THE DELAGOA BAY COMPANY

Outubro 17, 2011

ANTÓNIO TRINDADE, CAMPEÃO DE TÉNIS EM MOÇAMBIQUE E EM PORTUGAL

A foto de António Trindade e Manuel Prata Dias está no fabuloso sítio Xirico.

As restantes fotos de António Trindade vieram dos sítios da Federação Portuguesa de Ténis e Lagossports.

 

António Trindade e Manuel Prata Dias em Lourenço Marques nos anos 1960. Os seus duelos ao longo dos anos tornaram-se legendários.

 

António Trindade continua em forma e joga cartas nos torneios para os madalas entre os 70-75 anos. Aqui, numa foto da Federação Portuguesa de Ténis.

 

António Trindade num jogo recente, em Portugal. Sempre campeão.

 

António Trindade, à direita, com Nuno Sousa, que não sei quem é.

 

 

Março 31, 2011

MANUEL PRATA DIAS, GRANDE DO TÉNIS E DESPORTO DE MOÇAMBIQUE

Fotos muito gentilmente enviadas por Ariana Dias.

No dia 11 de Fevereiro deste ano, o Prof. Rui Baptista escreveu um texto recordando o Prof. Manuel Prata Dias, que pode ser lido premindo AQUI. Na sequência dessa nota, uma neta do Prof. Prata Dias, Ariana Dias, muito gentilmente contactou aqui a casa e subsequentemente facultou as excelentes fotos que em baixo se mostram, do que foi uma figura ímpar do ténis e do desporto de Moçambique antes da Independência.

Manuel Prata Dias no meio que o celebrizou em Moçambique: num court de ténis.

Manuel Prata Dias, de cartola, quando se casou com Teresa em Lourenço Marques.

No recato brasileiro, Manuel Prata Dias creio que com a mulher e uma neta.

Prata Dias creio que com uma neta, no Brasil.

Uma pequena foto de Prata Dias em Lourenço Marques.

Março 28, 2011

PRATA DIAS E O CLUBE DE TÉNIS DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 70

Não tenho nenhum nome dos tenistas.

Foto de grupo dos tenistas do Clube de Ténis de Lourenço Marques.

Fevereiro 14, 2011

TORNEIO INTER-ESCOLAR DE BASQUET DA MOCIDADE PORTUGUESA EM LM, ANOS 60

Foto da colecção de Cristina e Eduardo Horta.

Agradeço ao Alberto Rodrigues, José Gonçalves, Mário Pires, João de Faria-Lopes, Paulo de Carvalho, Rui Conde e Isabel Costa a inestimável ajuda a identificar os jogadores.

Se alguém conhecer os nomes que faltam, peço que escreva para aqui.

Manuel Prata Dias cumprimenta os jogadores num torneio da Mocidade Portuguesa no Pavilhão da Malhangalene. Em baixo, seguem-se fotos de detalhe desta.

Foto de Detalhe 1: (1), Rodrigues (filho do Sr. Manuel Rodrigues do cinema), Nelson Serra.

Foto de Detalhe 2: (1), (2). Vítor Morgado, Monteiro.

Foto de Detalhe 3. O Prof. Prata Dias aperta a mão de Rui Pronto da Silva, cujo pai era o boss da Foto Portuguesa. Entre os dois, um jovem António Brassard.

Foto de Detalhe 4. Eduardo Horta, Luis Dionísio.

Foto de Detalhe 5. José (Pestana) Mota Lopes e João Pinto (da equipa de voleibol dos Irmãos Maristas).

O Prof. Prata Dias continua pela fila de jogadores que está à direita dos jogadores mostrados na primeira fotografia. Aqui a esquipa de vóleibol dos Maristas Fotos de detalhe em baixo. Aquim faltam os nomes quase todos...

Foto de Detalhe A1.

Foto de detalhe A2.

Foto de Detalhe A3.

Foto de Detalhe A4.

Fevereiro 11, 2011

MANUEL ALEXANDRE BAPTISTA PRATA DIAS (WANGONI): IN MEMORIAM

O texto é da autoria do Prof. Rui Baptista.

O Prof. Prata Dias em 1962, no estádio coberto do Malhangalene, a entregar um prémio a uma das equipas que participaram num festival da Mocidade Portuguesa. Esta foto aparece mais à frente na totalidade, e foi enviada muito generosamente por Eduardo e Cristina Horta. Muito grato.

