer uma torrada e beber um café com leite, que o 21 (ainda há muito gente que se lembra do 21, que era o nosso habitual empregado de mesa). Era este o racismo a que o Eusébio se referiu???

Ainda recentemente estive em Moçambique e fui maravilhosamente recebido por gente dos meus tempos de todas as cores e credos, tal como já acontecia naqueles que foram os melhores anos da minha vida, entre gentes de todas as cores e feitios.

Continuo a gritar a renegação do Eusébio ao Sporting Clube de Lourenço Marques por tudo e mais alguma coisa e até sugiro que leiam a edição do meu jornal http://www.postmilenio.com do próximo dia 16 de Dezembro, edição especial de Natal, onde vou colocar as “inverdades” de um tal “Pantera Negra” bem a claro.

E atenção, já lhe disse isto, pessoalmente. Ele (o Eusébio) aprendeu a odiar o Sporting. Até aí, tudo bem. Há muitos benfiquistas que lêem pela mesma cartilha. Agora dizer as asneiras que diz quando afirma que nem se lembra de ter jogado com a camisola do Sporting (o que me disse a mim) e de que o Sporting era um clube racista… Por Favor!!!

Aqui em Toronto, onde resido há muitos anos, encontrei um dia o Eusébio com o “seu” Presidente Luis Filipe Vieira. Ele (o Eusébio) chamou-me e disse-me que queria apresentar-me o “seu” Presidente. Muito bem. “O meu nome é Alexandre Franco, tenho muito prazer”, o que foi seguido das seguintes palavras; “Ah, você é o amigo do Eusébio que é do Sporting!”. E eu respondi, “Do mesmo Sporting que foi o Eusébio, o Sporting Clube de Lourenço Marques!” Meu Deus, o que fui dizer. “O quê? Já nem me lembro disso!” Que pena, que pena… e eu que a partir daí disse para comigo mesmo: “Eis as palavras tristes do meu Ex-amigo Eusébio da Mafalala.”

Não posso omitir aqui os nomes de alguns dos meus melhores jogadores, como também foram os casos de Luís Dionísio, do Eustácio Dias, João Donato, do Tam Ling, e na Seleção de Moçambique, do Sing, do Costa, do Araújo, do João Domingues, e ainda do Vítor Agostinho, do Orlando Noronha, do Carlos Rocha, do Mahlon Sanders, do João Silva, do João Ferreira, que foram meus jogadores no Benfica de Lourenço Marques (secção de Basquetebol que foi formada por mim, a pedido dos meus amigos Luís Branco – da Wagons Lits e Francisco Machado; e ainda de nomes como os do Beto Correia Mendes, Carlos Neves, Luis Neves, José Joia e Carlos Joia, Rendas Pereira, e tantos outros que de momento não me lembro.

Dezembro 3, 2011

O GRANDE ALBERTO DIAS FALA SOBRE O RACISMO NO DESPORTO EM MOÇAMBIQUE NO SEU TEMPO

Alberto Rodrigues, 2º da esquerda com a enorme estrela na t-shirt, com a equipa de basquet séniores do Desportivo LM, que treinou na época 1974-1975.

Muito grato ao Rogério Carreira, que enviou a nota com o comentário de Alberto Dias e ainda mais as fotos, rapinadas do seu grande sítio Roger Tutinegra.

A propósito ainda da entrevista que Eusébio deu à revista Única, e que já mereceu um comentário de Braga Borges (ambos reproduzidos na totalidade nesta casa), em baixo o precioso testemunho de Alberto Dias, de quem me lembro quando treinador no Desportivo.

Para encaixar” aqui, fiz uma edição menor, sem tocar no que de substantivo é dito:

Na segunda-feira passada ao […] ouvir o Dr. Dias Ferreira afirmar que “os racistas são aqueles que dizem que os outros é que são racista” é uma forma pedante de tornar as vítimas em réus, manifestou uma completa ignorância da vivência nas ex-colónias portuguesas.

Tenho 75 anos de idade, poucos anos mais que o Eusébio.

Joguei contra ele nos primeiros jogos que fez pelo Sporting Clube de L.M. em seniores.

Eu jogava modestamente o futebol no também modesto Grupo Desportivo Indo-Português, pois sou de ascendência do antigo Estado da Índia, onde também inicialmente havia um certo separatismo que com o tempo se foi esfumando.

