THE DELAGOA BAY COMPANY

Janeiro 5, 2014

EUSÉBIO E RUTE MALOSSO EM LOURENÇO MARQUES, 1960: UMA EVOCAÇÃO

Filed under: 1960 anos, 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira — ABM @ 5:29 pm
A jovem estrela no arranque do seu percurso.

A jovem estrela no arranque do seu percurso.

Já se contaram inúmeras histórias e episódios em redor do Grande Eusébio, que faleceu hoje em Lisboa, cerca de três semanas antes de completar 72 anos de idade.

Mas não esta pequena história, que aqui elenco, em singela homenagem ao superlativo atleta de Moçambique, que inspirou e maravilhou gerações de amantes do futebol em todo o mundo, entre eles o meu Pai, que, vindo dos Açores e de Macau, decidiu ir viver para Lourenço Marques em 1958, e que assistiu ao vivo a todo o percurso de Eusébio, que em nossa casa sempre foi visto como um grande valor moçambicano.

Como é conhecido, o nome de código de Eusébio usado nas negociações que culminaram quando ele viajou de Lourenço Marques para ingressar no Benfica em Lisboa, onde chegou na noite de 16 de Dezembro de 1960, era Rute (ou Ruth) Malosso.

Mas Rute Malosso não era apenas um nome de código.

Havia de facto uma Rute Malosso em Lourenço Marques em 1960.

Rute Malosso era na altura uma jovem filha de Conceição Malosso, casada com Albertino do Vale Malosso, único irmão de Arlindo do Vale Malosso, que vivia em Moçambique desde os anos 20.

O irmão de Albertino, Arlindo do Vale Malosso, era um português mas que tinha cidadania norte-americana. Trabalhava como comissário de bordo de um navio que fazia carreira entre Cuba e os Estados Unidos. O seu pai era italiano (o apelido Malosso origina no Norte da península italiana) e foi chefe dos rebitadores que trabalharam na construção da Torre Eiffel em Paris, inaugurada aquando da realização da Exposição Universal naquela cidade em 1889 (e em que o use dos rebites foi uma inovação tecnológica importante). Mais tarde trabalhou na Ponte Dom Luiz na Cidade do Porto.

Em Portugal, o Pai de Arlindo casou com uma senhora portuguesa, de Tomar, de apelido Vale.

Anos mais tarde, numa viagem em redor de África, no início dos anos 1920, o navio onde Arlindo se encontrava a trabalhar teve uma avaria grave e teve que parar em Lourenço Marques para reparações durante algum tempo. Arlindo era cortador de carnes e arranjou logo emprego num talho de Manuel Cretikos, pai de Jorge Cretikos, uma família de origem grega que tinha vários negócios em Lourenço Marques. Eventualmente, Malosso radicou-se em Moçambique e envolveu-se em vários negócios, entre eles uma rede de talhos em Lourenço Marques.

Pouco depois da sua chegada a Moçambique, Arlindo mandou vir a sua mulher de Portugal e também convidou o seu irmão Albertino (pai de Rute Malosso) que vivia em Portugal, para se juntar a ele em Lourenço Marques, como talhante.

Qual a ligação entre Rute Malosso e a saga do mais famoso desportista moçambicano de todos os tempos?

Quem usou o nome de Rute Malosso aquando da transferência de Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica em Lisboa foi Mário Tavares de Melo, que conhecia Rute e era amigo de Albertino Malosso, pois ambos eram talhantes (cortavam carne num talho em Lourenço Marques, situado no Bazar de Lourenço Marques) e eram adeptos ferrenhos do Benfica na capital da então província portuguesa, onde o jovem Eusébio nascera, filho de um angolano branco de Lubango, Angola, e de uma bonita jovem moçambicana de Xipamanine, Elisa. O pai morreu antes de Eusébio completar sete anos de idade.

No final dos anos 50, o talento do jovem moçambicano, que vinha na senda de enormes talentos futebolísticos já surgidos do futebol moçambicano (Mário Coluna era o pilar do Benfica na altura, por exemplo) já despontara o interesse e pouco antes do seu ingresso no Benfica Bella Gutman, o lendário e mercurial treinador do clube português, voou até Lourenço Marques para observar o jovem talento. Gutman ficou impressionado.

