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Novembro 2, 2010

A HISTÓRIA DO CLUBE FERROVIÁRIO DE MOÇAMBIQUE

Filed under: História do CFM — ABM @ 12:39 pm

A primeira sede do Clube Ferroviário de Moçambique

(Reproduzido da revista Xitimela, dos CFM, escrito por Marcelo Mosse)

Junto do Matadouro (velho) havia uma cantina onde se jogava o chinquilho, e alí se reunia, nas horas vagas, o pessoal da Tracção que cultivava aquela modalidade de jogo. Perto havia o campo de futebol do Sporting Clube de Lourenço Marques (mais tarde campo de treinos do 1º de Maio) onde se disputava os campeonatos da Associação local. Um dia do Mês de Setembro de 1924, à porta dessa mesma cantina, abria-se uma quota entre indivíduos para a compra de uma bola e respectiva bomba. E assim nasceu o Clube Ferroviário de Moçambique. O seu nome de parto era Clube Desportivo Ferroviário.

As grandes obras nascem de pequenos gestos!

Da compra da bola nasceu a ideia de se fundar o clube. O teor da primeira acta rezava assim:

“Aos 13 de Outubro de 1924, pelas 20 horas, reuniu-se na casa nº. 13 da Vila Mousinho, um grupo de ferroviários que deliberou fundar em Lourenço Marques uma associação desportiva, denominada «Clube Desportivo Ferroviário», destinada a exercer o desporto e a beneficiência”. Esta descrição da gênese do Ferroviário vem inscrita numa coisa que se chama” Livro de Ouro do Mundo Português ” (s/data).

Nos primórdios de 2000, como se vê, o Ferroviário – a economia da palavra lavrou esta designação, parece ser o menino-prodígio que cumpre à risca a predestinação que lhe traçaram os progenitores: no desporto é numerosa a obra feita e na beneficiência – concretamente na àrea social, está demais comprovada a utilidade da obra do clube ao longo dos anos. Por mais que o fio dos tempos tenha trazido alguns desecantos. E desacatos. Pois, algum património passou por períodos negros de destruição.

Mas será, a de que falamos, uma obra do ferroviário? Ou dos CFM? Cremos que dos dois, pois, embora dos CFM tenha vindo o Ferroviário, é este o clube que vem escrevendo a história desportiva da gigantesca empresa de Portos e Caminhos de Ferro moçambicana. Uma mão lava a outra, já dizia o ditado.

O clube ajuda na concretização da obra social da empresa. A obra social não radica apenas no servir os trabalhadores com uma clínica hospitalar ou com uma estalagem de férias em praia paradisíaca. É também levar-lhes as emoções do desporto, a possibilidade da sua prática e receber o seu contributo na edificação do clube, o feedback da paixão que criou a mística ferroviária.

O parto do Ferroviário foi feito sob a aura do futebol – no princípio, foi o futebol que lhe deu a alma e lhe cultivou o alento – esse desporto dito de multidões. Mas o ímpeto nos primeiros 15 anos da vida foi arrebatador. O Ferroviário levou muito ferro na sua medula espinal.

Da data da fundação até 1929, o clube não faz provas porque não possui nem elementos nem recursos para isso. O Livro de Ouro dá mesmo conta do facto: “E se não deixou de existir, deve-se únicamente, muito únicamente, à tenacidade forte desse grupo de carolas que nunca perdeu a fé de ver o seu «Ferroviário» chegar a ser ainda alguma coisa em Lourenço Marques”.

O casamento do clube com os Caminhos de Ferro, entanto que empresa, dá-se em 1931, quando a Administração Ferroviária ” delega o clube para trabalhar na educação física dos seus funcionários “.

A obra social não radica apenas no servir os trabalhadores com uma clínica hospitalar ou com uma estalagem de férias em praia paradisíaca. É também levar-lhes as emoções do desporto, a possibilidade da sua prática e receber o seu contributo na edificação do clube, o feedback da paixão que criou a mística ferroviária.

