THE DELAGOA BAY COMPANY

Dezembro 20, 2011

CAIXA DE FÓSFOROS DO GRUPO DESPORTIVO DOS FERROVÁRIOS DE MOÇAMBIQUE, 1924

 

 

O ORIGINAL CAMPO DE GOLFE DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES

O campo de golfe da Polana. Ao fundo, a praia até à Costa do Sol. Na altura ainda não havia sido construída a estrada marginal, que foi construída sobre as dunas e os pântanos ali existentes. Para ver esta fotografia em tamanho maior, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

Pouca gente sabe que houve outro campo de golfe da Polana em Lourenço Marques (hoje, Maputo). Esse campo, cuja imagem se mostra em cima, nos anos 1920, ficava situado imediatamente a Norte do Hotel Polana, na direcção norte, incluindo parte da actual Sommerschield e a Avenida Julius Nyerere (anteriormente, Avenida António Enes). Estava em terrenos da então chamada Concessão Sommerschield. Eventualmente os gestores da cidade quiseram urbanizar os terrenos da forma que se conhece hoje e o campo foi desactivado e posteriormente re-criado no local onde ainda hoje se encontra, uns quilómetros a norte do local original.

Junho 3, 2011

AINDA SOBRE OS 90 ANOS DO GRUPO DESPORTIVO DE MAPUTO

Filed under: 1920 anos, 2010 anos, Desportivo, L.MARQUES/MAPUTO — ABM @ 1:32 am
Para que conste. Uma nota de Eduardo Paixão, escritor e que foi Presidente do Desportivo no princípio dos anos 70, publicada na revista comemorativa do seu 52º aniversário, descrevendo em algum detalhe como foi fundado o Grupo em 1921.

O texto de Eduardo Paixão.

Maio 31, 2011

O GRUPO DESPORTIVO DE MAPUTO COMPLETA HOJE 90 ANOS

Filed under: 1920 anos, 2010 anos, Desportivo, L.MARQUES/MAPUTO, Vasco Abreu — ABM @ 3:56 am

Vasco Abreu sentado no pedestal de não sei quem à entrada do Desportivo Lourenço Marques, actualmente Grupo Desportivo de Maputo, que hoje completa noventa anos de existência.

O dia 31 de Maio de 1921 é considerado a data em que o Desportivo de Maputo foi fundado. Até pouco após a Indepdnência de Moçambique em 1975, o clube ostentou o nome, não da cidade em si, mas do homem considerado historicamente uma referência por ter visitado e explorado a zona durante os meados do século XVI – um senhor comerciante qualquer chamado Lourenço Marques.

A cidade teve e tem grandes clubes que possuem um percurso e glórias de destaque. O Desportivo não fica atrás, em particular por ter sido um clube que cultivou o convívio e o desporto com uma atitude e uma abertura que não eram do seu tempo. Quando a raiva anti-colonial, anti-portuguesa e (a meu ver) racista e oportunista dos líderes da guerrilha, chegaram à cidade em meados de 1974, uma das consequências quase imediatas foi a sucessiva e metódica destruição de tudo o que fosse simbólico e substantivo de um passado que então era ainda presente, quase subitamente fora decretado proscrito.

Mais do que tudo, as pessoas foram o alvo de um regime que redefiniu a moçambicanidade nos seus próprios termos e que embarcou numa aventura sem precedente na sua história, cunhada nos tresloucados ditames dos ditadores criminosos Mao e Pol Pot, de virar o mundo  do avesso e assim forjar o novo Homem Moçambicano.  À guerra para atingir a autonomia dos portugueses, seguir-se-ia outra, agora para libertar o Sul de África do jugo do homem branco e os nascentes moçambicanos dos seus próprios fantasmas. A sociedade colonial, já de si em significativa mudança e sob pressão dos eventos, desmoronou-se numa questão de poucos meses.

Ficou um deserto, para ser colonizado pelos amigos socialistas e pelos Senhores do Poder.