Em 1951, o Indo-Português acabou com a secção de basquetebol, e o clube para onde eu gostaria de ter ido jogar seria para o Sporting de L.M. mas era como Eusébio disse, o Sporting nessa época era efectivamente um clube que só aceitava brancos nas suas hostes, havia uma excepção que era um misto que passava por branco de nome Elísio Pereira. Era efectivamente conhecido também pelo clube dos polícias e só podia ir para a polícia quem tinha feito o serviço militar – que estava vedado aos não brancos, salvo alguns que passavam como tal. Eu fui à inspecção militar e fui dispensado por excesso de contingente, claro que tudo isto antes de ter começado a guerra colonial.

Os da minha geração lembram-se bem que era efectivamente assim.

Com o aparecimento do Eusébio e outros as coisas começaram a modificar-se bastante e as mentalidades a alterar-se um bocado.

A título de curiosidade, informo também que havia um outro clube que tinha o mesmo procedimento que era o Malhangalene, clube do bairro de mesmo nome que era administrado por indivíduos idos de Portugal, claro que depois modificaram os procedimentos.

O grande rival do Sporting era o Grupo Desportivo de L.M. que foi filial do Benfica, e os curiosos que vejam as fotos antigas destes dois clubes e onde militavam os não brancos numa amálgama de cores.

Estou a escrever esta mensagem, porque me disseram que um familiar do Dr. Mário Soares, parece que de nome Barroso, que decerto também não conheceu as realidade das ex-colónias, que disse num jornal que não é verdade o que o Eusébio disse.

Atenciosamente,

Alberto Carmo Rodrigues

(fim)

O cartão de Sócio de Mérito da Associação Distrital de basquet de Lourenço Marques de Alberto Rodrigues, 1967.

 

Alberto Rodrigues à direita. Quem souber quem é o senhor à esquerda, por favor mande uma nota.

 

Alberto Rodrigues com...

 

A equipa de basquet séniores do Sporting Clube de Lourenço Marques, época 1957-1958. A quem souber os nomes, por favor envie uma nota. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5 e P6. De joelhos: J1, Alberto Dias, J2 e J3.

 

Dezembro 1, 2011

BRAGA BORGES EXPLICA AS CORES DO SPORTING DE LOURENÇO MARQUES

Muito grato ao João Cabrita.

Na sequência da entrevista de Eusébio à revista do semanário Expresso de Lisboa, a Única, Braga Borges, que é seu contemporâneo dos tempos do Sporting de Lourenço Marques, escreveu uma notinha que merece ser lida. Eu já a havia recebido por várias vias (o meu obrigado aos que me enviaram), mas escolhi, com vénia, colocar a nota, tal como publicada ontem, 30 de Novembro de 2011, em Maputo, no jornal O Canal de Moçambique.

Para o exmo. Leitor ampliar o texto e fotografia em baixo, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

A 1ª parte de 2.

A 2ª parte de 2.

Novembro 25, 2011

DIÁLOGOS COM A HISTÓRIA: EUSÉBIO E HILÁRIO

Com vénia, e dada a sua importância, em seguida pode-se ler 1) a magnífica entrevista, conduzida por Pedro Candeias e Bruno Roseiro, ao Eusébio, publicada há uma semana na Revista Única, que acompanha o semanário Expresso de Lisboa, 2) no fim, os comentários do não menos grande Hilário, relacionados com afirmações feitas na entrevista concedida pelo Eusébio, feitas ao Expresso e A Bola e publicadas no dia 23 de Novembro de 2011.

A capa da revista Única, do Expresso, há uma semana.

página 41

Página 42

Página 43

Página 44.

Página 44 "A". O Rei.

Página 45.

Página 46.

Página 47.

Página 48.

Página 49 (última).

Hilário. Foto ASF em A Bola, com vénia.

HILÁRIO COMENTA

Cito o Expresso de 23 de Novembro de 2011:

Hilário da Conceição desmentiu as acusações de racismo no Sporting de Lourenço Marques, feitas por Eusébio em entrevista ao Expresso, na semana passada, e revelou que o jogador esteve muito perto de assinar pelo Sporting, quando já estava em Portugal.

O ex-companheiro do “Pantera Negra” diz, em entrevista ao jornal oficial do Sporting, que não percebe as declarações de Eusébio ao Expresso. “O Eusébio deve estar traumatizado por outras questões. Ele não foi tratado no Sporting com racismo. Ele é mais novo do que eu três anos, o que significa que quando representou o Sporting de Lourenço Marques já eu tinha lá estado e tinha sido muito bem tratado”, declara o antigo defesa-esquerdo internacional.

