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Novembro 21, 2010

HUMBERTO BAPTISTA DA COSTA E A TRAVESSIA CIDADE DO CABO-RIO DE JANEIRO EM 1973

Filed under: 1970 anos, 2000 anos, Humberto Baptista da Costa — ABM @ 3:37 am

O Senhor Prof. Rui Baptista teve um irmão, Humberto Baptista da Costa, falecido no ano passado, que foi um ilustre e conhecido velejador angolano.

Com a devia vénia, transcreve-se, do blogue “Casa de Angola”, um documento valioso da história da vela angolana e que relata o feito desportivo de Humberto Baptista da Costa, o irmão do “nosso” Prof. Rui Baptista.

Refira-se que Moçambique participou também nesta regata com o “Adamastor”, comandado pelo mais tarde Almirante Rosa Coutinho, que na altura vivia em Lourenço Marques.

Segue-se a crónica, cujo texto original pode ser encontrado aqui:

“Um documento inédito sobre a Regata Cabo-Rio, realizada em Janeiro de 1973, que foi a primeira regata oceânica em que Angola esteve presente com o veleiro Patrícia II, sob o comando de Humberto Baptista da Costa, ilustre sócio da Casa de Angola e membro de várias Direcções. Esta verdadeira epopeia só foi possível devido à determinação e vontade férrea deste angolano notável que tão prematuramente partiu para a sua derradeira regata rumo à eternidade”.

Humberto Baptista da Costa junto ao Patrícia II, numa foto tirada no dia 1 de janeiro de 2006.

“A vela de pequenas embarcações (snipes, finns e outros), tinha, desde a década de cinquenta, razoável divulgação, em Angola, produzindo alguns campeões nacionais e, até, europeus.  Porém, a vela em barcos de maior dimensão (cruisers racers), só na segunda metade dos anos sessenta, começou a despertar.

A capital angolana, vista do Clube Naval de Luanda.

Com a realização das primeiras regatas Luanda/Lobito, os velejadores mais afoitos ambicionaram por uma representação angolana naquela que era, à época, a mais longa regata do mundo: a CapeTown/Rio de Janeiro (“Cape to Rio Race”). Escolhido um barco (um Pioneer 10) construído em um dos melhores estaleiros, da Europa (E.G.Van de Stadt, de Amesterdão), este chegou a Luanda em princípios de 1972 e logo se iniciaram os treinos intensivos (barco e tripulação), que se prolongaram por cerca de oito meses.  A tripulação era composta por seis elementos incluindo o seu skipper,  Humberto Baptista da Costa.

Chegada do Patrícia à Cidade do Cabo

A partida da regata. Ao fundo, a Cidade sul-africana do Cabo.

O “Patrícia II” (o barco em causa), seria, segundo o entendimento actual, um cruiser race pequeno, cujas medidas obedeciam às mínimas permitidas em regatas transoceânicas.  A vontade de se estar presente em tão importante competição, superou insuficiências e receios e, a 13 de Janeiro de 1973, pela vez primeira, uma representação angolana tomava parte em uma regata oceânica: de Cape Town partiu-se à aventura, na tentativa da vela angolana atingir a sua maioridade. A importância que a África do Sul dava ao desporto da vela chegou ao ponto de o Mayor da Cidade de Cape Town instituir o dia da grande largada como feriado municipal: calculou-se que, da Marginal, estariam a assistir cerca de 200.000 pessoas.

O iate Patrícia com o balão em funcionamento.

Largas centenas de barcos de recreio, de pesca e outros, bem como helicópteros e avionetes, infernizavam as manobras dos cerca de sessenta veleiros, que aguardavam pelo tiro de largada.  Emocionante e arrasador ! O “Patrícia”, na primeira semana da regata, chegou a estar em 5º. lugar, mas a brusca mudança de direcção da alta pressão do Atlântico Sul, imobilizou-o durante três longos dias (o mesmo aconteceu ao barco dos E.U.A., que acabou por desistir).  Sob um calor tórrido sucederam-se borrascas tropicais, com ventos da ordem dos 50 nós (90 kms./hora).  O esforço dos tripulantes só era superado pelo seu entusiasmo.

O iate Patrícia II aproxima-se da cidade do Rio de Janeiro.

Após quase trinta dias de viagem, sem escala, o “Patrícia II” terminou em 28º. lugar e, numa pequena regata, dita da amizade, realizada na Baía de Guanabara (em que participaram não só os barcos da Cabo/Rio como inúmeros outros, locais), alcançou o 1º. lugar, da sua classe. Hoje, com 72 anos (nasceu em Luanda, em 1936), Humberto Baptista da Costa, recorda, com saudade, a longa luta encetada para a expansão da vela oceânica, angolana, e lamenta não se ter proporcionado a realização, em 1975 (Centenário da Cidade de S. Paulo de Luanda) da regata Luanda/Rio de Janeiro, cujos trabalhos haviam sido iniciados em Agosto de 1973.

A tripulação do Patrícia no Rio de Janeiro verifica o seu correio.

Humberto Baptista da Costa responde aos órgãos de informação sobre questões relacionadas com a Regata Cabo-Rio.

Humberto Baptista da Costa foi membro de várias direcções da Casa de Angola de Portugal, tendo falecido em Julho de 2009, sendo a essa data Vice- Presidente da Mesa da Assembleia Geral desta associação.

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