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Janeiro 3, 2012

GUILHERME CABAÇO, SÓCIO DO DESPORTIVO, IN MEMORIAM

Filed under: 2010 anos, DESPORTIVO LM/MAPUTO, Guilherme Cabaço + — ABM @ 3:30 pm

O Desportivo assinala esta semana o falecimento do Sr. Guilherme Cabaço.

O Sr. Guilherme Cabaço, uma vida sócio do Desportivo antes e depois da Independência, faleceu Sábado, dia 31 de Dezembro de 2011. Em 1980 foi presidente do Clube, antecidido por Manuel Jorge e seguido por João Albasini.

No sítio do Clube, foi publicado este texto, da autoria do até agora mais velho sócio do clube, na ocasião do seu 92º aniversário:

85 Anos no Desportivo

Tinha sete anos quando me fizeram sócio infantil do Desportivo. Era o clube do meu pai e era um clube genuinamente da terra.

Pratiquei aí várias modalidades desportivas: fui infantil de futebol (há uma foto da equipa nas paredes da sede), fiz basquetebol, hóquei em campo, atletismo e pólo aquático.

Diziam então que eu era um miúdo com jeito para o desporto. Por razões da vida pessoal tive de ir para Portugal quando tinha 16 anos e, quando regressei, três anos e meio mais tarde, tive de ir trabalhar e não pude retomar a prática desportiva. Embora longe da capital, mantive sempre a minha ligação com a agremiação.

O Desportivo deu-me muitas alegrias desportivas e pessoais. De entre elas, recordo a honra e responsabilidade que representou fazer parte da comissão de sócios que chamou a si a construção do campo de futebol [Estádio Paulino dos Santos Gil) onde jogámos até há poucos anos. O Benfica de Lisboa tinha acabado de ganhar a Taça Latina, o primeiro grande torneio europeu, e nós, como delegação do clube português, tomámos a iniciativa de o trazer a Moçambique. Negociámos com os nossos vizinhos do Sporting (hoje Maxaquene), a utilização do campo, mas os nossos eternos rivais impuseram condições inaceitáveis. Pouco mais de dois meses antes da chegada do Benfica, um grupo de sete sócios reuniu-se e decidiu construir um Estádio para a ocasião.

Construir um Estádio condigno em tão pouco tempo foi uma aventura, mas com o nosso esforço, com o esforço dos trabalhadores (que trabalharam, por turnos, dia e noite) e com a boa vontade de muitos, conseguimos tê-lo pronto no dia anterior ao jogo inaugural do Benfica.

Eu sou hoje o único sobrevivente dessa comissão a que tive a grande honra de pertencer.

Um outro momento alto vivido no clube foi a famosa Assembleia-Geral para decidir se passaríamos ou não a ser filiais do Benfica de Portugal. Um número grande de sócios era benfiquista e defendia essa opção. Ganhámos a Assembleia-Geral, mantivemos o nome e as nossas cores tradicionais, e deixámos de ser delegação daquele clube lisboeta.

Foi aí que nasceu o Benfica de Lourenço Marques, hoje o Costa do Sol.

Esta história de luta pela moçambicanidade do clube explica a minha alegria quando, depois da Independência, o Desportivo, adequando-se à nova realidade, conseguiu manter o seu nome e a sua personalidade.

Foi o reconhecimento da sua autenticidade moçambicana.

Mais tarde e por duas vezes, se a memória não me falha, fui chamado a presidir à Direcção do clube [1980] e fui também Presidente da Assembleia-Geral. Como candidato proposto pelo clube fiz um mandato como Presidente da Associação de Futebol de Lourenço Marques.

Posso dizer que as grandes alegrias que o desporto me proporcionou estão ligadas ao Desportivo e aos sucessos da selecção de Moçambique. Não esqueço as alegrias que, por um breve período, vivi com os grandes resultados conseguidos pela selecção dos naturais. Era uma selecção constituída apenas por jogadores naturais de Moçambique e que se organizava por ocasião da visita de equipas estrangeiras e que o Governo de então acabou por proibir.

Com 92 anos de idade, sou o sócio mais antigo do clube e muito me alegra poder comemorar os seus 90 anos. Tenho muita fé nos destinos do Desportivo, porque o vi ultrapassar sucessivas dificuldades e o vejo hoje com uma Direcção competente e dedicada, sob a presidência do Dr. Michel Grispos, que muito admiro.

Nesta ocasião, endereço a todos os associados e simpatizantes os meus parabéns pela efeméride e exorto-os, do fundo do coração, a continuarem o seu apoio ao nosso Desportivo, para bem do desporto moçambicano e do país.

À Familia Cabaço e ao Desportivo, endereço as minhas condolências.

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