O caso com os clubes, como o Desportivo, não foram excepção. As pessoas fugiram. ou foram-se embora, consoante a interpretação de cada um. Ficaram as instalações, as salas dos troféus recheadas, as memórias, alguma ambição, e a ideia de que havia um residual que talvez valesse a pena manter, todos sujeitos à nova realidade, que quase nada tinha que ver com o passado. O património não material de quase todos foi praticamente obliterado, esterilizado das ligações que alguns tinham com clubes portugueses e do seu passado. Por um tempo, fez-se uma reorganização à moda comunista, com a gestão dos clubes atribuídas a ministérios, ao exército e organizações afins.

Apesar de tudo, algo do passado ficou no Desportivo, fruto, alguns argumentam, talvez algo exaustivamente, das suas credenciais algo diferentes – de que não era tão racista como isso, de que não era tão colonialista como isso, de que continha elementos proto-independentistas. de que, num episódio que é célebre para quem conhecia bem o clube, se recusara filiar-se com um clube de Portugal.

Tudo isso, de alguma forma. me faz bocejar, ainda que invariavelmente os argumentos todos, de um lado e de outro da paliçada histórica e ideológica, possam ter algum fundamento.

De facto, creio que a única homenagem que conheço no clube, na forma de um pequeno monumento situado directamente em frente à entrada principal do clube (que foi rapidamente retirada e as inscrições retiradas do pedestal à picareta) terá sido dedicada ao homem que liderou o processo de que resultou que a identidade do clube não ficasse associada a um clube de Portugal.

Mas não sei. A minha amiga Lucília, que tem uma memória de elefante, pensa que possa ser dum governador-geral, Gabriel Teixeira, um madeirense, que ocupou a Ponta Vermelha durante vários anos, e que em 24 de Julho de 1949 inaugurou a então piscina olimpica.  pois o busto, que se soltava e que eu uma vez atirei para a parte funda da piscina (ia levando uma coça do Faz-tudo e a seguir do pai Melo) era de um militar. Portanto não devia ser do Sr. Paulino dos Santos Gil, um dos grandes benefactores do clube de então, e que ofereceu o terreno onde ainda se situa o estádio de futebol que supostamente (e se assim, milagrosamente) ainda ostenta o seu nome.

A verdade é que eu ainda hoje não sei quem é, porque enquanto esteve lá, mesmo à frente de toda a gente, ironia das ironias, nunca prestei a atenção suficiente para sequer ler o que lá estava escrito.

É a estátua que se vê de lado, lá em cima, e à qual o então pequeno Vasco Abreu, da grande família do Desportivo dos Abreus, estava encostado quando o pai tirou a fotografia.

Naturalmente que não foi este exemplo, nem é este homem, aquilo que merecesse o mínimo respeito dos novos senhores do País. Pelo contrário. A linha argumentativa predilecta é que o que existia e o que foi feito foi ou roubado ao povo moçambicano ou extorquido pela via da repressão, tout court.

Portanto o que aconteceu, copiando dum termo que acho engraçado e que foi muito usado na altura da venda de uma certa barragem no Norte, terá sido apenas uma reversão.

Mas apesar de não ter sequer havido a pretensão de uma passagem de testemunho, antes uma tentativa “revolucionária” de refundação, ficou qualquer coisa. Alguém insistiu, e conseguiu, com que o clube não mudasse de nome, algo que em Maputo só conheço o caso do Ferroviário, outro grande clube moçambicano, que tinha por detrás o vasto complexo dos CFM, e o Clube Naval, que suponho era difícil chamar outra coisa qualquer. Houve ali um mínimo de evolução na continuidade, com o grande Sr. José Craveirinha, os Cabaço, o Sr. Gaspar e vários outros (essa história ainda tem que ser escrita, penso). Ficaram as cores alvi-negra na sua bandeira, e saiu uma águia e entrou outra. Para quem vivia a paranóia da simbologia, grandes concessões foram estas.

Mas, mais que tudo, ficou a vontade e o espírito.

Hoje, volvidos todos estes anos, e começando Moçambique a entrar numa fase de crescente normalidade, em que o passado cada vez mais dificilmente pode ser equacionado com a mesma têmpera com que foi nos anos loucos que sucederam imediatamente à Independência, regressa um maior equilíbrio. Maputo, agora correctamente, celebra o seu aniversário não quando Samora Machel proclamou num comício a sua mudança de nome, mas quando um colono qualquer, a mando de Lisboa, a elevou a cidade em 1887.