Hilário conta que ele foi “o primeiro preto” a chegar ao Sporting de Lourenço Marques, “um clube da alta sociedade moçambicana”, e que nunca teve qualquer problema com isso.

O ex-jogador do Sporting esclareceu também a história da chegada de Eusébio a Portugal, para ingressar no Benfica, porque “Eusébio conta mal a história”. Hilário revela que tentou trazer o “Pantera Negra” para o clube de Alvalade mas o então presidente do Sporting, Brás de Medeiros, só aceitava que a “fera” – como lhe chamava Hilário – viesse primeiro fazer testes.

Eusébio queria vir já com contrato assinado, pelo que o negócio não se realizou. Mais tarde, “o Bella Guttman falou de Eusébio ao presidente do Benfica, que recomendou logo a vinda do Eusébio por qualquer preço. Então, o Benfica chegou ao pé do Eusébio, deu-lhe dinheiro e este comprou logo um prédio e uma vivenda. A mãe do Eusébio assinou os documentos e lá veio ele para Portugal.”

Já em Portugal – depois de ter viajado com o nome de “Rute” -, Eusébio esteve a um passo de assinar pelo Sporting, contou Hilário. “O Sporting oferecia-lhe dez vez mais do que o Benfica, dava dinheiro à mãe, e o Eusébio, com esse dinheiro, podia devolver o dinheiro que o Benfica lhe deu e ainda ficaria com algum para viver. Depois de estar em Lisboa, falei com o Eusébio (para ser jogador do Sporting Clube de Portugal) e ele aceitou.”

Hilário, segundo o relato feito ao jornal do Sporting, dirigiu-se ao lar do Benfica onde estava hospedado Eusébio e trouxe-o consigo, mas os responsáveis do Sporting não conseguiram contatar a filial moçambicana de Lourenço Marques para que autorizasse a transferência.

Por isso, Hilário voltou a levar Eusébio para o lar do Benfica, apenas para pernoitar. Grande “ingenuidade” minha, admitiu: “No Benfica, já tinham dado pela falta dele e quando ele apareceu esconderam-no no Algarve, numa casa de férias do Domingos Claudino (antigo dirigente ‘encarnado’). O Benfica não queria que eu tivesse contactos com o Eusébio. O Benfica acaba por segurar o Eusébio pelo impasse do telefonema. Se tivéssemos conseguido entrar em contato com Moçambique, naquelas 24 horas ele teria sido jogador do Sporting.”

E ainda Hilário analisado e citado n’A Bola:

Após a entrevista de Eusébio na revista Única, do Expresso, em que o Pantera Negra afirmou não gostar do Sporting por ser «um clube de elite, da polícia e racista», surge agora a resposta de Hilário da Conceição, que levou Eusébio para o Sporting de Lourenço Marques.

«Fui o primeiro preto a jogar no Sporting de Lourenço Marques e sempre fui bem tratado. Ele não foi tratado no Sporting com racismo», afirma o antigo defesa-esquerdo dos leões e da Selecção Nacional em entrevista ao Jornal Sporting, que estará amanhã nas bancas.

O jornal afirma ainda que Hilário da Conceição «conta a história da vinda de Eusébio de Moçambique para Portugal continental, entre outros temas».

Novembro 11, 2011

O GRANDE EUSÉBIO, BOTA DE OURO

 

 

O Rei.

Outubro 26, 2011

O GRANDE MATINE

Foto copiada com vénia do sítio O Expresso da Vitória. blogspot.

Coloco esta fotografia a propósito desta outra fotografia que o José Carlos Morais Rodrigues mandou.

A equipa de futebol séniores do Benfica, época 1972-1973. Na imagem: José Henrique, Adolfo, Simões, Nené, Toni, Eusébio, Humberto Coelho, Malta Silva, Vítor Martins, Messias, Jaime Graça, Rui Rodrigues, Artur Jorge, Vitor Baptista, Jordão, Artur Correia, Matine, Diamantino, Nelinho, Shéu, António Basto Lopes, Bento. O treinador era o Sr. Jimmy Hagan.

 

A equipa do Benfica em 1971, com o Presidente português de então, Américo Tomàs ("quem não é benfiquista não é bom chefe de família") como penetra. De pé, da esquerda: Jimmy Hagan (treinador), Zeca, Adolfo, Matine, Humberto Coelho, Américo Tomás, Malta da Silva e José Henrique; De joelhos: Jaime Graça, Néné, Artur Jorge, Eusébio e Simões. Para ver esta foto com tamanho maior, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

 

Matine teve direito a cromo, aqui nos tempos do (creio) Vitória de Setúbal.