Mário Tavares de Melo foi um dos elementos chave no complexo processo negocial em que Eusébio, que na altura era jogador do Sporting de Lourenço Marques, e que era menor (logo não tinha capacidade jurídica para assinar contratos), acaba, essencialmente por decisão da sua Mãe Elisa, por assinar um compromisso com o Benfica, compromisso esse consubstanciado com o seu registo, dias mais tarde, na Federação Portuguesa de Futebol, como jogador desse clube.

Nas negociações, que envolveram telegramas e telefonemas entre a capital moçambicana e a capital portuguesa, feitos em “aberto” (ou seja, podiam ser escutados e lidos pelos operadores da companhia telefónica em Lourenço Marques e em Lisboa) Mário usava o nome de Rute Malosso para se referir a Eusébio.

Rute Malosso ainda é viva (e saudável), está reformada e hoje reside em Queluz de Baixo, Portugal. Tem dois filhos e uma filha. Apesar de, como era costume na altura, as mulheres tipicamente adoptarem os nomes dos maridos quando se casavam, Rute, que casou com Joaquim Oliveira, manteve até hoje o seu apelido de nascimento – Malosso. Durante muitos anos, trabalhou para o Grupo Pestana.

Não tenho registo de alguma vez Rute Malosso e Eusébio se terem conhecido.

EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, EXPOENTE DO FUTEBOL, NATURAL DE MOÇAMBIQUE, FALECEU HOJE, 5 DE JANEIRO DE 2014

Filed under: 2010 anos, Eusébio da Silva Ferreira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 3:26 pm

Profundas condolências a sua Família e aos seus admiradores em todo o Mundo.

 

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Eusebio faleceu esta manhã, domingo, 5 de Janeiro de 2014, com 71 anos de idade.

Outubro 9, 2013

COSTA PEREIRA, JOGADOR DE FUTEBOL, ANOS 1950

Filed under: 1950 anos, Costa Pereira — ABM @ 1:37 am

Fotografia de Carla Botelho Pinhal, restaurada.

 

Costa Pereira. Com dedicatória à Família Botelho.

Costa Pereira. Com dedicatória à Família Botelho.

 

 

Junho 13, 2013

HOMENAGEM DO SPORTING DE LOURENÇO MARQUES A BOTELHO DE MELO, 1968

Grato à Guida e Sérgio Vilarinho, que tinham este recorte guardado em casa e se deram ao incómodo de o digitalizarem e enviarem.

 

O recorte noticiando o jantar de homenagem a Manuel Inácio Botelho de Melo

O recorte noticiando o jantar de homenagem a Manuel Inácio Botelho de Melo, que durante uma época treinou o Sporting de Lourenço Marques, no que foi sucedido por Mário Ramalho.

Outubro 7, 2012

ELIAS MAIO, HÉLDER MOURA E CÂNDIDO VEIGA, O FERROVIÁRIO VENCE A TAÇA SALAZAR. 1950

Fotografia de Carla Pinhal, restaurada.

 

Taça Salazar ganha pelo Clube Ferroviário em 1950″. Da esquerda para a direita, Elias Dias Maio, Helder Moura e Candido Veiga.

EXCURSÃO FUTEBOLÍSTICA A XINAVANE, MAIO DE 1950

Fotografia de Carla Pinhal, restaurada.

 

Não sei que equipa esta é.

 

“Excursão a Xinavane 28-05-1950″. Da esquerda para a direita:
Fila de baixo – o 1º é o Julio Queiroz (?), o 3º é o Gilberto Lopes e o 5º é o Claudino Ribeiro (?) Fila de cima – o 3º é o Armindo Pinhal e o 8º é o Helder (?)

A EQUIPA DE FUTEBOL DO ARSENAL NA NAMAACHA, ANOS 1940

Filed under: 1940 anos, Armindo Pinhal, Equipa do Arsenal, Júlio Queiroz, Picolo — ABM @ 8:41 pm

Fotografia de Carla Pinhal, restaurada.

 

Legenda “Arsenal na Namaacha, empatamos por 3-3″. Deve ter sido na 2ª metade da década de 1940. Da esquerda para a direita:
Fila de baixo – o 2º é o Julio Queiroz (?) e o 3º é o Picolo (?)
Fila de cima – o 5º é o Armindo Pinhal

Outubro 3, 2012

O PRIMEIRO ALMOÇO DOS ANTIGOS FUTEBOLISTAS DE MOÇAMBIQUE NO BIG SLAM, 2012

Filed under: 2010 anos, Almoço Antigos Futebolistas de Moç 2012 — ABM @ 6:58 pm

Para ver esta reportagem no magnífico Big Slam, prima AQUI.

