THE DELAGOA BAY COMPANY

Fevereiro 15, 2011

SOBRE O CULTURISMO

Culturismo em Lourenço Marques. Da esquerda: Adolfo Figueiredo, (?), Manuel Carvalho (Baião), (?) e (?). Ao fundo à direita, o Clube Naval e a Ponta Vermelha.

Este texto é da autoria do Prof. Rui Baptista.

Reporta-se esta fotografia a dois praticantes de culturismo que foram meus alunos no Clube Ferroviário de Moçambique: o primeiro a contar da esquerda, Adolfo Figueiredo, também meu aluno da Escola Industrial, e Manuel Carvalho (Baião) o terceiro.

Foi-me ela enviada da Austrália pelo Baião, que aí vive desde da Independência de Moçambique, como prova muito grata para mim, de que a distância de milhares e milhares de quilómetros não enfraquece (bem pelo contrário!) uma amizade que atravessa continentes sem se perder na poeira do tempo de 57 aos dias de hoje.

Vivia-se então uma época em que se não advinhava sequer que Arnold Schwarzennegger, nascido na Áustria (30/06/1947), se viria a sagrar sete vezes “Mr. Olympia”, desempenhar papéis de acção em filmes de Hollyood e ser nomeado 36.º governador do Estado da Califórnia. Eram outros tempos. Tempos em que escrevi no meu livro esgotado(citado aqui em outras ocasiões) “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o Doutor Cooper”, Lourenço Marques, 1973, pp. 16-17, o texto que reproduzo abaixo:

Instituto Nacional de Educação Física, 1955.

Um finalista propõe-se apresentar, como dissertação final de formatura, um tema escaldante, explosivo mesmo: ‘Pesos e halteres, alguns aspectos mecânicos e anatomo-fisiológicos da modalidade’.

Expõe, com o entusiasmo dos seus vinte e poucos anos, a sua intenção ao então director da Escola, Doutor Mário Gonçalves Viana, que o escuta atenta e compreensivamente, mas que lhe pergunta de chofre: ’Pretende o Curso para o exercer como meio de sustento futuro ou tem outra actividade profissional em mente?’

A resposta foi afirmativa para a primeira destas alternativas, o que conduz ao conselho amigo: ‘Se assim é, se pretende, na verdade, obter a Carta de Curso, desista da sua intenção, porquanto os obstáculos e as dificuldades que vai enfrentar na sua defesa são quase impossíveis de superar’ [referia-se ele aos professores de uma escola superior e tradicional para quem os pesos e halteres representavam uma espécie de afronta aos conhecimentos científicos à época].

Assim, viu-se ele coagido a desistir.

Esse finalista era eu, que confesso a derrota sofrida pelo meu espírito polémico, embora prometendo a mim próprio prosseguir agora, como em outras ocasiões, na luta que sei não me trazer glória e muito menos aplausos. Unicamente a satisfação de um dever cumprido na obrigação de explicar por que pratico pesos e halteres, desde os dois últimos anos do liceu [actuais 11.º e 12.º anos do ensino secundário] e, o que é mais importante, me responsabilizo pela orientação de inúmeros praticantes desta modalidade (há doze, catorze anos? Sei lá!) nesta parcela do Índico.

Todavia, poucas obrigações terão tido para mim a imperiosidade desta e o prazer que me dá o seu público cumprimento numa instituição com a tradição científica da Sociedade de Estudos de Moçambique.

E porque este blogue é um repositório da história do Desporto em Moçambique, recordo aqui o nome de um famoso praticante de culturismo, falecido anos atrás, que conheci aquando da minha chegada a Lourenço Marques, de apelido Nascimento, mas mais conhecido por “Barbell” (nome dado às barras de aço em que se colocam os discos de peso). Esta uma singela homenagem que muito viria a ganhar se, porventura, houver quem dele possua uma fotografia e a envie para o Delagoa Bay.

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