Assim, o Desportivo celebra hoje 90 anos desde que foi fundado.

Em Portugal, onde muitos dos antigos sócios e atletas passaram a viver após meados dos anos 70, ainda hoje há reuniões anuais do clube. O ano passado, um membro da actual direcção do Desportivo de Maputo esteve numa dessas reuniões. Ali, até sugeriu criar-se uma “Casa do Desportivo” de Maputo em Portugal. Foi um gesto simbólico, foi simpático até, mas tapar o fosso do que aconteceu não é coisa fácil, especialmente para este grupo de pessoas.

O que existe em Maputo não é ainda, e duvido que alguma vez o venha a ser, o Desportivo que eu conheci e onde cresci. O Desportivo era sobretudo as pessoas que o frequentavam, o que faziam e os valores que ostentavam. Não era sobre as instalações.  Depois de quase quarenta anos, todos nós seguimos os respectivos percursos. A vida não pára. Mas há lá alguma coisa de nós todos que lá estivemos naquelas pedras e ainda nalgumas pessoas.

E vai haver sempre algo do Desportivo dentro de mim e de outros.

Por tudo isso, hoje considero apropriado fazer um brinde. A tudo o que foi, a tudo o que é.

E principalmente a tudo o que todos podemos vir a ser, neste caso nós e os nossos filhos.

Brindo, mais que aos 90 anos do Desportivo que foi Lourenço Marques e que é “de” Maputo, à resiliência dos ideais de competição sã, de integridade, de comunidade, de fair play e de excelência, que estavam na sua essência, valores que eu creio os actuais sócios e dirigentes do Clube sabem que existiram e que até, pelo seu valor intrínseco, os inspira.

Se de facto desses valores embuído, o Desportivo de Maputo nunca deixará de ser o que foi começando naquele fim de Maio de 1921, e continuará a ser, na grande capital e no país que é agora – e desde há 36 anos – dono do seu destino.

Com um pouco de sorte, conto estar por aí para assinalar os 100 anos da sua existência e dizer então, com um sorriso

Desportivo para sempre.

Março 25, 2011

O GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, SANTOS RUFINO, ANOS 20

Filed under: 1920 anos, Desportivo, L.MARQUES/MAPUTO, Vista Geral — ABM @ 2:26 am

A imagem de cima deve ser vista como a metade da esquerda, a debaixo como a metade da direita.

Fundado em Maio de 1921 (completa 90 anos daqui a dois meses) o Desportivo teve como sua primeira sede a casa na primeira imagem, em baixo do lado esquerdo.

A implantação do clube ia até ao muro que se pode ver na imagem debaixo, do lado direito.

Em frente ao clube ficava situado o edifício feito de raíz para a Câmara Municipal da cidade, que ainda existe.

Em baixo à esquerda, a primeira sede do GDLM. Em grente a Câmara. Ao fundo pode-se ver um pavilhão e a Capitania e Alfândega da cidade naquela altura.

Ao centro pode-se ver o muro que delimitava os terrenos do Desportivo.

Fevereiro 11, 2011

MANUEL ALEXANDRE BAPTISTA PRATA DIAS (WANGONI): IN MEMORIAM

O texto é da autoria do Prof. Rui Baptista.

O Prof. Prata Dias em 1962, no estádio coberto do Malhangalene, a entregar um prémio a uma das equipas que participaram num festival da Mocidade Portuguesa. Esta foto aparece mais à frente na totalidade, e foi enviada muito generosamente por Eduardo e Cristina Horta. Muito grato.

O recente post aqui publicado, “António Trindade a jogar ping pong, anos 60” (29/01)2011), sugere-me a oportunidade e a justiça deste pequeno texto.

Lembro-me bem de António Trindade, com quem convivi mais de perto numa altura de que uma das suas filhas foi por mim acompanhada num tratamento de ginástica correctiva ou de reabilitação como hoje se chama. Os seus despiques de ténis com Prata Dias eram famosos em Lourenço Marques chamando aos courts do Cube de Ténis de Lourenço Marques um público entusiasta que torcia ora por um ora por outro. Eram dois estilos de jogo diferentes de dois belíssimos jogadores que alternavam entre si o título de Campeão de Moçambique. Julgo até que ambos chegaram a ser campeões de ténis de Portugal, um Portugal que ia do Minho a Timor espalhando o seu nome e a sua gesta pelos cantos do mundo.