Ora vejam os campeões aqui em cima. Para ver mais, prima na ligação indicada em cima e visite o Big Slam.

Setembro 15, 2012

A EQUIPA DE FUTEBOL DO FERROVIÁRIO DE LOURENÇO MARQUES NO AEROPORTO, ANOS 1950

Filed under: 1950 anos, Equipa Ferroviário LM, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 1:15 pm

Fotografia de Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, gentilmente cedida e que restaurei.

A foto não tem legenda. Deve ter sido tirada na segunda metade da década de 1950, é a equipa de futebol do Ferroviário a embarcar para a Africa do Sul.

Da esquerda para a direita:
Fila de baixo – Marques Neves, Costinha, Liua, ?, Cândido Veiga
2ª fila – Costa Pereira, Elias Dias Maio (tio da Carla), Epifanio Cunha, ?, Henrique Rodrigues, ?, Hélder Moura, Gilberto Morais, Severiano Correia (treinador)
3ª fila – Reis, Trigo de Morais, Valentim
4ª fila – Amadeu Castelo, ?, Viana

Quem conhecer mais alguém nesta foto, por favor escreva uma linha para aqui.

A equipa de futebol do Ferroviário no Aeroporto de Lourenço Marques, antes da partida para um jogo na África do Sul, anos 1950. Para ver a fotografia em tamanho gigante, prima na imagem com o rato do computador.

Agosto 31, 2012

EQUIPA DE FUTEBOL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Filed under: 1940 anos, Armindo Pinhal, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 5:38 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

Foto sem legenda. Deve ter sido tirada na 2ª metade da década de 40. Da esquerda para a direita na fila de cima o 6º é o Armindo Pinhal. Se alguém souber mais detalhes, por favor escreva uma nota para aqui.

JOGO DE FUTEBOL EM XINAVANE, 16 DE OUTUBRO DE 1949

Filed under: 1940 anos, Alípio Roxo, Armindo Pinhal, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 5:29 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

A legenda desta fotografia: “Arsenal em Xinavane, empatámos por 3-3, 16-10-1949″. Da esquerda para a direita: Fila de cima – o 7º é o Armindo Pinhal Fila de baixo – o 2º é o Alípio Roxo

ARMINDO PINHAL, COSTA PEREIRA E LIUA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Filed under: Armindo Pinhal, Costa Pereira, Liua — ABM @ 5:20 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

Deve ter sido na 2ª metade da década de 40. Sem legenda. Da esquerda para a direita: o 1º é o Costa Pereira (nº 38), o 2º é o Liua (nº 20) e o 5º é o Armindo Pinhal (nº 40).

EQUIPA DE FUTEBOL DA SECÇÃO “R”, EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

A foto deve ter sido tirada na 1ª metade da década de 50. Legenda “Equipa de futebol da secção “R””. Da esquerda para a direita, na fila de cima P1, P2, P3, Armindo Pinhal, P5, P6, P7 E P8. De joelhos: J1, J2, J3, J4, J5 e J6.

A EQUIPA DE FUTEBOL DOS SOLTEIROS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

Deve ter sido na 2ª metade da década de 40. Tinha a legenda “A equipa dos solteiros que perdeu por 1-0″. De pé, da esquerda: Fila de cima – Carlos Pinhal ( tio da Carla), P2, P3, P4, P5, P6 e P7. De joelhos: J1, J2, J3, Armindo Pinhal e J5.

EQUIPA DE FUTEBOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Filed under: 1940 anos, Alípio Roxo, Armindo Pinhal, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 4:41 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

A foto Não tinha qualquer legenda, deve ter sido na segunda metade da década de 1940. Da esquerda para a direita:
Fila de cima, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, Armindo Pinhal e Picolo (este sem certezas). De joelhos: Alípio Roxo, J2, J3, J4, e J5.

COSTA PEREIRA E ARMINDO PINHAL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Filed under: 1940 anos, Armindo Pinhal, Costa Pereira — ABM @ 4:32 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

Da esquerda para a direita, P1, Costa Pereira (nº 85), P3, P4 e Armindo Pinhal (nº 73).