O parto do Ferroviário foi feito sob a aura do futebol – no princípio, foi o futebol que lhe deu a alma e lhe cultivou o alento – esse desporto dito de multidões. Mas o ímpeto nos primeiros 15 anos da vida foi arrebatador. O Ferroviário levou muito ferro na sua medula espinal. Da data da fundação até 1929, o clube não faz provas porque não possui nem elementos nem recursos para isso. O Livro de Ouro dá mesmo conta do facto:

“E se não deixou de existir, deve-se únicamente, muito únicamente, à tenacidade forte desse grupo de carolas que nunca perdeu a fé de ver o seu «Ferroviário» chegar a ser ainda alguma coisa em Lourenço Marques”.

O casamento do clube com os Caminhos de Ferro, entanto que empresa, dá-se em 1931, quando a Administração Ferroviária ” delega o clube para trabalhar na educação física dos seus funcionários “.

De lá para cá o Ferroviário viveu uma trajectória de edificação de sí mesmo à sombra tutelar da empresa. O primeiro campo, iluminado exemplarmente por via da quotização dos sócios, à semelhança do Estádio da Machava (na altura Estádio Salazar), foi erguido em 1944, tal como a actual sede em Maputo. O Estádio salazar é dos anos sessenta.

Em meados da dêcada de 60, o clube era já um monstro no portfólio do desporto do Moçambique colonial. Para além do futebol, o Ferroviário lançou-se ao atletismo, basquetebol, ciclismo, ginástica, hóquei em patins, minibásquete, natação, ténis de mesa, tiro, etc. E em 1968 inaugurou aquela que é ainda hoje a maior infraestrutura do desporto moçambicano: o Estádio da Machava, inaugurado a 30 de Junho desse ano, vulgo sala de visitas do nosso futebol.

Na actualidade, o ferroviário detém o maior parque desportivo de Moçambique. Não existe Província sem clube de seu nome. Se a carolice que guindava para a prática desportiva nos tempos de então era decisiva, nos dias que correm muitos ferroviários deixaram de apitar sob os carris da bola mas, mesmo assim, a obra está lá. O legado, hoje, é imenso. Já nos anos 70, o clube tinha 21 delegações pelo País fora. De Gondola ao Lumbo. De Lapala a Mutarara. Em Malema, na Manga, em Magude, etc., etc., etc. E parques desportivos: o Pavilhão de Desportos da Beira, que inclui a única Piscina Olímpica em funcionamento no País, o Pavilhão de Desportos de Nampula, também com piscina, a piscina de Gondola, para não mencionar o grandioso complexo localizado na capital do país, Maputo.

A história desportiva do Ferroviário também é rica em títulos conquistados. A contigência do espaço leva-nos a delimitar a sua descrição e, sem descriminações implícitas, a cingirmo-nos ao desempenho do futebol do clube-mãe, o de Maputo, nos últimos 25 anos.

O palmarés inclui 5 títulos nacionais (1982-89-96-97-98) e vitórias da Taça de Moçambique (em 1998 e em 1992). No âmbito internacional, o Ferroviário chegou mais longe que qualquer outra equipa moçambicana nas competições africanas. Em 1993, comandado pelo “monstro sangrado” Mário Coluna, o futebol quase atingia a final da Taça das Taças Africanas, não fosse a sorte ter bafejado o Nakivubo Vila do Uganda. Mais recentemente, disputou a novel Liga dos Campeões Africanos, com uma boa prestação.

Se os CFM ajudaram a que o império desportivo dos trabalhadores ferroviários crescesse de forma impoluta, beneficiando os próprios trabalhadores, estes também viram a empresa a construir por todo o País uma obra social de vulto, obra essa que hoje continua erguida. Já em 1964, contavam-se 12 edifícios sociais, entre Bairros residenciais, lares de estudantes, pousadas para trabalhadores, bares, restaurantes, enfermarias para trabalhadores doentes e até centros de formação profissional.

Assim é que encontramos na Praia do Bilene uma imponente estância balnear e em Inhambane a grandiosa Escola Ferroviária de Moçambique (hoje Escola Superior de Hotelaria e Turismo), inaugurada em Março de 1971. Este legado, hoje, é tido pelos trabalhadores também como seu património. Importante na história da empresa, ele está no coração de todos os ferroviários e é memória viva do suor dos muitos moçambicanos que deram o seu máximo pela empresa desde 1885.

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