THE DELAGOA BAY COMPANY

Maio 16, 2011

IN MEMORIAM: RODOLFO ALBASINI, JOGADOR MOÇAMBICANO NO FUTEBOL CLUBE DO PORTO, 1930-2011

A equipa do Futebol Clube do Porto em 1952. Inaugurado na altura o Estádio das Antas, esta é considerada a fase crucial em que o clube inicia o regresso à competitividade. Segundo Armando Pinto, "Integravam a equipa do F. C. Porto, por essas épocas, com efeito, nomes sonantes do futebol, como os que compunham a equipa da foto, vendo-se: em cima, a partir da esquerda para a direita – Américo, Virgílio, Ângelo Carvalho, Barrigana, Valle, Del Pinto, Albasini e Osvaldo Cambalacho; e em baixo, pela mesma ordem – Hernâni, Porcel, Monteiro da Costa, Pedroto, José Maria e Carlos Duarte."

Faleceu hoje na cidade do Porto Rodolfo Albasini, que jogou na equipa principal do Futebol Clube do Porto nos anos 50.

Era o irmão mais velho dos igualmente conhecidos Sérgio e João Albasini.

Rodolfo Albasini deixa família.

Para assinalar esta ocasião, com vénia, reproduzo o excelente texto do Sr.  Armando Pinto (um profundo conhecedor dos assuntos do Futebol Clube do Porto) publicado há um mês e meio no seu blogue Lôngara e que pode ser lido em baixo. Há ainda uma referência no texto ao também moçambicano Fernando Perdigão, sobre o qual o Sr. Pinto também fez um texto.

Refiro ainda a página que o Rogério Carreira preparou sobre esta figura grande do desporto de Moçambique, e que pode ser vista AQUI.

RODOLFO ALBASINI, por Armando Pinto

Albasini era então um jovem oriundo de Moçambique, de nome completo Rodolfo Silva Albasini, nascido em 1930, o qual teve a “desdita” de ter jogado no campeonato português durante um dos longos períodos em que foi mais acentuado o poderio dos bastidores de Lisboa, tendo feito parte da equipa do F. C. Porto ainda no decurso da primeira travessia, então de 16 anos em que o F. C. Porto esteve sem ganhar o campeonato nacional… perante sucessivas peripécias que ficaram para a história de casos e mais casos.

Rodolfo Albasini é entrevistado no dia 14 de Setembro de 1952, após um jogo com o Benfica.

Albasini foi um valoroso futebolista Moçambicano que veio em 1952 para o F. C. Porto, junto com o Angolano Carlos Duarte e o também Moçambicano Fernando Perdigão, numa época em que a equipa azul e branca se reforçou ainda com Pedroto.

Rodolfo Albasini fez parte do plantel principal até ao início de 1954, tendo então sofrido uma grave lesão num joelho, que acabou com sua carreira a nível de alta competição, ainda muito jovem.

Miguel Arcanjo, Oswaldo Silva, Rodolfo Albasini, e Hassani-Ali.

Rodolfo Albasini era um valor saliente, chegando a ser chamado para os treinos da selecção nacional, contudo, como acontecia nesse tempo com maior incidência à maioria dos atletas do F. C. Porto, quanto às formações da Federação, não chegou a ser escolhido para envergar a camisola da equipa das quinas. Tendo integrado grandes equipas do F. C. Porto nessas poucas épocas, como médio, quanto mostra o facto de, emparceirando com grandes nomes desse tempo que constituíam a equipa, haver disputado 13 jogos no campeonato nacional de 1952/53, 8 no de 1953/54 e 1 em 1954/55.

Albasini fez parte do plantel principal até ao início de 1954, tendo então sofrido uma grave lesão num joelho, que acabou com sua carreira a nível de alta competição, ainda muito jovem. Depois disso, devido à lesão, regressou a Lourenço Marques, onde se empregou e jogou ainda, embora a nível provincial, tendo alinhado e sido campeão pelo Ferroviário local.

A equipa de futebol do Clube Ferroviário de Moçambique (LM), campeões Nacionais com Garrido, Pires, Albasini, Humberto, Pontes, Castela,

Sendo Albasini um antigo futebolista escassamente lembrado, derivado ao facto de haver jogado menos de três anos na alta-roda, não tem havido referências sobre ele. Apenas sabemos que mais tarde voltou para a cidade do Porto, tendo mais recentemente, há alguns anos, sido acometido pela doença de Parkinson, conforme se soube por uma entrevista que lhe dedicou há alguns anos o Jornal de Notícias, sob título “A estrela de Albasini cintilou pouco tempo”. E estava ainda doente por volta de 2009.

Merecendo uma lembrança, assim, ao menos, como valoroso futebolista que representou o F. C. Porto, e desempenhou papel de grande estrela nas competições nacionais enquanto durou sua promissora carreira: Fica a recordação deste Moçambicano – Português que, nos inícios da década de cinquenta, apareceu de modo auspicioso na equipa principal do F. C. Porto e apenas não teve uma carreira mais conseguida por ter abandonado o futebol precocemente, devido a arreliadora lesão.

(fim)

O funeral realiza-se amanhã, dia 17 de Maio de 2011, pelas 15 horas, no Mosteiro de Águas Santas.

À familia, apresenta-se as condolências. A comunidade desportiva moçambicana perdeu um dos seus, cuja memória aqui fica registada.