E já que vem ao caso o nome do meu Colega Prata Dias, membro de uma família ilustre e antiga da então Lourenço Marques, ao que me disseram falecido anos atrás no Brasil para onde se dirigiu depois da Independência, é justo recordar que se tratava de um atleta completo, tendo vencido vários Campeonatos Universitários, em outras modalidades desportivas (atletismo e natação) em representação do antigo INEF, hoje Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.

Este um singelo preito (em que me atrevo associar o The Delagoa Bay Company) a um Colega e Amigo dele bem merecedor. Melhor, merecedor de uma Homenagem que faça esquecer o hábito ancestral e bem português de depreciar os vivos e esquecer os mortos que da lei da morte se foram libertando, como escreveu o Vate.

A história também é feita de testemunhos de quem foi seu contemporâneo. Seja ela feita pelo entusiasmo e obra digna de louvor de António Botelho de Melo que a espalha pela grande família moçambicana e urbi et orbi em milésimos de segundo com a ajuda de uma memória, por vezes, enfraquecida de quem presta os seus testemunhos orais, escritos ou por imagens fotográficas. Não é bem verdade, ao que se diz, que recordar é viver outra vez?

(fim)


Notas adicionais de ABM à crónica do Prof. Rui Baptista

1. O sítio da Federação Portuguesa de Ténis na internet indica que Prata Dias foi campeão nacional de ténis uma vez.

2. O texto abaixo revela o que sucedeu com Prata Dias e a sua família. Como corolário, encontrei referências laudatórias do Prof. Prata dias pelos hoje treinadores de ténis brasileiros Miguel Kelbert (“um dos tenistas e professores mais conhecidos do Estado, Miguel Kelbert começou a jogar ainda cedo no Grêmio Náutico União, sob a orientação do professor Prata Dias. Atualmente Miguel integra o team de professores da Academia TopSpin, na Associação Hebraica, além de disputar torneios pelo Rio Grande do Sul, colocando “medo” nos adversários mais jovens”) e Luiz Siqueira (“Tive a oportunidade de aprender, fazer cursos e clínicas com grandes nomes, como Kirmayr, treinador da Gabriela Sabatini, e também com o grande Prata Dias, dono de uma técnica inesquecível”)

3. O brasileiro Jornal da Orla, edição de 31 de Outubro de 2010, publicou o seguinte texto, assinado pelo colunista Sr. José Carlos Silvares, que creio ser relevante e se reproduz em seguida, com vénia:

Título: Campeões do Além-Mar

Ainda havia muito medo nos olhos de todos. O mais velho, um professor campeão de tênis, ao lado da mulher, da filha, do genro e das três netas, apesar de tudo, conseguia falar de esperança. Eles fizeram parte talvez da primeira leva de refugiados de Moçambique a chegar ao Brasil naquela época de pânico que tomava conta da colônia portuguesa no continente africano.

Era janeiro de 1975 quando o cargueiro italiano “Calagaribaldi” finalmente atracou no Porto de Santos. A passagem de ano em alto-mar foi um divisor de águas para a família Prata Dias. Todos se abraçaram a bordo e agradeceram a Deus por estarem ali sãos e salvos, embora no rumo do desconhecido.

Encontrei um professor Prata Dias ainda em pânico. Em seu primeiro contato com um brasileiro, na porta do camarote, ele começou a contar a aventura que foi conseguir as vagas no navio, após uma espera de 48 dias até a chegada do cargueiro italiano.

“Posso dizer que Moçambique foi totalmente transformada em campo de batalha, e a indecisão é o ponto marcante na vida de inúmeras famílias, que não sabem o que fazer. Algumas, com posses, foram para países distantes; outras, com menos recursos, invadem a fronteira com a África do Sul; e há os que simplesmente esperam, para ver o que vai acontecer nos próximos dias”. Foram suas primeiras palavras a um jornalista cheio de perguntas a fazer.