 

Uma foto recente do Grande Matine, agora Mister Augusto Matine.

Setembro 16, 2011

NUNO MARTINS E EUSÉBIO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50-60

A equipa de futevol do Sporting de Lourenço Marques no tempo de Nuno Martins. A quem souber os nomes dos membros da equipa, por favor mande para aqui uma mensagem com a informação que tiver.

Muito grato à Mimi Faria e à Ana Lúcia, que me enviaram este interessante texto sobre Nuno Martins e Eusébio e o Sporting de LM, um trabalho de Néslon Jerónimo Rodrigues, publicado no Diário de Notícias de Lisboa de 11 de Setembro de 2011 e que transcrevo com vénia.

Página 1 de 2 da peça.

Página 2 de 2 da peça.

Setembro 7, 2011

FLORA BRUEN, CATARINA PIUZA, DULCE TAVARES, DIOLINDA CALIANO E SARA TARCITANO, ANOS 60

Foto gentilmente cedida pelo Duarte Varito, de sua mãe, restaurada por mim. E grato à sua mãe Catarina, que está viva e bem em Maputo, e que se lembra dos nomes de todas as então jovens ginastas retratadas em baixo.

 

As ginastas da Associação Africana em LM em pose. Da esquerda, Flora Bruen, Catarina Piuza, Dulce Tavares, Diolinda Caliano e Sara Tarcitano. Flora Bruen mais tarde casou com o jogador Eusébio, lenda do futebol de Moçambique, de Portugal e do mundo.

Setembro 6, 2011

O PORTUGAL-COREIA DO NORTE SEGUIDO EM MUECATE, 1966

A primeira fotografia é do arquivo de Rui de Campos, que gentilmente o disponibilizou. De realce a grande fotografia que o Tozé Costa Silva enviou do Jerónimo (amigo do meu pai) com o grande Hilário, O resto é meu ou veio da minha pesca internética.

Aqui evoca-se o mais famoso jogo de qualquer selecção de futebol portuguesa e provavelmente de qualquer jogo de um mundial. Provavelmente na mais moçambicana de todas as selecções portuguesas: os quartos-de-final do Campeonato Mundial de Futebol em 1966, em que a equipa portuguesa jogou contra a Coreia do Norte.

Ao fim da tarde daquele domingo, dia 23 de Julho de 1966, na pequena localidade de Muecate, em Moçambique, os pais do Rui de Campos, no centro, celebram com os amigos a inacreditável vitória de Portugal em Liverpool por 5 a 3 à Coreia do Norte, quando no intervalo o resultado era de 3-0 a favor dos norte-coreanos. Em Moçambique, o jogo foi seguido pela rádio e em ondas curtas pela Emissora Nacional.

Mário Coluna, o timoneiro da equipa.

Neste jogo, Eusébio marcou quatro dos cinco golos e assegurou a vitória sobre os norte-coreanos. Em Moçambique, foi uma loucura.

Mais sorte teve o pai Botelho de Melo, que foi a Inglaterra ver o Mundial de 1966 e que estava na audiência em Liverpool quando a equipa chefiada por Mário Coluna derrotou a selecção da Coreia do Norte naquele domingo há .... 45 anos. Aqui ele posa em Piccadilly Circus, no centro de Londres.

 

Jerónimo, um amigo do pai Melo de Moçambique e Joanesburgo, e o grande Hilário,, numa rua em Londres, durante o Mundial de 1966.

Maio 24, 2011

EUSÉBIO JOGOU PELO BENFICA PELA PRIMEIRA VEZ HÁ 50 ANOS

Filed under: Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 9:31 am

Resumo reproduzido com vénia de um artigo de A Bola, um jornal de Lisboa. Ontem 23 de Maio de 2011, completou 50 anos que jogou pela primeira vez pelo Sport Lisboa e Benfica, um clube de Lisboa.

Eusébio

Texto de Carlos Rias

Marcou três golos na estreia contra o Atlético, quase seis meses depois de chegar a Lisboa. Voltou a marcar três golos na estreia internacional, em Paris, contra o Santos de Pelé. Viveu momentos difíceis e até pensou em voltar a Moçambique. 

Estádio da Luz. Dia 23 de Maio de 1961. Uma semana antes de jogar em Berna a final da Taça dos Campeões Europeus com o Barcelona, o Benfica defronta, em jogo particular, o Atlético. Uma razão especial para a realização do jogo, numa noite ainda mais especial. Eusébio da Silva Ferreira, um jovem moçambicano de 19 anos, ia fazer a sua estreia com a camisola nº. 10 de águia o peito. E Eusébio, tudo o indicava, não era um jogador qualquer.