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Setembro 15, 2010

FERNANDO PERDIGÃO – UM DRAGÃO DO DESPORTIVO

Filed under: 1950 anos, 1960 anos, Fernando Perdigão, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 2:54 am

Futebol Clube do Porto: Campeões Nacionais duas vezes nos anos 50, com o contributo do moçambicano Fernando Perdigão, que não está nesta foto da equipa vencedora em 1958

Do sítio Moçambique para Todos, reproduz-se o seguinte texto, actualizado por mim:

Fernando Júlio Perdigão, grande jogador do Futebol Clube do Porto dos anos 50 / 60, nascido em Lourenço Marques em 1930.

Fernando Perdigão começou a sua carreira de jogador de futebol no Grupo Desportivo Lourenço Marques, tendo sido contratado mais tarde para jogar no Futebol Clube do Porto nos anos 50 do século XX.

O que se passava no Porto nessa altura? foi uma era dourada, segundo comentário do sítio Lôngara:

“Houvera luz do dia para nós em meados da década de cinquenta, a meio do século XX. Ano em que a equipa de futebol principal do Futebol Clube do Porto integrava, com maior utilização, o guarda-redes Frederico Barrigana, famoso “mãos de ferro”, o defesa Virgílio Mendes, o Leão de Génova e durante muitos anos recordista português de internacionalizações na Selecção A (em tempo de escassos jogos disputados, a nível de Selecções), mais Miguel Arcanjo, Vale, Carvalho, Porcel, Albasini, Eleutério, Henrique Monteiro da Costa, José Maria, António Teixeira, o famoso Hernâni Silva, Carlos Duarte, Fernando Perdigão e José Pedroto; como também Osvaldo Cambalacho, Dell Pinto, Sarmento, Vieira e Romeu. Estava então como Presidente do F. C. Porto o Dr. José Carvalho Moreira de Sousa, em 1954. Ano que, tomando o exemplo do vinho do Porto da colheita desse período, foi “vintage”.

O FC Porto foi campeão Nacional na época 1955-1956 depois de 14 anos sem ganhar o título.

Em 27 de Maio de 1956, ao ganhar a Taça de Portugal no estádio do Jamor derrotando o Torreense por 2-0, o Futebol Clube do Porto pela primeira vez na sua história ganha a sua primeira “dobradinha”.

E Fernando Perdigão estava lá.

Após vencer novamente o título do Campeonato Nacional da 1ª divisão na época 1958-1959, passariam 19 anos antes que o clube portuense vencesse novamente um campeonato nacional.

Perdigão representou Portugal na selecção nacional uma vez, em 16 de Janeiro de 1957.

No final da década de 1960, Fernando Perdigão regressou ao clube que o viu nascer em Moçambique, onde ainda jogou alguns anos, terminando a sua carreira desportiva como jogador – treinador do Clube Desportivo Indo-Português, da mesma cidade.

No sítio Roger Tutinegra, de Rogério Carreira, o jogador Abdul Hamide (nascido em 4 de Abril de 1948) Águia de Bronze do Desportivo e com uma distinta carreira, menciona que teve Perdigão como treinador. Refere Abdul Hamide: “em 1964 ascendi a equipa de Juniores do Desportivo e tive como Treinador o Fernando Perdigão (que foi jogador do Futebol Clube do Porto). Fomos Campeões Distritais em 1964 e 1965. Neste ano realizaou-se o primeiro Campeoanto Provincial de Juniores na Beira e fomos derrotados na final pelo Sporting da Beira (do Manaca Dias). Nesse ano despontaram três jogadores: Néne, Hamide e Manaca Dias, que foram cobiçados por clubes de Portugal. Néne foi para Académica e mais tarde para o Benfica, o Manaca foi para o Sporting . Por razões familiares Hamide (que tambem iria para Académica) ficou em terra.”

Em 1967 Fernando Perdigão ingressou no banco BCCI, um dos bancos emergentes e dos mais dinâmicos em Moçambique antes da Independência, cuja sede, construída de raiz no princípio dos anos 70, é hoje a sede do banco Millennium Bim em Maputo, junto ao mercado central, e onde pontuaram grandes nomes como Óscar Bessa Gomes.

Depois do 25 de Abril de 1974, Perdigão veio para Portugal, tendo fixado residência na cidade de Aveiro. Ali faleceu em 16 de Fevereiro de 2007, com 77 anos.

Nos anos em que jogou no Futebol Clube do Porto, a equipa foi orientada pelos treinadores Yustrich (1956) e Bela Gutman (1959).

Segundo alguns, possivelmente fanáticos do clube, a equipa do FC Porto terá porventura sido a melhor equipa de futebol profissional portuguesa a jogar nos campos entre 1955 e 1960.

A equipa do Futebol Clube do Porto nos tempos. Fernando Perdigão será o 5º a contar da esquerda na fila de baixo

A equipa do FC Porto em 1955-56. De pé - Virgílio, Arcanjo, Monteiro da Costa, Cambalacho, Pedroto e Pinho; de joelhos - Hernâni, Gastão, Jaburu, Teixeira e Perdigão

Esta nota é dedicada à filha de Fernando Perdigão, Teresa Perdigão, a quem agradeço ter referido seu pai, que veio de Moçambique, e que mencionou que um dos seus ídolos fora o incomparável jogador Matateu.

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