O professor completava: “Há muito pânico e receio, e a incerteza do que está para acontecer tem levado famílias ao desespero, fugindo e deixando parentes, terras e até roupas”. Das 300 mil pessoas que moravam na região de Lourenço Marques, capital e principal porto do país, cerca de 130 mil já tinham fugido, muitas a pé.

Moçambique vivia tempos de guerra civil, de ódio racial, na luta por sua independência de Portugal, liderada pela Frente de Libertação de Moçambique, a Frelimo. Lisboa tinha vivido a Revolução dos Cravos em abril de 1974 que depôs o regime ditatorial e as colônias buscavam a independência a qualquer custo. A família Prata Dias já estava no Brasil quando isso aconteceu, em junho de 1975.

Com medo de ser assassinados, os portugueses de Moçambique tomaram rumos diferentes. O professor Manuel Alexandre Baptista Prata Dias, então com 53 anos, fez o que achou que deveria fazer: lutou por passagens em um navio qualquer, para qualquer lugar. Juntou seus familiares, encaixotou os 312 troféus e centenas de medalhas que ganhou durante 23 anos em torneios de tênis, alguns internacionais, catalogou seus documentos como professor de Educação Física com especialidade em tênis, com diploma dos Liceus do Ultramar, e às vésperas do Natal de 1974 conseguiu embarcar.

A bordo ele soube que o navio iria para o Porto de Santos. No mar, lendo uma revista, encantou-se com imagens de Porto Alegre e decidiu: adotaria a cidade para reiniciar a vida. Tudo o que tinha na bagagem eram planos. Um deles, de lecionar numa universidade e de voltar a dar aulas de tênis.

Senti muita determinação do professor com relação ao seu futuro no Brasil, até então totalmente desconhecido e incerto, e procurei transmitir essa firmeza de meta como um exemplo a ser seguido, na reportagem publicada na época. Mais incerto e desconhecido, para ele e sua família, era o futuro em Moçambique. “Queremos uma vida melhor”, disse, ao lado da mulher Maria Teresa, da filha Maria, do genro José Armando Ribeiro Fernandes e das netas Lycia, Ariana e Ágata.

O professor tinha uma curiosidade em seu currículo. Ele nasceu a bordo de um navio alemão, o “Wangoni”, numa viagem dos pais entre dois portos sul-africanos, e sua certidão de nascimento trazia como sendo natural do navio. Quando completou 18 anos, em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, foi chamado pela Alemanha para integrar o quadro do Exército, já que havia nascido no navio, considerado território alemão. Ele não foi e no ano seguinte resolveu mudar a certidão como nascido em Moçambique.

O "Wangoni", a bordo do qual Manuel Prata Dias nasceu em 1922, sob bandeira alemã. Em 1940, os alemães tentaram recrutá-lo para a guerra. Ele mudou a certidão de nascimento para dizer que nascera no território então português de Moçambique. E ficou em Lourenço Marques.

O professor lembrou esse fato para dizer que se tivesse ido para a Alemanha teria mudado o seu destino. Acabaria mudando muitos anos depois por força de outra guerra, em seu país.

Nunca mais ouvi falar da família. Soube muitos anos depois que o seu sonho de lecionar tênis foi realizado até à morte. Um dos clubes em que foi técnico foi o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre. Alguns de seus alunos, como havia acontecido no passado, agora no Brasil, tornaram-se campeões de tênis. Um deles, Miguel Kelbert, sempre faz questão de referir-se a ele como o seu primeiro e saudoso professor.

Escrevi depois muitas outras histórias de refugiados que chegaram ao Porto de Santos, ao acaso ou não, fugindo de Angola e de outros países, fugindo do medo, fugindo do futuro incerto, em tentativas de recomeçar a vida em condições mais favoráveis. A história dos Prata Dias, no entanto, por algum motivo, sempre me vem à memória.

São histórias que lembram a dos milhares de imigrantes que, como meus antepassados e os antepassados de muitos leitores, vieram para o Brasil e aqui se firmaram no trabalho nas cidades, em fábricas, ou no campo, plantando café e colhendo seus descendentes. São cidadãos de além-mar, campeões de além-mar, trazidos por navios ou aviões, a reconfirmar que, quando se quer, tudo é possível e tudo é vitória.