O recente post aqui publicado, “António Trindade a jogar ping pong, anos 60” (29/01)2011), sugere-me a oportunidade e a justiça deste pequeno texto.

Lembro-me bem de António Trindade, com quem convivi mais de perto numa altura de que uma das suas filhas foi por mim acompanhada num tratamento de ginástica correctiva ou de reabilitação como hoje se chama. Os seus despiques de ténis com Prata Dias eram famosos em Lourenço Marques chamando aos courts do Cube de Ténis de Lourenço Marques um público entusiasta que torcia ora por um ora por outro. Eram dois estilos de jogo diferentes de dois belíssimos jogadores que alternavam entre si o título de Campeão de Moçambique. Julgo até que ambos chegaram a ser campeões de ténis de Portugal, um Portugal que ia do Minho a Timor espalhando o seu nome e a sua gesta pelos cantos do mundo.

E já que vem ao caso o nome do meu Colega Prata Dias, membro de uma família ilustre e antiga da então Lourenço Marques, ao que me disseram falecido anos atrás no Brasil para onde se dirigiu depois da Independência, é justo recordar que se tratava de um atleta completo, tendo vencido vários Campeonatos Universitários, em outras modalidades desportivas (atletismo e natação) em representação do antigo INEF, hoje Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.

Este um singelo preito (em que me atrevo associar o The Delagoa Bay Company) a um Colega e Amigo dele bem merecedor. Melhor, merecedor de uma Homenagem que faça esquecer o hábito ancestral e bem português de depreciar os vivos e esquecer os mortos que da lei da morte se foram libertando, como escreveu o Vate.

A história também é feita de testemunhos de quem foi seu contemporâneo. Seja ela feita pelo entusiasmo e obra digna de louvor de António Botelho de Melo que a espalha pela grande família moçambicana e urbi et orbi em milésimos de segundo com a ajuda de uma memória, por vezes, enfraquecida de quem presta os seus testemunhos orais, escritos ou por imagens fotográficas. Não é bem verdade, ao que se diz, que recordar é viver outra vez?

(fim)


Notas adicionais de ABM à crónica do Prof. Rui Baptista

1. O sítio da Federação Portuguesa de Ténis na internet indica que Prata Dias foi campeão nacional de ténis uma vez.

2. O texto abaixo revela o que sucedeu com Prata Dias e a sua família. Como corolário, encontrei referências laudatórias do Prof. Prata dias pelos hoje treinadores de ténis brasileiros Miguel Kelbert (“um dos tenistas e professores mais conhecidos do Estado, Miguel Kelbert começou a jogar ainda cedo no Grêmio Náutico União, sob a orientação do professor Prata Dias. Atualmente Miguel integra o team de professores da Academia TopSpin, na Associação Hebraica, além de disputar torneios pelo Rio Grande do Sul, colocando “medo” nos adversários mais jovens”) e Luiz Siqueira (“Tive a oportunidade de aprender, fazer cursos e clínicas com grandes nomes, como Kirmayr, treinador da Gabriela Sabatini, e também com o grande Prata Dias, dono de uma técnica inesquecível”)

3. O brasileiro Jornal da Orla, edição de 31 de Outubro de 2010, publicou o seguinte texto, assinado pelo colunista Sr. José Carlos Silvares, que creio ser relevante e se reproduz em seguida, com vénia:

Título: Campeões do Além-Mar

Ainda havia muito medo nos olhos de todos. O mais velho, um professor campeão de tênis, ao lado da mulher, da filha, do genro e das três netas, apesar de tudo, conseguia falar de esperança. Eles fizeram parte talvez da primeira leva de refugiados de Moçambique a chegar ao Brasil naquela época de pânico que tomava conta da colônia portuguesa no continente africano.

Era janeiro de 1975 quando o cargueiro italiano “Calagaribaldi” finalmente atracou no Porto de Santos. A passagem de ano em alto-mar foi um divisor de águas para a família Prata Dias. Todos se abraçaram a bordo e agradeceram a Deus por estarem ali sãos e salvos, embora no rumo do desconhecido.

Encontrei um professor Prata Dias ainda em pânico. Em seu primeiro contato com um brasileiro, na porta do camarote, ele começou a contar a aventura que foi conseguir as vagas no navio, após uma espera de 48 dias até a chegada do cargueiro italiano.

“Posso dizer que Moçambique foi totalmente transformada em campo de batalha, e a indecisão é o ponto marcante na vida de inúmeras famílias, que não sabem o que fazer. Algumas, com posses, foram para países distantes; outras, com menos recursos, invadem a fronteira com a África do Sul; e há os que simplesmente esperam, para ver o que vai acontecer nos próximos dias”. Foram suas primeiras palavras a um jornalista cheio de perguntas a fazer.