EQUIPA DE FUTEBOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Filed under: 1940 anos, Armindo Pinhal, Costa Pereira, FUTEBOL MOÇAMBIQUE, Liua — ABM @ 4:24 pm

Fotografia gentilmente enviada por Carla Pinhal, filha de Armindo Pinhal, restaurada.

 

A fotografia não tinha qualquer legenda, deve ter sido tirada na segunda metade da década de 40. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5, Armindo Pinhal (pai da Carla), P7 e Liua. De joelhos: J1, Reis, Costa Pereira, J4 e J5. Se conhecer algum dos elementos com nomes em falta, por favor envie uma nota para aqui.

Julho 16, 2012

EQUIPA DE FUTEBOL DO LIMPOPO, ANOS 1960

Filed under: 1960 anos, Equipa do Limpopo, FUTEBOL MOÇAMBIQUE — ABM @ 11:34 pm

Fotografia de Luciano Fraga, restaurada, do grupo Photos e Videos from Limpopo no Facebook.

 

Uma equipa de futebol do Limpopo, falta o nome da equipa, o ano e os nomes dos campeões. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P4, P5 e P6. De joelhos: J1, J2, J3 , J4 e J5. Quem souber alguns detalhes, por favor escreva uma nota para aqui.

Junho 28, 2012

PEDRO DOS SANTOS, GUARDA-REDES DO DESPORTIVO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Filed under: 1950 anos, Pedro dos Santos guarda-redes GDLM — ABM @ 10:34 pm

Fotografia de José Godinho, da colecção do seu pai, o campeão de natação João Godinho (Quelimane e Lourenço Marques).

Pedro dos Santos, ao que me dizem um excelente guarda-redes na equipa de futebol do Desportivo, aqui na piscina do clube de Lourenço Marques, anos 1950.

Abril 17, 2012

VASCO PEGADO, FUTEBOLISTA E CAMPEÃO

Filed under: 1950 anos, 1960 anos, FUTEBOL MOÇAMBIQUE, Vasco Pegado — ABM @ 11:39 pm

Nasceu em Lourenço Marques em 1931. Jogou no Benfica e foi duas vezes Campeão Nacional e venceu também por duas vezes a Taça de Portugal. Depois foi viver para a África do Sul, onde permanece. Aqui, num recorte do sul-africano S.A. Soccer Monthly de Outubro de 1963, nos tempos em que pelos vistos jogou pelo Highland Park.

Abril 1, 2012

A EQUIPA DE FUTEBOL DO BENFICA DE LOURENÇO MARQUES, 1975

Fotografia de Francisco Torres, que hoje (1 de Abril de 2012) completa 58 anos de idade.

 

A equipa de futebol do Benfica de Lourenço Marques. Aqui estão Octávio, Mussa, Rangel, Zaza e Paizinho, Artur Semedo, Dolo, Armando Rocha, Francisco Torres, Sansão e Sabino.

A EQUIPA DE FUTEBOL JÚNIORES DA ACADÉMICA DE LOURENÇO MARQUES, CAMPEÕES DE MOÇAMBIQUE EM 1970

Fotografia de Francisco Torres, que hoje (1 de Abril de 2012) completa 58 anos de idade.

 

A equipa de futebol da Académica de Lourenço Marques, campeões de Moçambique em Júniores, 1970. Faltam os nomes, quem souber por favor envie uma nota para aqui. De pé: P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7 e P8. De joelhos: J1, J2, J3, J4, J5, J6, J7 e J8.

A EQUIPA DE FUTEBOL DO DESPORTIVO, 1976

Fotografia de Francisco Torres, que hoje (1 de Abril de 2012) completa 58 anos de idade.

 

A equipa de futebol do Desportivo em 1976. De pé. da esquerda: Nuro, Frederico, Miguel Santos, Calado e Hamide. De joelhos: Florêncio, Francisco Torres, Arnaldo, Totó, Urbano e Sitói.

Março 10, 2012

MÁRIO COLUNA: RADIOGRAFIA DE UMA ESTRELA, PELA FIFA

O lendário Bobby Carlton cumprimenta o Sr. Mário Coluna num jogo no Estádio de Wembley entre o Benfica e o Manchester United, 29 de Maio de 1968, a 5ª final da Liga dos Campeões Europeus segundo o meu amigo Jorge Figueiredo. O Manchester United venceu esta partida por 4 a 1.