Os meses que antecederam este encontro não tinham sido fáceis para o jovem africano. Envolvido numa guerra entre Benfica e Sporting, esperara quase meio ano para fazer o que mais gostava: jogar futebol e marcar golos. Chegara a Lisboa no dia 17 de Dezembro de 1960, numa viagem envolta no maior dos secretismos. Foi o último passageiro a embarcar no Super Constelation da TAP no aeroporto da cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo. Já todos os passageiros estavam a bordo, quando um Volkswagem do exército o levou até às escadas do avião. 

À chegada a Lisboa esperava-o o frio de Dezembro e uma novela de muitos episódios, que quase o faziam arrepiar caminho. O Benfica sabia que tinha em seu poder um diamante, mas o rival do outro lado da Segunda Circular estava disposto a lutar pela preciosidade descoberta no Sporting de Lourenço Marques. Foi um calvário de angústia, um caminho de muitos escolhos que se lhe depararam pelo caminho até chegar a hora de fazer aquilo que adorava. Pelo meio houve acusações polémicas, falou-se de rapto, mas em Moçambique o Benfica fechara contrato com Eusébio e deixara 250 contos nas mãos de Dona Elisa Anissabene, mãe do jogador.

O aviso chegou em Maio de 1961. O contencioso à volta de Eusébio estava resolvido. A Federação Portuguesa de Futebol aceitara a inscrição do jogador. A estreia aconteceu perante uma plateia de cerca de 15 mil espectadores.

«Foi a melhor noite da minha vida como jogador do Benfica», confessa Eusébio, passados quase 50 anos sobre o dia 23 de Maio, que marcou a sua estreia. «Finalmente já sabia que era jogador do Benfica, que já não havia nenhuma dúvida, que não havia nada que me impedisse de jogar.» 

Maio 23, 2011

EUSÉBIO, ANOS 60

Filed under: 1960 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 9:45 pm

O Rei.

Eusébio no Mundial de 1966, durante o jogo entre Portugal, e a Hungria. Portugal ganhou por 3 a 1.

Eusébio, à esquerda, durante o jogo entre Portugal e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando mete um golo.

Maio 19, 2011

ROMÃO FÉLIX MANUEL NO DESPORTIVO, ANOS 50

Filed under: 1950 anos, 1980 anos, 2000 anos, Eusébio da Silva Ferreira — ABM @ 11:18 pm

Fotos de Romão Félix Manuel.

Uma nota  pessoal. Falei hoje com Romão Félix, que, para minha supresa, me disse que era amigo do meu pai e que andou comigo ao colo quando eu era mufana. Ainda maior surpresa por descobrir que ele foi atleta do Desportivo (!) o meu clube de eleição até aos 15 anos. O que se segue são algumas fotos dos tempos do Desportivo e outras mais recentes.

Aqui, uma homenagem ao criador da figura do Parafuso, que marcou uma era.

E jogou pelo Desportivo.

A equipa de basquet de Infantis do Desportivo, 1951. Na imagem, de pe´da esquerda: Tavares, Helpídio, Cidrais, Toneca e Romão Félix Manuel. De joelhos: António Jorge, Varito, Freddy, Guilherme e Mandioca. Ou muito me engano ou alguns destes nomes,,,, deram em campeões.

1952, no campo de futebol do Desportivo em Lourenço Marques. Romão Félix Manuel recebe uma medalha da mão do jornalista Paula, num torneio patrocinado pelo Lourenço Marques Guardian. Ao fundo, do lado esquerdo, vê-se o Hotel Girassol.

Romão Félix Manuel na pele de um personagem que ele criou, o Parafuso.

Romão com duas figuras conhecidas (?) made in Moçambique. À sua esquerda António Calvário. À sua direita....the King!

Romão com um senhor que acho que vivia no Porto há uns anos.

Maio 13, 2011

EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA E MÁRIO COLUNA, ANOS 60

Os dois grandes do futebol moçambicano e português, anos 60.

Março 25, 2011

COLUNA, EUSÉBIO, HILÁRIO E OS RAPAZES DO MUNDIAL DE 1966

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Março 2, 2011

A HOMENAGEM DA TAP A EUSÉBIO

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 11:31 pm

O Airbus da TAP que ostenta o nome do Eusébio.

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