(fim)

Janeiro 26, 2011

A EQUIPA DO CLUB INTERNACIONAL DE FOOT-BALL DA BEIRA, ANOS 20

Filed under: 1920 anos, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 12:30 am

O 1º Team do Club Internacional de Foot-ball da Beira. Na imagem vêem-se Luiz Perry de Linde (guarda-redes), Estácio da Veiga e J. da Silva (defesas); Joaquim César, Castro Galvão e Menezes Ferreira (meias-defesas); George Frank, F. Marçal, Carlos de Magalhães, M. Ferreira e M. Peixoto (avançados). O 2º Team: Sérgio Azedo (guarda-redes); Vítor Ferreira e A. Cardozo (defesas); António Froes e João Garico e Manços Medeiros (meias-defesas); Carlos de Faria, Dionísio Pinho, Gaspar Leite, Marcelino Simões e H. Broke (avançados).

Janeiro 24, 2011

OA CAMPEÕES DE FUTEBOL DE MOÇAMBIQUE, 1922-2010

Eia uma lista dos campeões de futebol de Moçambique, que fui buscar ao sítio  http://www.rsssf.com/tablesm/mozchamp.html

CAMPEÕES DISTRITAIS DE LOURENÇO MARQUES

1922 Sporting Clube de Lourenço Marques
1923 Atlético
1924 Clube Indo-Português
1925 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1926 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1927 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1928 Atlético
1929 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1930 Sporting Clube de Lourenço Marques
1931 Ferroviário (Lourenço Marques)
1932 Ferroviário (Lourenço Marques)
1933 Sporting Clube de Lourenço Marques
1934 Ferroviário (Lourenço Marques)
1935 Ferroviário (Lourenço Marques)
1936 Ferroviário (Lourenço Marques)
1937 Grupo Desportivo de Lourenço Marques
1938 Sporting Clube de Lourenço Marques
1939 Ferroviário (Lourenço Marques)
1940 Sporting Clube de Lourenço Marques
1941 não atribuído devido ao Maio Affair
1942 Ferroviário (Lourenço Marques)
1943 Sporting Clube de Lourenço Marques
1944 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1945 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1946 Grupo Desportivo de Lourenço Marques
1947 Ferroviário (Lourenço Marques)
1948 Sporting Clube de Lourenço Marques
1949 Ferroviário (Lourenço Marques)
1950 Ferroviário (Lourenço Marques)
1951 Ferroviário (Lourenço Marques)
1952 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1953 Sporting Clube Lourenço Marques
1954 Ferroviário (Lourenço Marques)
1955 Ferroviário (Lourenço Marques)
1956 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1957 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1958 Ferroviário (Lourenço Marques)
1959 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1960 Sporting Clube Lourenço Marques
1961 não atribuído devido ao Daniels Affair

CAMPEÕES DE MOÇAMBIQUE (ANTES DA INDEPENDÊNCIA

1956 Ferroviário (Lourenço Marques)
1957 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1958 Ferroviário (Beira)
1959 Sporting Clube de Nampula empate 1-1 [2-1 pen] Desportivo
1960 Sporting Clube de Lourenço Marques
1961 Ferroviário (Lourenço Marques)
1962 Sporting Clube de Lourenço Marques
1963 Ferroviário (Lourenço Marques)
1964 Grupo Desportivo Lourenço Marques
1965 não terminou
1966 Ferroviário (Lourenço Marques)
1967 Ferroviário (Lourenço Marques)
1968 Ferroviário (Lourenço Marques)
1969 Textáfrica (Vila Pery)
1970 Ferroviário (Lourenço Marques)
1971 Textáfrica (Vila Pery)
1972 Ferroviário (Lourenço Marques)
1973 Textáfrica (Vila Pery)
1974 Ferroviário (Beira)

CAMPEÕES DE MOÇAMBIQUE (DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA)