Excelente texto copiado do sítio da Fifa, ligeiramente editado.

Dados de Base

Nome: Mário Esteves Coluna
Data de nascimento: 6 de agosto de 1935
Local: Inhaca, Maputo (Moçambique)
Posição: médio
Clubes: Grupo Desportivo Lourenço Marques (1951-54), Benfica (1954-1970), Olympique Lyon (1970-71), Estrela de Portalegre (treinador-jogador, 1971/72)

Presença na Seleção Portuguesa: 57 jogos (oito golos)

Palmarés
Jogador:
– Dez Campeonatos Portugueses (1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68 e 1968/69)
– Seis Taças de Portugal (1954/55, 1956/57, 1958/59, 1961/62, 1963/64 e 1968/69)
– Duas Copa dos Campeões da UEFA (1960/61 and 1961/62)
– 3º lugar na Copa do Mundo da FIFA 1966

Outros

- Além do futebol, Mário Coluna foi praticante de boxe, basquetebol e atletismo, tendo sido recordista nacional de salto em altura, com uma marca de 1,82 metros
-Regressou a Moçambique, onde foi Ministro do Desporto e presidente da Federação Moçambicana de Futebol
– Foi o primeiro treinador de Rui Costa no Benfica, antes de o médio se tornar uma das grandes estrelas do futebol português
– Depois de uma passagem mal sucedida por França, acabou a carreira como jogador-treinador no Estrela de Portalegre, em 1971/72

Esboço biográfico

O Alto-Maé tem algo de especial. Foi nesse bairro de Lourenço Marques, actual Maputo, a capital de Moçambique, que nasceram grandes nomes do futebol como Matateu, Vicente e Hilário e também foi aí que cresceu um jovem chamado Mário Esteves Coluna, que se viria a tornar num dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos.

Filho de pai português e mãe moçambicana, o jovem Mário não demorou a mostrar grandes capacidades físicas e queda para o desporto. Em pequeno, era perito a trepar árvores para apanhar manga ou cajú e, por isso, ouvia muitas reprimendas do pai, antigo guarda-redes e um dos fundadores do Grupo Desportivo Lourenço Marques.

E foi no Desportivo que Coluna abraçou o desporto. No basquetebol não passou da equipa de reservas, mas surpreendeu no atletismo, tornando-se recordista nacional do salto em altura.

Porém, a glória estava guardada para dentro das quatro linhas, para um avançado que, ainda adolescente, chamou a atenção dos três grandes clubes portugueses.

Tinha sido impedido de jogar pelo Desportivo numa digressão à África do Sul, por causa das leis do apartheid, mas no duelo da segunda mão, em casa, vingou-se e marcou os sete golos da vitória da sua equipa. Nada mau para um miúdo de 17 anos. Tão bom que recebeu, pouco depois, uma proposta do Futebol Clube do Porto, seguindo-se o Sporting, que dobrou o valor da oferta. Mas a vontade do pai e o facto do Desportivo ser uma filial do Benfica, traçaram-lhe o destino. E que destino…

Em 1954, com 19 anos, chega a Lisboa depois de uma incrível viagem de avião que durou qualquer coisa como 34 horas e que o levou até ao Lar do Jogador do Benfica, onde ficavam a viver os jogadores que não tinham casa própria. Coluna não gostou e os primeiros tempos não foram fáceis.

Tinha chegado com rótulo de estrela, mas ainda demorou um pouco a convencer o então técnico do Benfica, Otto Glória. Afinal, para a posição de ponta-de-lança já existia José Águas, mas o treinador brasileiro viu mais longe. Percebeu as qualidades de passe e a forte presença em campo do jovem e apostou que Coluna poderia vir a ser um grande médio. Aposta mais que ganha.

A estreia com a camisola encarnada aconteceu num amigável com o Futebol Clube do Porto e, no primeiro jogo oficial para o campeonato português, o ainda adolescente mostrou para o que vinha. Marcou dois golos na goleada (5-0) contra o Setúbal, os primeiros de muitos que viria a assinar durante as 16 épocas consecutivas que representou a equipa lisboeta, pela qual fez 677 jogos e marcou 150 golos oficiais.

E se os números não dizem tudo, os títulos mostram bem o que Coluna conseguiu no Benfica.