O professor completava: “Há muito pânico e receio, e a incerteza do que está para acontecer tem levado famílias ao desespero, fugindo e deixando parentes, terras e até roupas”. Das 300 mil pessoas que moravam na região de Lourenço Marques, capital e principal porto do país, cerca de 130 mil já tinham fugido, muitas a pé.

Moçambique vivia tempos de guerra civil, de ódio racial, na luta por sua independência de Portugal, liderada pela Frente de Libertação de Moçambique, a Frelimo. Lisboa tinha vivido a Revolução dos Cravos em abril de 1974 que depôs o regime ditatorial e as colônias buscavam a independência a qualquer custo. A família Prata Dias já estava no Brasil quando isso aconteceu, em junho de 1975.

Com medo de ser assassinados, os portugueses de Moçambique tomaram rumos diferentes. O professor Manuel Alexandre Baptista Prata Dias, então com 53 anos, fez o que achou que deveria fazer: lutou por passagens em um navio qualquer, para qualquer lugar. Juntou seus familiares, encaixotou os 312 troféus e centenas de medalhas que ganhou durante 23 anos em torneios de tênis, alguns internacionais, catalogou seus documentos como professor de Educação Física com especialidade em tênis, com diploma dos Liceus do Ultramar, e às vésperas do Natal de 1974 conseguiu embarcar.

A bordo ele soube que o navio iria para o Porto de Santos. No mar, lendo uma revista, encantou-se com imagens de Porto Alegre e decidiu: adotaria a cidade para reiniciar a vida. Tudo o que tinha na bagagem eram planos. Um deles, de lecionar numa universidade e de voltar a dar aulas de tênis.

Senti muita determinação do professor com relação ao seu futuro no Brasil, até então totalmente desconhecido e incerto, e procurei transmitir essa firmeza de meta como um exemplo a ser seguido, na reportagem publicada na época. Mais incerto e desconhecido, para ele e sua família, era o futuro em Moçambique. “Queremos uma vida melhor”, disse, ao lado da mulher Maria Teresa, da filha Maria, do genro José Armando Ribeiro Fernandes e das netas Lycia, Ariana e Ágata.

O professor tinha uma curiosidade em seu currículo. Ele nasceu a bordo de um navio alemão, o “Wangoni”, numa viagem dos pais entre dois portos sul-africanos, e sua certidão de nascimento trazia como sendo natural do navio. Quando completou 18 anos, em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, foi chamado pela Alemanha para integrar o quadro do Exército, já que havia nascido no navio, considerado território alemão. Ele não foi e no ano seguinte resolveu mudar a certidão como nascido em Moçambique.

O "Wangoni", a bordo do qual Manuel Prata Dias nasceu em 1922, sob bandeira alemã. Em 1940, os alemães tentaram recrutá-lo para a guerra. Ele mudou a certidão de nascimento para dizer que nascera no território então português de Moçambique. E ficou em Lourenço Marques.

O professor lembrou esse fato para dizer que se tivesse ido para a Alemanha teria mudado o seu destino. Acabaria mudando muitos anos depois por força de outra guerra, em seu país.

Nunca mais ouvi falar da família. Soube muitos anos depois que o seu sonho de lecionar tênis foi realizado até à morte. Um dos clubes em que foi técnico foi o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre. Alguns de seus alunos, como havia acontecido no passado, agora no Brasil, tornaram-se campeões de tênis. Um deles, Miguel Kelbert, sempre faz questão de referir-se a ele como o seu primeiro e saudoso professor.

Escrevi depois muitas outras histórias de refugiados que chegaram ao Porto de Santos, ao acaso ou não, fugindo de Angola e de outros países, fugindo do medo, fugindo do futuro incerto, em tentativas de recomeçar a vida em condições mais favoráveis. A história dos Prata Dias, no entanto, por algum motivo, sempre me vem à memória.

São histórias que lembram a dos milhares de imigrantes que, como meus antepassados e os antepassados de muitos leitores, vieram para o Brasil e aqui se firmaram no trabalho nas cidades, em fábricas, ou no campo, plantando café e colhendo seus descendentes. São cidadãos de além-mar, campeões de além-mar, trazidos por navios ou aviões, a reconfirmar que, quando se quer, tudo é possível e tudo é vitória.

(fim)

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