1975 (Não houve campeonato)
1976 Textáfrica (Chimoio)
1977 Grupo Desportivo (Maputo)
1978 Grupo Desportivo (Maputo)
1979 Costa do Sol (Maputo)
1980 Costa do Sol (Maputo)
1981 Têxtil Pungué (Beira)
1982 Ferroviário (Maputo)
1983 Grupo Desportivo (Maputo)
1984 Maxaquene (Maputo)
1985 Maxaquene (Maputo)
1986 Maxaquene (Maputo)
1987 Matchedje (Maputo)
1988 Grupo Desportivo (Maputo)
1989 Ferroviário (Maputo)
1990 Matchedje (Maputo)
1991 Costa do Sol (Maputo)
1992 Costa do Sol (Maputo)
1993 Costa do Sol (Maputo)
1994 Costa do Sol (Maputo)
1995 Grupo Desportivo (Maputo)
1996 Ferroviário (Maputo)
1997 Ferroviário (Maputo)
1998 não houve [*]
1998/99 Ferroviário (Maputo)
1999/00 Costa do Sol (Maputo)
2000/01 Costa do Sol (Maputo)
2002 Ferroviário (Maputo)
2003 Maxaquene (Maputo)
2004 Ferroviário (Nampula)
2005 Ferroviário (Maputo)
2006 Grupo Desportivo (Maputo)
2007 Costa do Sol (Maputo)
2008 Ferroviário (Maputo)
2009 Ferroviário (Maputo)
2010 Liga Muçulmana (Maputo)

[*] em 1998 disputou-se uma mini~liga, cujo vencedor foi o Costa do Sol (Maputo) que não contou como campeonato.

Outubro 11, 2010

A PRIMEIRA “PISCINA” DE MOÇAMBIQUE

Filed under: 1920 anos, Doca Seca, NATAÇÃO DE MOÇAMBIQUE — ABM @ 11:34 pm

A Doca Seca do porto de Lourenço Marques foi o primeiro local em Moçambique onde se realizaram provas de natação.

Outubro 10, 2010

ÁLVARO ÂNGELO DE OLIVEIRA, SÓCIO FUNDADOR DO DESPORTIVO

Fotografia gentilmente enviada por Isabella Oliveira.

Para além de Sócio Fundador, Álvaro de Oliveira foi atleta, pai e avô de atletas do Desportivo e terá sido Presidente do Clube em 1942.

O Cartão de Sócio Nº36 do Desportivo, Álvaro Ângelo de Oliveira, avó da Isabella Oliveira

Outubro 3, 2010

ALBERTO SIMÕES PERICÃO E SÓCIOS FUNDADORES DO DESPORTIVO, 1928

Momento alto aqui na Casa.

Estas fotos foram muito gentilmente enviadas pelo Sr. Renato Pericão, que foi dirigente desportivo e cujo pai foi sócio fundador do Grupo Desportivo Lourenço Marques.

Segundo a sua nota, “Sócios Fundadores – Alberto Simões Pericão, com mais alguns fundadores e adeptos do Desportivo, em 1928.”

Alberto Pericão (à direita) com colegas sócios do Despotivo de LM no Pavilhão de Chá na antiga Praia da Polana, 1928

Alberto Simões Pericão com o seu fato do Desportivo no Pavilhão de Chá da Polana, 1928

Alberto Pericão em Lourenço Marques com amigos sócios do Desportivo, 1928

Mais uma foto de Alberto Pericão com amigos, LM, 1928

Mais uma foto de Alberto Pericão com amigos do Desportivo, LM, 1928

Alberto Pericão com amigo, LM, 1928

Dezembro 26, 2009

A PRIMEIRA SEDE DO DESPORTIVO, 1922

Filed under: 1920 anos, Desportivo, L.MARQUES/MAPUTO — ABM @ 4:06 pm

Velha imagem da primeira sede do Grupo Desportivo Lourenço Marques (não de Lourenço Marques – a designação completo do Desportivo aludia ao nome do tal de navegador, não ao nome da cidade, o que é diferente).

Desde que a actual sede foi construída, a velha sede já serviu para tudo e mais alguma coisa. Nos últimos dez anos, tem sido um bar, mudando de mão de vez em quando e com um grau de popularidade oscilante.

Imagem da primeira sede do Desportivo, que ainda existe

A casa original continua no mesmo local, mesmo em frente ao pavilhão coberto do Desportivo

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