Até 1954/55, o Sporting dominava o futebol português, mas nas 16 épocas que se seguiram o Benfica somou nada mais nada menos do que dez títulos nacionais e seis Taças de Portugal, além de atingir a glória europeia, com Coluna a marcar um dos golos na conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, em 1960/61, frente ao Barcelona.

Quando, no final de 1960, chegou a Lisboa mais um jovem vindo de Moçambique, já Coluna era uma das grandes figuras do Benfica campeão europeu. Esse jovem também era natural de Lourenço Marques e dava pelo nome de Eusébio da Silva Ferreira. Chegou à capital portuguesa jovem, tímido e com uma carta no bolso para entregar a Coluna.

Afinal, as famílias de Coluna e Eusébio conheciam-se de Lourenço Marques e a mãe do Pantera Negra, preocupada com o bem-estar do filho em Lisboa, escreveu a Coluna a pedir que olhasse pelo jovem Eusébio. Foi o que fez aquele que, até hoje, se considera o “padrinho” de uma dos maiores avançados de todos os tempos do futebol mundial.

Levou Eusébio a abrir a primeira conta num banco e, todos os meses, tratava das suas finanças até que o adolescente se tornou adulto e constituiu família. Juntos, dentro do campo, ajudaram o Benfica a conquistar o segundo título de campeão europeu.

Em 1961/62, a final da Taça dos Campeões Europeus colocou frente-a-frente o Benfica e o Real Madrid. Os espanhóis chegaram ao intervalo a vencer por 3-2, com três golos de Puskás, mas a reviravolta na segunda parte começou com um golo de Coluna, cabendo a Eusébio fazer o resto.

Aos 17 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou uma grande penalidade a favor do Benfica e Coluna preparava-se para cobrar o castigo máximo quando ouviu a voz tímida de Eusébio: “Senhor Coluna, posso marcar o penálti?”. Assim mesmo, com a reverência do título de senhor, Coluna acedeu ao pedido e o Pantera Negra fez o 4-3, antes de bisar e fixar o resultado final em 5-3.

E no final desse jogo em Amesterdão, o jovem Eusébio tinha mais um favor a pedir ao “senhor Coluna”. Tímido, não teve coragem de pedir a camisola do seu grande ídolo Alfredo Dí Stefano e foi Coluna que se dirigiu ao hispano-argentino para pedir a camisola do Real Madrid que Eusébio guardou nos calções durante os festejos e que considera, até hoje, como um dos maiores troféus que conquistou no futebol.

Foi da base do Benfica bicampeão europeu – e que perdeu as três finais seguintes, sempre com Coluna como capitão – que se construiu a seleção portuguesa que viria a brilhar na Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1966. Germano era o capitão da equipa, mas como não era titular, a braçadeira foi entregue a Coluna que, em terras de Sua Majestade, mostrou a classe do costume no centro do terreno, ajudou Eusébio a sagrar-se o artilheiro da competição e levou Portugal ao terceiro lugar do Mundial, feito que ainda é, até hoje, o melhor da seleção das Quinas em Copas do Mundo.

Depois da epopeia inglesa, Coluna voltou para mais três épocas no Benfica, do qual se despediu em 1969/70 partindo para um ano ao serviço do Lyon. O regresso ao Estádio da Luz aconteceu em dezembro de 1970 para um jogo de homenagem frente a uma seleção mundial onde estavam nomes como Johan Cruyff e Bobby Moore, entre muitas outras vedetas. Alinhou 15 minutos com a camisola encarnada, saindo debaixo de uma enorme ovação. Estava previsto jogar alguns minutos pela outra equipa, mas recusou-se. Afinal, não conseguia defrontar o clube do coração.

Já era o Monstro Sagrado dos benfiquistas, o Didi Europeu como lhe chamavam os jornalistas brasileiros, ou, simplesmente, o Senhor Coluna como lhe chamava Eusébio.

(fim)

Março 8, 2012

DISCURSO DE TRÊS MINUTOS E MEIO DO SR MÁRIO WILSON, 2008

Vídeo gentilmente enviado para mim pelo insofismável Rogério Carreira.

Intervenção do Sr. Mário Wilson aquando do 108º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, um clube de Lisboa.

Aqui se podem ver também Eusébio e o Sr. Mário Coluna.

 

 

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